31/05/07

A Luna que me desculpe, mas desta vez vou cop&pastar tudo!

What's wrong with romance?
Não sei o que se passa com os homens de hoje em dia, que após anos e anos de tampas, talvez se tenham cansado das tentativas falhadas e tenham desistido de se dar ao trabalho. Do que falo? Do bom e velho flirt, das conversas insinuantes, todo aquele ritual de sedução, trocado por miúdos por "bater o couro". A julgar pelos últimos tempos - 3 vezes em 2 semanas - chego à conclusão de que a sedução saiu de moda e o couro à moda antiga passou à história. O que está a dar mesmo é passado dez minutos de conversa banal, sem qualquer clima ou sinais de interesse por parte da rapariga, perguntar logo directamente se quer ir para a cama com ele. E está mal, meus caros, está mal, porque não havendo ainda atracção - e deus sabe quanto uma boa conversa a pode suscitar, muito mais que a aparência física, pelo menos para as mulheres -, qualquer hipótese de sexo que pudesse existir com uma cantiga do bandido bem cantada deixa de existir após a pergunta. Uma mulher gosta de se sentir especial, mesmo para um one night stand, gosta de sentir que foi escolhida por outras razões que o mero acaso e grande vontade de ter sexo, e quando a pergunta é feita directamente, antes ainda de um simples beijo, soa-lhe a desespero e queca grátis, e ninguém quer ser a queca grátis. De modo que meus amigos, sugiro que se esforcem um pouco mais, envolvam, seduzam, e se dêem ao trabalho por favor, ou haverá uma grande probabilidade de obterem como resposta que o bar de alterne é na rua de cima.
Luna, 15:54

Curiosa esta reflexão. Curiosa vinda duma jovem. Viesse ela duma cota, como eu, e era uma 'coisa de cota', mesmo. Sempre que refiro esta questão a mesma é 'lida', pelos jovens, como sendo um saudosismo da minha parte, um reflectir qualquer coisa do género 'no meu tempo...'. Ora, pelos visto...não é! Contrariamente ao que alguns comentadores da Luna referem, penso que ela também não defende o paleio da treta para fazer fita, para desempenho do papel de difícil, apenas nos referimos a conversar pela conversa e não para preparar caminho para o que já está em mente desde o iníco. A diferença abissal é que, nuns casos 'conversa-se' para se dar música - mas a ideia de sexo imediato está sempre presente! - nos outros casos a conversa flui de tal modo que o click acaba por se dar no meio da conversa - surge assim, do aparente nada, como todos os clicks que se prezam - mas sem que o objectivo subjacente seja esse mesmo e pode até nem acontecer...na primeira vez, ou na segunda, ou..., ou..., sem que alguém se sinta defraudado, exactamente, porque as coisas fluem naturalmente, sem grandes planos 'cinematográficos'...Já me sinto menos cota!:=»

No entanto, também me parece real que algumas (muitas!) mulheres - convencidas que isso é o maior sinal de modernismo e/ou ser 'uma gaja desinibida' - desataram nessa guerra do sexo desenfreado, como que numa corrida para ver quem chega primeiro: os gajos, ou as gajas... Lamentavelmente, parece que isso não as deixa muito felizes, consigo próprias e/ou com eles, pelo que me é dado ouvir-lhes depois. Por outro lado, nada me choca que homens e mulheres partam para uma de sexo pelo sexo, assim sem mais conversas...se for essa a opção clara dos dois e em simultâneo, claro! Felizmente que o mundo não dorme todo para o mesmo lado e não andamos todos de amarelo!;-)

30/05/07

ab disse...
«Lorsque je viens au Portugal ce que m’étonne c’est la quasi absence de vie sociale et culturelle en dehors des rapports purement professionnels. Le tissu associatif, discontinu et très faible, est extrêmement spécialisé, heureusement que les gens se rencontrent encore au café du coin qui est le seul lieu de convivialité qui subsiste. Je me pose souvent la question ; ou se rencontrant les gens en dehors du milieu familial ? Dans cercles restreints d’ordre privé ? Ou ?
(...)
Les seuls temples ou les Portugais semblent goûter à quelque chose qui pourrait ressembler à une certaine communion sociale, sont les grands centres commerciaux ouverts, 7/7 où ils consomment à tout va.
(...)
On y sent une grande solitude. Les gens sont devenus allergiques entre eux, et se supportent mal, et surtout pas la contradiction.
(...)
Le texte qui a fait l’objet de notre discussion plus haut est révélateur de la violence et de la méchanceté entre les gens, une méchanceté d’autan plus irresponsable qu'elle est teintée infantilisme. »
[o bold é meu]



Desculpa lá, mas...quais cafés da esquina? Já não os há, meu caro! Mas também se perdeu esse hábito, de ir beber o cafézinho no pós jantarinho e trocar uns dedos de conversa com gente de carne e osso, muito à conta da net, refira-se, e por mim falo. E já nem falo nas tertúlias...tal como nem vale a pena perguntar pelo convívio famíliar. A família alargada há muito que se foi e a nuclear vai pelo mesmo caminho. Talvez daqui a uns anos mais (décadas?) se comecem a juntar 'os meus_os teus_e os nossos' e, assim, se retome o alargamento da família e se obrigue os arquitectos, ou os 'projectistas das cidades', a construir o espaço social virado para o grupo e não para o indivíduo.


Quanto à vida social e cultural...eu, aqui, separava as águas. Vida social, num certo nível económico, até há nas grandes cidades, pelo menos, mas...a que se chama vida social? Noitadas a abanar o capacete e a beber, entre gente mais ou menos desconhecida, no meio de música em altos berros - quanto mais altos, os berros, menos as pessoas precisam dizer alguma coisa e, assim, evidenciar a pobreza da conversação - ou umas saídas pseudo-culturais (e foi por causa deste pseudo que separei as águas!) para um teatro, ou um espectáculo musical - exposições, concertos de música clássica, ópera ou bailado, já é mais raro, muito mais raro - que mais parecem o passeio das vaidades, pela ostentação...da presença, das fatiotas, dos conhecimentos n(d)o jet-set e pouco, ou nada, retiram da soiré. Disto sobra muito pouco e até umas apresentações literárias, uns encontros temáticos, umas 'palestras', uns 'seminários', acabam num afagar de egos que até enjoa quem não pertence ao meio, tal a incapacidade para disfarçar desejos exteriores à cultura própriamente dita.


E quanto aos templos dos tempos modernos - os centros comerciais - li, pr'ai algures, qualquer coisa que dizia serem, mais que espaços de consumo desenfreado - até porque já estamos tanto de tanga que pouco mais resta para 'creditar' - são, cada vez mais, espaços onde as gentes se encontram umas com as outras sem a obrigatoriedade de se suportarem, ou seja: fingem que fintam a solidão no simples cruzar de caminhos sem nunca se tocarem.


Como não desenvolver essa alergia, uns aos outros, e esse 'ódio' ao outro alargado a quase toda a humanidade ressalvando, apenas, uns quantos próximos, demasiado próximos para possibilitar a expressão do 'ódio' face-to-face, mais uma 'área' que a net facilitou aos egocêntricos...?!?

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Nem de propósito!;-)

in Deus me livre!



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

29/05/07

As ideias e as pessoas

A grande pecha da discussão bloguista continua a ser o facto de se preferir recorrer aos ataques pessoais, ao invés de se discutir ideias. Nestes moldes raras são as discussões que não descambam em pretensas ofensas - conseguidas ou não, mas isso depende muito mais de quem se deixa ofender do que de quem o pretende fazer - como se o objectivo não fosse o desconstruir 'ideias feitas' para delas sair uma qualquer luz e não o simples derrube do opositor.
Como dizia um amigo meu que espero tenha encontrado a paz que este mundo nos nega: os inteligentes discutem ideias, os simples pessoas! Paz à tua alma...

«Dans le face-à-face avec l'autre
-infiniment autre - qui engage
ma responsabilité avant tout contrat,
il faut que l'élément
de la justice, de la compassion,
de la raison intervienne, pour que
ce face-à-face ne soit pas violent »

Jacques Derrida


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Eu, para lá de suburbana e etc., parola e avantesma me confesso!, mas...

...não me revejo na 'lógica dos argumentos ali aduzidos'. E, nem sequer subjectivamente, me solidarizo com acções de perseguição, no emprego ou noutro lado qualquer! É claro que, mesmo não usando chapéu, o enfiei de imediato, com todo o gosto! Quanto à estética, ao contrário do que se diz, não é para confundir os parolos, mas sim para disfarçar a desonestidade intelectual dos raciocínios primários e machistas...afinal de contas, ninguém é perfeito, né?!!?, pois...:=»


28/05/07

Desculpa lá, oh Cristina!!!

Inicialmente tinha escrito este texto na caixa de comentários, mas...a minha indignação foi crescendo e resolvi mesmo 'plantá-lo' aqui!


Oh Cris, desculpa lá!...que tenha de ser um homem a tentar fazer-te ver o quanto de machismo existe naquela crítica é, deveras, triste...no mínimo!, mas...depois não gostas que eu te diga isto...desculpa-se pela tua pouca experiência de vida no mundo dos machos, em especial o mundo profissional...em todo caso, isso só vem dar razão àquele lugar comum que diz 'que não há pior inimigo do bicho mulher...que outra mulher!', triste, mas real...

Que a senhora tenha tido um comportamento criticável (na sua actividade profissional!), ninguém o duvida, mas...ainda não vi ninguém - menos ainda o Macro! - a atirar-se ao chibo do pseudo-amigo que chibou junto da senhora...

Depois, o que eu referia como machismo é o ser preciso(?) referenciar-se todas aquelas actividades (supostamente) femininas - para os machistas, claro! - para dar ênfase à situação em si...não me parece que achincalhar a condição de mulher, mãe, esposa, dona de casa, em termos grotescos e sarcasticamente ridicularizantes, tenha qualquer tipo de validade na crítica que a atitude dela - como profissional! - deva ter de todos nós.

É, exactamente, o mesmo tipo de crítica que tem sido feita - no Macro , por ex - a Helena Roseta...e que é tão comum junto da falange machista...que tu não vejas isso, talvez seja natural...que eu me cale, já é outra coisa muito diferente!

E eu gostava de te ver, um dia, ser criticada, na tua actividade profissional, com uma qualquer frase do tipo desta:«Aposto também que coze as cuequinhas e as meias ao marido e zela pelo lar e décor da casa» e depois me dirás se achas isso justo, justificável e natural entre pessoas inteligentes, equilibradas e sensatas...aquela sensatez que tu tanto prezas e me criticas a ausência na discussão sobre os professores!


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A mania que os homens têm...

...como se, para criticar a (in)competência profissional duma mulher, fosse necessário recorrer a coisas que nada têm a ver com o desempenho a esse nível...como se a um homem, na mesma situação, lhe fossem apontar o tamanho do pirilau, ou aquilatar das suas capacidades na cama...machismos, é o que é!

Macroscopio: O escarro da democracia, como diria Garcia Pereira - o advogado capitalista (dos pobres)

27/05/07

A malta não liga, mas...'eles andam aí';-)

...atentem nesta reflexão!

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Almada da minha memória...

Já nem sei como fui dar a este blog. [a foto foi picada de lá]

Depois duma vista de olhos fiquei estarrecida com esta notícia, caraças!, como é que me perdi dos lugares da minha infância e, principalmente, da juventude?! A Praça do Repuxo e, essencialmente, o café Repuxo (com os inesquecíveis Garibaldis, desgraça das minhas eternas dietas), foram ponto de encontro de muitas escapadelas escolares. Continuando, ainda por alguns anos, a ser ponto de paragem diária fruto da localização do meu primeiro emprego. Foi, também, onde conheci a paixão da minha vida, último grande acontecimento a marcar a minha vida naquelas paragens.
Depois segue-se a vida e as mudanças (de emprego e morada) e o afastamento para o concelho do Seixal, não tão distante assim, mas inconciliável com o desvio para outras paragens - na outra margem, aquela oposta ao deserto!:=» - fez com que, ao ler esta notícia/este blog, tenha percebido que há anos não vou a Almada e menos ainda para a zona do Repuxo!
Preciso ir, urgentemente, a Almada!



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

25/05/07

Vamos lá a ver: o homem até tem razão, porra! Não há hospitais, não há escolas, não há hóteis, não há comércio...alguém duvida disto??? O homem tem razão, porra! É claro que o homem só se enganou numa coisa, no princípio e no fim, ao referir-se à ausência também das pessoas, das gentes, coisa de pouca ou nenhuma importância, ora essa!, mas...se calhar até nisso tem razão: camelos como nós somos, por lhes andarmos a encher as panças, é claro que isto - a margem sul - só podia ser mesmo um deserto, indigno duma qualquer obra de tão brilhante desgoverno! É claro que estas ausências não são exclusivas da margem sul já que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, mas...a malta da margem sul dispensa bem o raio do aeroporto!

E já agora, ó s'ô ministro!...que tal mandar a merda da Ota às urtigas e vir pr'a margem sul criar o oásis???...com hospitais, mais escolas (superiores, por exemplo, que das outras nem nos queixamos muito), hóteis, fábricas, comércio e, já agora se não é pedir muito...equipamentos desportivos, teatros, museus, espaços verdes...ó c'um caraças, pró_c'uma pessoa está guardada depois de velha, porra!


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22/05/07

E ainda...



Esta afirmação levanta-me algumas questões a que ainda nenhum professor me deu resposta. Mas repare-se, antes, no pormenor: 'no meu caso'!:=» Elucidativo e gerador duma das minhas perguntas*:

- Como é que 'alguém mal educado' acata uma chamada de atenção mostrando-se, mesmo, cooperante? Onde é que está aqui a má educação? Quanto tempo demora a educar um ser humano? (Tendo em conta a forma como, por exemplo, a maior parte dos condutores deste país se comportam, acho que a vida inteira!)

- *Como é que alguns alunos, considerados profundamente indisciplinados com alguns professores, se mostram cooperantes, delicados e respeitadores das normas da sala de aula, evidenciando até melhor aproveitamento, com outros? O mérito e o desmérito é de quem? Os alunos são os mesmos, só mudam os professores!

- Como é que algumas escolas conseguem melhores resultados, quer a nível de disciplina, quer do aproveitamento curricular, funcionando em meios de menores recursos económicos e com as mesmas, ou mais ainda, carências impostas pelos governos pouco vocacionados para promover cultura?

- Como é que alguns professores exercem a sua actividade sem darem em doidos (como parece que andam quase todos), gostando do que fazem e mostrando-se sempre empenhados em novos projectos independentemente dos apoios, ou falta deles, sentido-se gratificados quando conseguem ver miúdos que, à partida estavam considerados como perdidos, atingir níveis que, aparentemente, lhes estavam vedados?

Os professores não são todos incompetentes, desinteressados e inqualificados para a actividade que exercem? Pois não! Também era melhor! Como em todas as profissões há bons e maus profissionais, mas...não conheço mais nenhuma profissão onde os profissionais atribuem a culpa de todas as suas falhas aos 'beneficiários' da sua actividade! Como se o médico que deixa morrer o doente o culpasse por ter morrido!



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Resumindo...

Amok-A memória perdida«(...)Quem melhor que os professores - porque melhor preparados - para fazer a mudança? O que é que fizeram em trinta anos de democracia??? Merda, só merda! Com os maus exemplos que deram aos nossos filhos, nas escolas.(...)»

Ao que parece o que escrevi (no post linkado em cima) foi considerado extremamente ofensivo...para quem me 'inspirou' e, genericamente, para os professores!?! Fui grosseira, mal educada, no mínimo deselegante, mas...alguém pode manter a elegância, a calma, quando está em causa o futuro dos nossos filhos??? Contrariamente ao habitual, no discurso dos professores, não costumo (e não gosto de) generalizar, neste ou noutro assunto qualquer, mas se sistematicamente, desde há 20 anos, aturo a prepotência de professores incompetentes a atirar para cima dos pais/encarregados de educação todas as culpas do estado caótico em que se encontra a disciplina nas escolas porque diabo não posso, eu também, generalizar como eles o fazem? Ou isto: «(...)Há coisas que se aprendem com os pais ou com quem tutela as crianças. Que oficialmente os pais não queiram passar mais tempo com os seus filhos não me surpreende. Há anos que é notória esta falta de interesse dos pais pelos seus filhos. Educar dá muito trabalho, exige disciplina, perseverança, altruísmo e generosidade nos sentimentos, pressupõe diálogo, compreensão e respeito. Que os pais não queiram passar mais tempo com os seus filhos não me surpreende, entristece-me e faz-me questionar porque querem filhos afinal.» é o quê???? Não é generalizar? Está ali escrito, de alguma forma sub-reptícia, o termo 'alguns pais'???? Porque podem os professores ofender todos os pais, achincalhar as suas debilidades sócio-culturais e económicas em questões que mexem mais com as emoções, os afectos, os sentimentos do que propriamente com a razão?!? Parecem esquecer, os que já foram os detentores do saber geral - hoje até isso se perdeu na sua quase totalidade - que ninguém tira cursos para ser pai e mãe e que, muitas vezes, são os afectos que toldam a razão no que diz respeito à educação. Quantos de nós, receptores duma educação esmeradíssima, nos sentimos defraudados pelos afectos perdidos na nossa infância? Quantos de nós sente que, tendo ganho em conhecimento, perdeu em recursos emocionais que, ausentes, nos dificultam as relações interpessoais? Conciliar disciplina com afectos e com a bandalheira que se vive nas escolas é dose de leão para qualquer pai ou mãe que se quer equilibrado. Posso falar por mim que perdi muito da expressão afectiva com os meus filhos por ter assumido a gestão da disciplina, deixando ao pai a gestão da expressão dos afectos. Não me arrependo porque essa era mais a minha forma de estar e aquela a do pai, mas que tenho pena, tenho!, de ter perdido uma grande parte dos mimos, dos beijos, dos abraços...quando precisava 'impôr' o meu desagrado por esta ou aquela atitude menos correcta, por este ou aquele comportamento menos adequado. Determinar castigos, impôr normas e fazê-las cumprir, gerir situações menos agradáveis, não é lá muito compatível com a tal expressão dos afectos e quantas vezes chegava a casa desejosa de os mimar e tinha de enfrentar o papel disciplinador?!

É claro que os professores sabem disto muito bem, pois muitos deles também têm filhos, mas...a maior parte dos pais deste país não tem os recursos deles...não tem, por exemplo, a possibilidade de gastar horas a colocar textos na net para dizer bacoradas!

Quanto a 'quem ofende quem' estamos conversados! Já quanto à estupidez que referi (outra ofensa...mas, já lá diz o ditado: "quem não não quer ser lobo não lhe veste a pele"...ou: "só enfia a carapuça quem ela serve!") deixo só um pedacinho do comentário que aqui foi deixado:


Margarida Parker disse...
«(...)
Quanto aos pais que aí fala que não têm condições para educar os filhos, para esses há bom remédio, há métodos contraceptivos, usem-nos.»

Palavras para quê, depois de ler estas...vindas de alguém oriunda duma 'família de professores'(sic)!?

20/05/07

Então, seguindo o link inspirador da brilhante conclusão a que chegou a brilhante prof do GR e, seguindo o também brilhante tipo de raciocínio, diria que...os portugueses estão a trocar filhos por frigoríficos e combinados e televisores e maquinas de lavar e por aí fora...

Entre raciocínios daquele tipo e análise de estatísticas deste tipo, venha o diabo e escolha...onde está a maior estupidez!

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Quem sabe faz, quem não sabe...ensina!



Geração Rasca - estórias do quotidiano político, social e cultural «os pais não queiram passar mais tempo com os seus filhos não me surpreende»

Sinceramente não ando com muita pachorra para posts, aliás não ando com muita pachorra para o que quer que seja, mas...sempre que dou de caras com balelas destas...passo-me dos carrêtos! O que me admira é ainda reagir a tretas destas.

Por acaso esta gente que tem a mania de atirar para cima dos pais a responsabilidade maior pelo caos em que se encontra a educação em Portugal saberá o que é educar filhos com o ordenado mínimo (e menos ainda) e com cargas horárias de 40h semanais para cima!?

Por acaso esta gente achará que os pais deste país são apenas o grupinho de amigos e conhecidos, em geral gente situada nas urbes e que vive à volta dos seus umbiguinhos, achando que eles, sim, são a nata da sociedade quando são estes grupos - uma minoria no país - que, para ostentarem uma aura de sucesso, abocanham tudo o que é emprego - emprego!, não trabalho - para poderem manter os carros; as primeiras e segundas casas; as férias nos paraísos tropicais (ou as pseudo culturais); as griffes; etc.; etc....e tudo isto à custa de muitos visas e contas ordenados!??

Por acaso esta gente percebe o que é a angústia duma mãe que tem de deixar o(s) filho(s) entregue(s), por vezes a estranhos, para poder trabalhar porque um ordenado só não chega?!? Com que direito é que esta gente ousa criticar os pais e mães deste país que trabalham sem nunca verem o seu esforço compensado - muito menos ajudados por professores incompetentes, desinteressados, inqualificados - pais e mães que não têm outra solução que não seja aceitar horários absurdos, prepotências, desrespeito pela legislação, intransigência no que toca a faltas para acompanhamento escolar dos filhos, etc., etc.!?

Por acaso esta gente já fez alguma coisa para protestar contra os propósitos das entidades patronais das grandes superfícies comerciais que se preparam para reduzir de duas folgas semanais para uma, fazendo com que se acabe com o fecho aos domingos à tarde, aumentando a carga horária semanal!?

Por acaso esta gente pensa que os pais e mães deste país que trabalham nos dias em que os filhos estão em casa; que têm horários que os obrigam a deixar os filhos entregues na maior parte do dia; que quase nunca conseguem ter férias coincidentes com as escolares; que trabalham quando os professores fazem greve (para ter mais uns dias de folga extra) e ficam sem ter onde deixar os filhos; que não podem deslocar-se à escola sob pena de começarem a sofrer represálias e/ou ameaças de despedimento...por acaso esta gente acha que o fazem por gosto? Ou por desleixo/desinteresse para com os filhos?

Tenham dó! Olhem-se ao espelho porque já vi muito menino de muito boa gente - filhos de professores incluídos! - que de boa educação têm...nada! Tempos houve em que também os professores participavam na educação; muita dessa educação aprendi eu com alguns bons professores que tive...quando ainda os havia! Não esta chusma de mercenários que hoje se vê a deambular pelas escolas - as secundárias, então, são um nojo! - sem o mínimo interesse pelos seres humanos em formação que têm em mãos, mais preocupados que estão com as progressões de carreira, com os tachos que cravam no ministério, com os créditos, com os melhores horários que possam cravar aos novatos, com as tarefas enfadonhas que empurram para esses novatos, basta ver-se quem são os directores de turma!

Somos, como sempre fomos, um país com pouca formação escolar, cultural, cívica, mas...de quem é a responsabilidade dessa mudança senão das elites que sempre detiveram o acesso ao poder...económico e por consequência ao cultural?!? Ninguém nasce ensinado e se os pais não têm educação como a podem passar aos filhos? Ou estes sabichões da treta acham que educação se compra no supermercado??? Quem melhor que os professores - porque melhor preparados - para fazer a mudança? O que é que fizeram em trinta anos de democracia??? Merda, só merda! Com os maus exemplos que deram aos nossos filhos, nas escolas. Mostraram-lhes que se um professor pode ser desleixado, desinteressado, incompetente, então é porque isso não é coisa grave! Mostraram-lhes que se um professor não sabe gerir a disciplina na sala de aula, então não merece ser ouvido! Mostraram-lhes que se um professor está mais interessado no seus próprios interesses do que nos interesses daqueles que são a razão da sua existência, então não merece ser respeitado!

Os professores existem porque existem alunos, não são os alunos que existem para dar sentido à existência de professores! As escolas existem porque os jovens precisam ser formados e não para dar emprego (fácil) para quem não sabe fazer mais nada!

E não me venham com merdas porque eu não fazendo parte do grupo maioritário - fiz parte de associações de pais e duma federação e também optei de livre vontade por ficar em casa durante doze anos para acompanhar um dos meus filhos e por trabalho a meio tempo pelo outro - tenho consciência que este país não é feito de mães com capacidade de opção e, em geral, é exactamente junto destas que se encontram os maiores abandonos. Destas e destes que os pais não estão inocentes nestas questões. E também não me venham com o choradinho dos professores esforçados porque hoje em dia esses são poucos, pouquíssimos.

E, enquanto andarmos uns contra os outros, quem se lixa são os alunos...e o país...e nós todos, afinal!

17/05/07

...ao menino angustiado!;-)

Amok-A memória perdida

Dedicado, pela Cris...ao menino angustiado!;-)

«Por isso eu tornei-me um optimista céptico / não sou bem igual ao céptico opti-místico / só quero encontrar paz / sem arrastar atrás nem mestre nem Deus»

16/05/07

Macroscopio: Pensamento do dia: a morte por Vergílio Ferreira: (...)Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não.(...)Vergílio Ferreira, Escrever"


Confesso que me choca esta forma de pensar, sentir...numa personalidade com o peso dum Vergílio Ferreira, mas...apesar da envergadura intelectual, ele era humano, não?! E depois tenho sempre alguns escrúpulos em interpretar pequenas citações deslocadas do contexto. Ao reler o total desta citação, acho que reduzi-la naquele pedacinho do Macro, retirando-lhe a contextualização do Universo, faz parecer que sim...que é uma visão demasiado amarga da nossa componente humana. Acho que o pensamento de Vergílio Ferreira ia muito mais além do que a simples constatação do que é o apagar da chama da vida...individual. Apesar disto permito-me recortar um pedacinho (não citado pelo Macro...), contestando-o por si só, abstraindo-me do tal contexto da ideia da morte face ao Universo.

«Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu.»

Misturar 'um amigo ou conhecido' como se um e outro nos pesasse igual na morte é, realmente, absurdo. Há mortes que nos pesam de tal modo que a vida nunca mais terá o mesmo sentido de antes. É lugar comum dizer-se que o tempo tudo cura e com ele a memória se esbate, a saudade esmorece e a vida continua. Não sei se a vida continua, ou se antes nos limitamos a deixar que a vida escorra, simplesmente. Acho que acaba por ser mais um sobreviver que um viver e o caricato de tudo isto é que, em vida, quase toda a gente acaba por pensar (num misto de medo e lamento) como Vergílio Ferreira. Que pena que nunca os nossos mortos tenham percebido em vida o que iríamos sentir após a sua morte...

As irracionalidades dos sociólogos...

Em tempos, já nem me lembro porque carga d'água!?, fiz uma assinatura da Sábado. Grosso disparate!Passei a receber todas as semanas uma revista que nada tem a ver com a minha forma de pensar e estar na vida. Mas como a recebo...leio. Levo os oito dias que demora entre uma e outra para ler cada exemplar e, por vezes, chega outra e ainda nem acabei a anterior, mas acabo sempre a ler aquele arrazoado que o sociólogo de serviço - Alberto Gonçalves, de sua (des)graça :=> - escreve lá prás bandas da última página. O disparate é tanto que às tantas acho que o gajo está a querer fazer concorrência aos Gato(s) Fedorento(s). Pois desta vez lá me tirei de cuidados e anotei umas quantas, veja-se a qualidade das pérolas:

«Um passeio pelos blogues expõe a determinação com que em Portugual se (...discute).
(...)O sonho de cada português é pertencer a uma claque.(...)
Por cá falar de causas 'fracturantes' é a maior das redundâncias. Quase todas as causas são susceptíveis de nos fracturar e de nos encher de convicções e fúrias. Onde há dois portugueses, há mil debates em potência. Às vezes, um português basta.(...)


Para o gozo atingir a plenitude, a discussão deve estar afastada do nosso quotidiano tanto quanto possível. Mais: a matéria em discussão deve envolver uma irracionalidade que torne inviável a vitória de uma das partes.(1)

Estes factores explicam o fervor em volta do futebol(...). E explicam, por exemplo, o recente sucesso do referendo ao aborto. Dado que o "flagêlo" do aborto clandestino afecta uma dúzia de pessoas por ano, no máximo, e que as fronteiras da vida humana ainda remetem para a ordem da fezada e não da ciência, reuniram-se as condições ideais para esfrangalhar o País ao meio(...).(2)

Eu sei porque sou português, e já fui português assim, opinativo.(...) Aos poucos, aprendi a controlar aquele impulso irresistível para tomar partido acerca dos mais estravagantes assuntos e a guardar a opinião para quem me paga a opinião(...)(3)»

(O bold é meu!)

Ora, quem/escreve/opina assim não é gago, não senhor! Nem é nada(!) parvo. Quando for grande também quero que me paguem para eu opinar!:=> Mas, vejamos:

-(1)...aquela de numa discussão inteligente, onde supostamente não se discute irracionalmente, ser suposto ter de haver um vencedor!? E eu convencida que, numa discussão inteligente, se trocavam pontos de vista e ideias, levando a um entendimento que mesmo não sendo acordo se fique, pelo menos, no entendimento do outro lado, em vez de se procurar o derrube do 'outro'. Enfim, irracionalidades minhas!

-(2)...depois vem aquela estatística sobre o aborto clandestino. Onde diabo este sociólogo exercerá a sua função? Aposto que numa qualquer bela empresa que lhe pague bem, porque a exercer sociologia...duvido!

-(3)...e no fim ele lá se desbronca: ele não é parvo nenhum!, aprendeu a fazer o mesmo que todos os outros - afinal ele também é português, né!?:=> - opina!, mas opina a troco de soldo! Juro que quando for grande vou tirar este curso!:=>

[ah, e a pluralidade do título, referente aos sociólogos, deve-se ao facto de últimamente ser comum ler patacoadas deste tipo vindas de 'exemplares' que se identificam como sociólogos...não como jornalista, não como colunistas, mas como sociólogos!]

***...***...***
(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

15/05/07


Optimista céptico


Eu já estou farto das fotografias
que me querem vender todos os dias
os legionários mais os seus troféus
no chão a sangrar

Não posso mais olhar para aquela imagem
parece que é sempre a mesma paisagem
a hipocrisia deste novo império
faz-me vomitar

Por isso eu tornei-me um optimista céptico
não sou bem igual ao céptico opti-místico
só quero encontrar paz
sem arrastar atrás nem mestre nem Deus

Já temos a informação cruzada
empacotada e globalizada
agora só nos falta a convicção
para acreditar

Há assassinos que não se arrependem
há tantos pensadores que nunca aprendem
e há quem insista sempre em aprender
mas não quer pensar

Por isso eu tornei-me um optimista céptico...

Gostava de ser ecologista exótico
sem perder de vista o meu perfil erótico

Ainda vou ser ilusionista crónico
um mestre da fuga, um mago supersónico


Jorge Palma


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW