03/02/07

Aqui está a mais simples e exacta definição do meu estado d'espírito face a este referendo...



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

02/02/07

Desde que me lembro de dar comigo a pensar na morte - e para tal tenho de recuar aos tempos das 'depressões(zinhas)' juvenis, já lá vão uns bons tempinhos! - sempre se instalou, na minha ideia, que queria ser cremada. Depois, com o desenrolar da vida, fui firmando esta ideia agora já duma forma racionalizada, racionalização essa que passava por achar as cerimónias fúnebres um completo disparate, tantas vezes transformadas em festivais de hipocrisia familiar. Dos velórios, então, nem se fala. Ou melhor: falar, fala-se, mas de tudo menos de quem morreu. Ou, então, fala-se exactamento ao contrário do que se fazia em vida: todos os defeitos assinalados em vida passam a virtudes glorificadas na morte. Fui a um funeral em toda a minha vida (tendo passado por cima do velório e, pelo que me contaram depois, fiz muito bem ou teria desatado à estalada a toda a gente antes de correr com todos para o olho da rua!) e jurei a mim mesma que seria o último!

No entanto, discutimos tantas vezes sobre a necessidade do luto...lembras-te? Nunca percebi essa ideia. Talvez porque nunca tinha deparado com a chegada da morte...sem aviso. A minha relação com a morte sempre se fez numa base de auto-defesa: se a pessoa estava muito doente, terminalmente doente, eu entendia ser dum profundo egoísmo chorar-lhe a morte. Não se chora porque a pessoa morreu, chora-se porque a pessoa nos morreu. E, assim sendo, a morte é uma libertação para quem deixa de sofrer e o nosso sofrimento é a quota parte a pagar por se amar quem partiu. Guarde-se a memória, mas...liberte-se a dor!


Agora, agora começo a entender a necessidade de fazer o luto, de ter 'algo' a que me agarrar para chorar a dor da partida...sem aviso!, sem necessidade de libertação!, sem doença, ou mal, que o justificasse! Morreste-me apenas porque estavas vivo e alguém entendeu (ou nem sequer o entendeu tendo sido, apenas, um gesto gratúito da absoluta estúpidez humana) que assim não devias continuar. Eu não soube aprender esta tua lição: "E os MEUS mortos são MEUS porque eu lhes consegui dizer : ADEUS !"


Cumpriu-se o que sempre se disse ser para cumprir e agora? Como é que me despeço? Que luto faço? Estupidamente, e mais uma vez, fugi da realidade; imaginei (ou queria tanto acreditar!?) que não vendo, não existia e assim eu não sofria. Engano puro! Não são as almas dos mortos que pairam - penando por aí, algures - quando não alcançam a paz...são as dos vivos que não sabem despedir-se dos seus mortos.









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01/02/07

A coisa está a descambar, olá s'está!

Se o primeiro Referendo teve o efeito de me afastar da militância, seja ela pró que for, este está - quase! - a afastar-me das urnas! A coisa está a começar a feder, mais dum lado que do outro, é certo, mas...estas campanhas - pseudo-informativas e mais a dar para a 'partidarite' - estão a raiar o obsceno ideológico...se eu estivesse com dúvidas por certo não seria com estas campanhas que por aí andam, quase de parte a parte, que ficaria mais elucidada...enfim, eu sei que nunca permiti - nem vou permitir, jamais! - que a minha vida (e a dos que me são próximos) seja orientada por razões, éticas e consciências alheias, mas...há por aí muito boa gente que ainda anda à nora...


Em todo o caso, é claro que dia 11 direi





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29/01/07

Continua a fazer-me muita confusão que um dos argumentos dos defensores do NÂO se fundamente na defesa das suas fortes convicções. Ok, mas...porque raio é q eu tenho de desgraçar a minha vida por causa da defesa das convicções dos outros?
É que, eu, defendendo em última análise o meu direito de decidir da minha vida, segundo as minhas convicções, não pretendo de modo algum obrigar quem quer que seja a fazer um aborto contra a sua vontade e convicção...porque raio tenho eu de ter um filho se não me sentir preparada para tal?


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E se...

...se deixassem de merdas invocando a Ciência para justificar questões morais que se prendem primordialmente com decisões da ordem da consciência de cada umA?!? Até parece que, ao escudarem-se com a Ciência, se esquecem que o que hoje é verdade amanhã pode ter outra...verdade! Já agora também seria bom que todos aqueles que decidem em consciência da ordem do religioso se deixassem de merdas porque quem não está dentro dessa ordem também tem direito a decidir...quanto mais não seja da sua própria vida! Estes também parece esquecerem que, em última análise, se necessário for escolher-se entre a vida da mãe e a do filho que vai nascer, em geral, opta-se pela mãe e quase ninguém parece ficar chocado com tal decisão...
Deixem-se de tretas com discussões pseudo-filosóficas - pois a Ciência ainda não provou de forma insofismável qual o exacto momento em que começa a vida...humana! - e decida-se do que é possível decidir: acabar com a vergonha de proibir o que ninguém deixa de fazer...se tiver de o fazer!, para depois fingir-se que não existe, fechando os olhos ao cumprimento duma lei, ao que parece, todos acharem estúpidamente impraticável...até As que votam NÃO e depois vão abortar a Espanha.

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28/01/07


O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.

Jorge Palma
1982

(obrigada...)

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27/01/07

O caro Rui irá desculpar-me, ou não...vai dar no mesmo!

Mas...este seu link 'O Piano "Pour Lídia" para o Macro até o autor reclamar autoria' no seu Macroscopio sempre me pareceu ter algo que não (me) batia muito bem. Na altura não me ocorreu o porquê e, verdade se diga, nunca fui muito de ligar a essas mariquices dos direitos autorais aqui por estas bandas. Também não tenho estado, minimamente, com pachorra para me deter nestes pormenores, mas...desde quando é que o dito 'pour lidia' foi determinado ser 'para o Macro'??? E desde quando é que isso de ser para...tem a ver com o autor propriamente dito???

Ora vamos lá a ver: este 'pedacinho de música' - ou seja: o respectivo ficheiro - foi-me oferecido (por transferência de ficheiros pessoais) pelo executante. Como já expliquei, a autoria sempre me foi (mais ou menos) deixada em suspenso e algumas vezes cheguei a suspeitar ser do próprio executante, pelo menos na forma de algum tipo de variação. Após a oferta passei a usá-la como tema musical da minha página pessoal sobre Florbela Espanca, já lá vão uns bons aninhos, tendo esta terminado quando os senhores todo poderosos do Terravista decidiram extinguir o alojamento de páginas e, por isso mesmo, perdi tudo o que tinha construido. Sorte a minha que tinha alojado o 'pour lidia' no servidor do Geocities, numa outra página minha - Antigona - e assim conseguindo continuar a usar o ficheiro.

Assim sendo, fica a coisa resumida nestes termos:

  • o dito ficheiro não foi feito, ou gravado, ou oferecido...para o Macro!
  • o dito ficheiro não tem o autor identificado, mas dada a forma como foi colocado na net e, apesar de não estar vedado o seu uso, seria no mínimo de bom tom que sempre que fosse usado se fizesse referência à sua procedência com o respectivo link, como também é de bom tom fazer-se com todas as 'pescagens' que fazemos;
  • o dito ficheiro está alojado num directório de ficheiros de alguém que está devidamente identificado, tanto quanto é necessário em termos cybernáuticos, para que se torne ridícula a menção 'para o Macro até o autor reclamar a autoria'! A coisa não será bem assim; o autor até pode nem reclamar nada, mas...eu posso apagar o dito ficheiro do dito directório, do dito servidor onde eu tenho a minha página!
Ou seja: neste momento a única pessoa que pode reclamar alguma coisa sou eu!, já que o possível autor e certamente, sem ponta de dúvida, o executante deixou de poder fazê-lo! Não fosse o facto de, ao ouvir este som, ficar (em desespero de causa) com a sensação de, assim, poder guardar um pouco de quem mo ofereceu e apagaria mesmo!, já que a partilha neste momento me parece algo obscena...

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22/01/07

Sei que há tempos me enviaram dois (acho que apenas dois, mas...já não garanto nada) daqueles inquéritos que por aí andam sobre a blogosfera, ou mesmo sobre a net em geral. Acho que respondi a um deles e fiquei com a sensação de estar em falta com outro, só que...não encontro o mail respectivo. Se por acaso assim foi ficam, desde já, apresentadas as minhas desculpas com a garantia de que tal falta a tudo se pode atribuir menos à falta de consideração por quem teve a amabilidade de achar, mesmo que ao de leve, que eu teria alguma coisa minimamente interessante para dizer.

19/01/07

Uma reflexão muito boa...

Sobre a natureza humana

«(...)Marx escreveu antes de Freud, e também não conheceu os abismos a que humanidade desceu depois da sua morte, no “curto século XX” – ou seja, ignorou na sua reflexão as categorias filosóficas fundamentais da animalidade e da maldade. Será o altruísmo um requisito essencial do socialismo? E poderá haver comunismo com homens imperfeitos, como os homens são? Não sei.»
Janeiro 16, 2007 | por António Figueira, in



(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Continuo sem a minha lista de Links, do Blinkar, sem perceber pra onde ou como se escafedeu daqui.

A pachorra para as buscas do possível porquê tem sido nula, nestes últimos tempos, pra isso e pra tantas outras coisas; verdade se diga que me apetecia a possibilidade, mítica, de parar o tempo e...fazê-lo retroceder um pouco! Não que seja coisa minha perder-me no que passou - seja pra remoer, seja pra lamentar - pra isso mesmo tento guardar as memórias perdidas...podem, um dia, vir a fazer-me falta, se mudar e decidir passar a perder tempo olhando pra trás. Mas...a morte - essa deusa negra a quem tantas vezes apelávamos, lembras-te?!? - prega-nos sempre a partida quando menos esperamos e rouba-nos os tempos...o tempo de dizer o que não dissemos; o tempo de reformular o que dissemos querendo dizer outra coisa; o tempo de reparar o que dissemos quando deviamos estar calados; o tempo de ser e estar com quem amamos...

Pode ser que um dia destes eu consiga descobrir pra onde se escafederam os meus links...já que do resto não conservo grandes esperanças de re-encontrar...


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14/01/07

elmanias: "Tenho basicamente nada para dizer e como tal escrevo"


[...agora parece-me um eco...ou o espelho que me obrigará a olhar a realidade de frente...]

«Mas... quando não se lê o que se quer e o que se ouve é um murmúrio saudosista, que outro remédio senão o de dizermos o que não lemos e de escrevermos o que gostaríamos de ouvir?»'Quid Novi?'
[JR, 1955-2007]

Não morreste...morreste-me...

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Só hoje entendi 'isto'...pena que seja tarde demais...

«Então?? Que te aconteceu??

- Que me aconteceu, o quê?

- Deixa-te de tretas, pá.... Desapareces um dia inteiro...

- Hããã ???...

- Hããã.???...? Mas que diabo de resposta é essa?

- Que queres que te diga? Sabes bem onde me procurar...

- Que quero que me digas? Depois de uns dias em que parecias vir re-nascer em Lisboa dizes-me 'hããã???”' e queres que me fique?

- Ahhhh... isso???...

- “Isso”!?? Sempre gostaste de fazer mistério sobre essas tuas “ausências”! Cá para mim há moira na costa! Ou então...

- É mesmo “ou então”! Não pode haver mistério, os mistérios são impossíveis quando o que poderíamos esconder é tão óbvio que se porventura chegássemos a falar disso pareceríamos as gajas ao telefone a contabilizar a vida por períodos ( a “fecundidade” tem destas coisas.... períodos perdidos, períodos falhados, períodos contabilizados...). Mas, nem daria para contar. Ainda se tivesse interesse...

- Ah, eu logo vi, é sempre a mesma treta. Cá p’ra mim, com tanto desperdício ainda acabas outra vez a viver as ilusões dos outros e a obrigar-nos, a nós que somos teus amigos, a ter respeito pelos fantasmas que crias... Bahhhhhhhhhhh !

- Olha, queres mesmo saber? Estou-me a cagar para isso. Mesmo quando me obrigam a fazer de gelo para não recordarem o afago da minha mão, eu sou teimoso... Obrigo-vos, a vocês que são meus amigos, a respeitarem “a pessoa que adoptei”... Mas, sabes? Acho que ela está a aprender: reparei que naqueles olhos já existe “um não sei quê” que me convence que já lhe sabe bem voltar para o seu cantinho... O que quer dizer que estamos no bom caminho.
»


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...a verdadeira 'estória' do «pour lidia»...

«Ahhh... que saudades que eu tenho desse piano...

A janela... o gato... o rio ao fundo... os livros espalhados no chão (sim, que uma casa de mulher também precisa de "desarrumação" de vez em quando...)...

"Outras" fugas", é o que é...

ps: importas-te de baixar a tampa do piano? è que não sei onde colocar o cinzeiro :-)»


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“Se os vivos não te ouvem escreve para os mortos”

Seated Young Lady, Egon Schiele


(...)

Et si tu n'existais pas,
Je ne serais qu'un point de plus
Dans ce Monde qui vient et qui va,
Je me sentirais perdu
J'aurais besoin de toi.
(...)
Joe Dassin


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As lições que não aprendi...

«(...)O saber que a morte é o auge da vida , torna-nos tão humanos que tememos a morte pelo que não fizemos … pelo que fica de nós por partilhar… pelo que omitimos… É esse o medo que deveríamos ter: o medo de não termos sido capazes!(...)

Transformar o físico morto em lembrança viva é o que conta. E, para isso, o dizer ADEUS, o olhar o morto, é importante para o recordar… Porque, afinal, recordar mais não é que o fazer passar de novo pelo coração… E só recorda quem pode dizer adeus…»


É essa a dolorosa certeza que fica...a de saber que não fomos capazes...!

E, se eu não posso dizer ADEUS, se eu não sei enfrentar 'os meus mortos', então não os recordarei, mas... guardarei para sempre as minhas memórias perdidas...até que um dias as possa recuperar...porque a morte não é, não pode ser, o fim!

Até lá continuarei ignorante, tão ignorante quanto seja necessário, para que não doa tanto...




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13/01/07

«Só aos amigos é dado o espectáculo da nossa miséria »


...o 'problema' é que uma amizade demora muito tempo a construir...tanto como, por vezes, pode demorar uma vida...tanto que, por vezes, uma vida não chega e fica a construção por concluir...interromper a construção duma amizade, chegados aos últimos patamares, é das frustrações mais dolorosas para quem fica com a obra inacabada...

...depois, com o avançar da vida, o tempo que nos resta afigura-se-nos escasso para iniciar novas construções...e se nos detivermos na comparação dos alicerces (actualmente utilizados) com os já estabelecidos (anteriormente) a frustração cresce exponencialmente...perder um amigo deixa-nos um vazio tão fundo - como quem perde um grande amor - que dificilmente nos abalançamos a tentar de novo... porque temos medo do tempo que se perde com os desenganos e porque o tempo já não chega!



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