...parece que eles insistem na tecla dos desgraçadinhos e, pior que isso, na desonestidade intelectual de pretender atirar areia nos olhos dos supostos incautos. Ora saibam os senhores professores que nem todos os pais dos alunos andam tão a leste...neste caso, não do paraíso, mas do inferno que é a escola dos nossos dias para todos os alunos (e respectivos pais e/ou encarregados de educação) que saiam do modelo formatado*...e assim sendo convinha colocar-se os pontos nos iiiiii's...
É claro, claríssimo para mim, que ninguém tem de trabalhar de borla. É claro, claríssimo para mim, que eu tenho (tantas) vezes de prolongar o meu horário por questões de eficácia momentânea e nem por isso me pagam horas extraordinárias, não sendo também por isso que quem está dependente do meu desempenho, momentâneo, precise de ficar prejudicado porque não me pagam aquela hora extraordinária, hora essa que se repete mais vezes do que eu desejaria.
Ora vem isto a propósito, de novo, da aulas de substituição e do que li
por aqui! E daqui ressalto o seguinte:«Além de cumprir as 22 horas lectivas semanais do seu horário, por imposição do ME tem o docente de estar na escola mais outras 5 horas, ficando 8 horas para o seu trabalho individual (preparação de aulas, testes, etc.), e outras 2 horas reservadas para reuniões. E o que fazer quando as reuniões semanais ultrapassam as 2 horas? [1]Parece óbvio que são também horas extraordinárias, face à rigidez do actual horário docente. Até final de Agosto deste ano, as reuniões que houvesse – de conselho pedagógico, departamento, grupo disciplinar, conselho de turma, com os encarregados de educação -, marcadas, por óbvia conveniência, após o final das aulas da tarde, [2] realizavam-se no horário não-lectivo dos professores, suficientemente elástico para as admitir. Agora, pode um professor trabalhar na escola 5 horas de manhã, outras 4 horas à tarde, e ter uma reunião às 18 horas. Diga MST qual a empresa que considera uma função diária de 5+4+2 horas = 11 horas[3] como “obrigação garantida”.»
[1] Ora vamos lá a ver se nos entendemos...honestamente! Começamos por concluir que o horário diário de cada professor é de...4,5h para aulas! Depois aparece ali uma escrita muito mal amanhada referindo que deve o professor ficar mais 5 horas, ficando 8 "para o trabalho individual (preparação de aulas, testes, etc.)"!???! Das duas, uma: são 5h, ou 8h??? De 5h fazer 8h é que me parece pior que fazer omeletes sem ovos!E ainda...mais 2h para reuniões! Para começar: se essas reuniões fossem mais produtivas, em vez de tratarem de assuntos de lana caprina e/ou de interesses pessoais...talvez não precisassem de mais que essas 2h semanais...assisti, durante dois anos, a conselhos pedagógicos e percebe-se porque precisam de mais de 2h...e também se percebe porque raio não lhes interessa ter pais/encarregados de educação dentro das escolas!:->
[2] Depois temos o eterno problema dos professores: os pais/encarregados de educação!:-> Ando nessa roda viva de filhos/escolas/directores de turma há uns 15 anos e nunca apanhei um atendimento que não fosse dentro do horário escolar/laboral! Os únicos tempos que vejo os professores marcarem fora do horário laboral são as reuniões de início de período que representam nada mais, nada menos que 3 - três! - por ano!!! E fora do horário escolar/laboral por... "óbvia conveniência dos encarregados de educação"(!?)
Repare-se bem: não é por óbvia necessidade por termos uma população maioritáriamente de fracos recursos e muitos com trabalhos precários, já para não referir as entidades patronais que não respeitam, sequer, o direito consignado na lei, exercendo muitas vezes pressões e ameaças colocando em causa o posto de trabalho, além desses tempos não serem pagos; em contrapartida quem tem recursos coloca os filhos no privado onde os professores devem ser muito bem pagos, dado que nunca faltam sem justificação válida, nem "refilam" por fazer horas extras de borla!:-> -
[3] «5 horas de manhã, outras 4 horas à tarde, e ter uma reunião às 18 horas. Diga MST qual a empresa que considera uma função diária de 5+4+2 horas = 11 horas» ...o MST nem se deve dar ao trabalho de lhe responder, mas eu adoraria que me respondesse que raio de horário é esse de 11h diárias x 5 dias por semana = 55h semanais!????...Como é que se está tanto tempo dentro da escola e os putos têm tantos furos por faltas dos professores????
Não!, os professores não têm a culpa de todos os males do mundo...do ensino! Têm apenas a culpa da sua desonestidade intelectual generalizada que os faz a classe mais rasca que este país têm!!! Podem estar, quase, a ser batidos pela magistratura, mas...ainda conseguem batê-los aos pontos e de longe!
Quanto ao resto, das faltas e respectivas justificações/descontos ...nem vale a pena pegar-lhe de tão ridícula a comparação das benesses, apesar de tudo, dos funcionários públicos face aos restantes...porque para todos os efeitos os professores, de há uns anos a esta parte, nada mais são que funcionários públicos!, com tudo o que de pejorativo esse termo implica!
Sejam honestos meus senhores! Sejam-no para vosso proveito, mas essencialmente tendo em conta que a "matéria prima" que vos passa pelas mãos é a que "produz" os homens e mulheres de amanhã e, pelo que se tem visto, o vosso trabalho tem sido vergonhoso! Com algumas ressalavas para uns quantos idealistas, tantas vezes hostilizados pelos senhores instalados no poder dos quadros, que insistem em fazer valer os seus princípios acima dos valores mercenários da classe. Mas esses, coitados, muitas vezes acabam..."expulsos"!, duma forma ou de outra.
*formatados: Há-os de vários tipos.
1) Há os que vêm com a lição toda ensinada/aprendida de casa; são os filhos de profs e/ou de "doutorados" - de berço! - que os ensinam ou pagam por fora a quem o faça. Assim sendo, chegam à escola com a papinha toda feita, muitas vezes pelo molde do papá e/ou da mamã e o(s) prof(s) acham melhor nem contestar, dado dar-lhes muito menos trabalho. Estes só vão para o ensino público se os papás forem, também eles profs, ou se tiverem alguém chegado nessas condições. Estão à mão de se ir controlando a coisa, são colocados nas melhores turmas, nos melhores horários que, consequentemente, têm os melhores professores - melhores não tanto por serem bons, mas por já terem mais anos de ensino e acabam por ser bons já que com boa "matéria_prima" qualquer inapto faz obra! - fora isso vão direitinhos para os bons colégios, pagos a peso de ouro, onde nem por isso têm melhor ensino, mas...a formatação é mais eficaz e segura. Daqui sai a grande fornada dos bem instalados na vida. Seja lá qual fôr a capacidade, ainda antes de entrarem no mercado de trabalho já têm o lugar assegurado, seja por "herança", seja por cunha, seja por compra...Uns poucos que têm realmente valor, independentemente da ascendência, acabam por ir lá para fora que aqui também não aprendem nada!
2) Há os que se lhes consegue meter tudo na cabeça tipo cola_cientistas_ao_tecto. São putos com pais agarrados a uma estranha noção de que para se ser alguém na vida tem de se ter um canudo; vai daí o puto marra, marra e absorve tudo tipo esponja. Esses são os melhores de todos:obedecem sem questionar nada! Nunca vão conseguir aprender a pensar pela própria cabeça; no futuro vão precisar sempre de alguém que lhes dê as soluções - os chefes, o governo, a segurança social, etc. - vão levar a vidinha no bom estilo casa_trabalho e em casa toca de se empanturrar com todas as telenovelas, todos os telelixos, todos os futebóis. Ficam com o canudo, é certo, após todo o sacrifício feito pelos papás babados, mas...não sabem escrever a ponta dum corno que não seja cop&pastar as ideias dos outros e mesmo assim na maior parte das vezes com erros de bradar aos céus. Além de ficarem todos desconjuntados quando se lhes pergunta algo que não estava incluido na formatação. São os destinados a lambe-cús deste mundo!
Depois há os que - desgraçadamente! - são ensinados a pensar autonomamente. Os incapazes para a formatação, para a normalização. Os candidatos a infelizes deste mundo. Com um bocadinho de sorte, muito carinho e apoio dos pais talvez consigam meter na cabeça que ser feliz é mais que ter...é ser! São os que apreenderam determinado conjunto de valores e princípos, ao que parece fora do prazo de validade!, dado que não os conseguem aplicar em lado nenhum desta porra de sociedade anestesiada. São os que tudo questionam e tudo querem perceber antes de saber...porque saber sem ter percebido é coisa de et's, com toda a certeza. São os que não têm pais, em casa, para os ensinar aquilo que deviam ser os professores a ensinar - as matérias curriculares! - pois para isso lhes pagamos com os nossos impostos a que não podemos fugir, como parece ser o normal neste país de doutores_de_ordenado_ mínimo, acabando por fazer o professor perder tempo daquela enormidade de horário que desgraçadamente lhe impõem qual escravidão do sec XXI!
Há ainda os que, percebendo que têm na frente um adulto baldas (e desonesto!), entendem que se o prof é assim porque raio ele, aluno, tem de ser mais papista que o papa, colocando aos pais uma dupla tarefa de explicar ao fedelho que nem todos os profs são assim e blá, blá, blá pra manter a honra do convento porque se uma pessoa lhes vai dar força então é que o caldo se entorna de vez...pra todos os lados.
Continuo a dizer... é verdade que os professores deviam ter um estatuto priviligiado, mas...por mérito próprio! e não por decreto! Porque cada vez mais se aplica aquele velho ditado: quem sabe faz, quem não sabe ensina!:->
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(Magritte)/
"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW