22/06/06

Na era do fast food, do usar e deitar fora, ora aí está mais uma!:->


...palavras pra quê?...é entrar, cambada, é entrar que o circo vai pegar fogo!ah valentes...quatro minutos, é?!?...irrrrrrraaaaaa!...que lerdinha eu sempre fui...:->

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

...que o meu silêncio perante quem se permite perder algum tempo para aqui vir - e, de quando em vez, deixar uma palavrinha - não seja entendido como um menosprezar, um desmerecer, de tal boa vontade...
eu leio tudo e fica sempre qualquer coisinha comigo...

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

19/06/06

...há uns bons anos atrás um dos meus 'pequenos-grandes' sonhos era ter um simples(?!) monte alentejano...era o assumir da minha necessidade de isolamento do 'inferno' que era "o outro", uma necessidade algo intermitente, assim como uma espécie de relação amor-ódio com a humanidade: queria-a bem longe de mim, mas não tanto que a não pudesse procurar quando me apetecesse! Mais recentemente um 'simples monte' já não me bastava: precisava que fosse, mesmo, uma ilha deserta! Hoje encontrei o que procurava...sem 'monte' e sem 'ilha'!...a 'multidão' que me rodeia proporciona o efeito desejado!

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

“Muitos são os inquietantes mistérios. Nada, todavia, mais misterioso e inquietante do que o homem."- Sófocles, Antígona


...desde que iniciei estas 'lides virtuais' (já lá vão quase dez anos, raios!...) fiz desta citação, da 'Antígona', a minha "imagem de marca". Foi também com 'Antigona' que comecei a minha longa lista de nicknames, dos quais já esqueci/perdi quase todos, menos este que ficará para sempre associado a uma série de alterações na minha vida...para lá da 'imagem de marca' marcava, também aquela frase e todo o contexto da "estória sofcliana", a minha visão perante "o outro", o mundo, o estar aqui...

...hoje, olhando o mundo à minha volta - e este 'à minha volta' inclui, naturalmente, a tão famosa aldeia global que, por mal ou bem, vamos sendo forçados a reconhecer - já não me parece tão misterioso assim...o homem!...inquietante sim, na sua perpétua necessidade de destruição, da pequena à larga escala...inquietante sim, na sua ausência de novos sonhos, novos ideais...inquietante sim, na sua circular procura do caos que não renova...

...envelhecer parece ser, então, o perder da fé no mistério que seria o ser(se) humano...e ganhar uma contínua inquietação pelo vazio que isso transporta...pensei que demorasse mais tempo, no meu caso...pensei!...


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

...leva-se a vida a beijar sapos na esperança de que nos saia, pelo menos, um princípe...na prática gastamos a vida a beijar pseudo-princípes que, rápidamente, se transformam em sapos...nnaaahcccc!




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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

29/05/06

(...) "Saúdo a todos os meus amigos. Que lhes seja dado a aurora desta longa noite. Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes".




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"É URGENTE COMEÇAR A FAZER NADA COM MÉTODO"

nenhures-a-sul
«(...)E naufragar pode vir a ser, simplesmen
te, dar de caras com aquela ilha perdida, desde sempre sonhada.(...)»


[...como sempre, parece-me que o meu 'mensageiro_de_serviço' voltou ao activo...no momento exacto, já que ando pr'aqui com 'umas' engasgadas a propósito do tudo e do nada - e este tudo e este nada esta ali todo escarrapachadinho, muito melhor dito do que eu o faria...e se temos quem o diga melhor que nós pra quê inventar o que já foi inventado?!? - só gostaria de (ainda) conseguir manter aquele optimismo...céptico, mas optimismo... eu, por mim, já o vou perdendo a olhos vistos...]

BARCELONA...sempre!







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28/05/06

Mas...vai recomeçar tudo...de novo?!?

Que raio de povo este que só se sente Nação se empolgado por "meia dúzia" de gajos que correm desalmadamente às voltas com uma bola...



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25/05/06

Geração Rasca - estórias do quotidiano político, social e cultural

Geração Rasca - estórias do quotidiano político, social e cultural...Pois!!!

Uma oferta que me soube a mel...

[Foto de MJE]

‘A colher na boca’



Prefácio



(…)

Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,

espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos

que não viram as torrentes infindáveis

das rosas, ou as águas permanentes,

ou um sinal de eternidades espalhado nos corações

rápidos.

- Que fizeram estes arquitectos destas casas, eles que vagabundearam

pelos muitos sentidos dos meses,

dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra,

para que se faça uma ordem, uma duração,

uma beleza contra a força divina?

(…)


Herberto Helder


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

E a UTOPIA timorense a morrer lá longe...

«Em Timor-Leste, confrontos entre polícias e militares agravam situação



(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Ele há cada uma!!!

Poetry Café...
"Temporáriamente encerrado para..."


[Espero que tudo corra pelo melhor e tão rápido quanto possível... e que a JUSTIÇA TARDE MAS NÃO FALHE!]

(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Este AMOK...


...entrou em colapso!
...ou terei sido eu???
...sei lá!













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15/05/06


Almedina Atrium Saldanha - 17 de Maio

CICLO FALAR DE BLOGUES: BLOGUES NO JORNALISMO

Falar de Blogues no Jornalismo

17 de Maio, 19:00 horas
Jornalismo e Comunicação, Manuel Pinto
Mas certamente que sim!, Paulo Querido
Sopa de Pedra e Blinkar, António José Silva

Não se trata de discutir se os blogues são jornalismo, mas de saber como pode o jornalismo aproveitar os blogues e as tecnologias que os apoiam para se revigorar.

Organização: José Carlos Abrantes e Almedina

Almedina Atrium Saldanha
Atrium Saldanha, Loja 71, 2.º Piso
Lisboa


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14/05/06

"Ain’t No Cure for Love"

I loved you for a long, long time
I know this love is real
It don’t matter how it all went wrong
That don’t change the way I feel
And I can’t believe that time’s
Gonna heal this wound I’m speaking of
There ain’t no cure,
There ain’t no cure,
There ain’t no cure for love.

I’m aching for you baby
I can’t pretend I’m not
I need to see you naked
In your body and your thought
I’ve got you like a habit
And I’ll never get enough
There ain’t no cure,
There ain’t no cure,
There ain’t no cure for love

There ain’t no cure for love
There ain’t no cure for love
All the rocket ships are climbing through the sky
The holy books are open wide
The doctors working day and night
But they’ll never ever find that cure for love
There ain’t no drink no drug
(ah tell them, angels)
There’s nothing pure enough to be a cure for love

I see you in the subwayand I see you on the bus
I see you lying down with me, I see you waking up
I see your hand, I see your hair
Your bracelets and your brush
And I call to you, I call to you
But I don’t call soft enough
There ain’t no cure,
There ain’t no cure,
There ain’t no cure for love

I walked into this empty church I had no place else to go
When the sweetest voice I ever heard, whispered to my soul
I don’t need to be forgiven for loving you so much
It’s written in the scriptures
It’s written there in blood
I even heard the angels declare it from above
There ain’t no cure,
There ain’t no cure,
There ain’t no cure for love

There ain’t no cure for love
There ain’t no cure for love
All the rocket ships are climbing through the sky
The holy books are open wide
The doctors working day and night
But they’ll never ever find that cure,
That cure for love

Leonard Cohen

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

13/05/06

Roubaram-me as palavras...


Barcelona, La Rambla, Fev'06

Soneto da Separação

Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silêncioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente. 


***...***...***
(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW