31/10/07

(...)
A tua voz sossega-me... Sossega em mim o desejo de partir e de te
procurar...Sossega em mim a loucura de me afundar no nosso rio e de te
procurar no profundo azul sabendo que a viagem seria sem retorno...
"Nos teus braços morreria" e na tua boca reviveria o sonho impossível
de tudo desconstruir tendo-te...Na tua voz recordo teus olhos marejados pela injustiça da incompreensão do que nos rodeia...Na tua voz revivo os sons de um amor eterno e puro que ninguém mais viverá porque nosso...
Porém, no silêncio da tua voz sinto o brilho dos meus olhos e no brilho dos meus olhos sinto-me o espelho do teu amor...

E rio-me...Rio-me das definições...das sentenças...das certezas...Rio-me da perenidade dos sentimentos alheios...do pequenino que é o amar dos
outros...do "teatro" das vidas que perante nós desfilam...Rio-me do espanto
desajustado de quem não sente o simples...de quem não sente o difícil da distância...de quem não sente o quente que o afastamento não esfria.
(...)



Há silêncios tão inquebráveis que mais parecem ter a dureza dos diamantes, mas não a sua preciosidade...


***...***...***
(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

30/10/07

'O nosso canto...'

Lavo os ouvidos e a alma com o Concerto para Violino e Orquestra (Fá menor /Op.64) de Mendelsson para conseguir a coragem de atacar e te dedicar os meandros do Concerto para Piano e Orquestra nrº 1 (Si Bemol Menor /Op.23) de Tchaikovsky.

Realmente, a tua surpresa foi magnifica. O teclado novo mas condescendente ao toque, os pedais que suavizam a minha impetuosidade permitindo-me abafar dos outros o que só a nós diz respeito, os martelos de madeira nobre por sobre os feltros verdes a fazer repercutir o cordame com a afinação doce e precisa...Tudo conjugado para que o bichano faça o arco de consolação e se delicie olhando pela janela a nesga do nosso rio sem que a magia do momento fique arranhada pela perenidade das desconstruções apressadas.

As tuas mãos nos meus ombros, a espiaram a evolução dos meus dedos no teclado, proporcionam-me o cromático que me falta para poder dar-te a real escala do que me invade na eterna luta entre os crescendos e os diminuendos.

Olhando-te através do reflexo que os vidros da janela me enviam, os teus olhos devolvem-me a certeza de que o momento é nosso e de que ficarão eternamente a pairar naquela sala muito para além da nossa momentânea passagem.

Páro a meio do Tchaikovsky, precisamente quando o meu diálogo com a orquestra parece em sintonia divina e uníssona: os violinos lutam com os contrabaixos pela primazia da tua presença e as trompas e as flautas inrompem em alertas de desassossego triunfal até que imponho, numa escala freneticamente decrescente e quase dissonante, a vontade crescente de eternização do nosso tema...

Sinto o tremer da tua incompreensão...Sem saber porquê, ou sabendo-o no interior do meu desejo, as minhas veias ganham a vida necessária para voltar a Mendelsson, vindo-me à memória das nossas mãos o Rondo Capriccioso em Mi Maior (Op.14).

O seu final, já por nós partilhado de memória e com os livros desarrumados pelo chão, é a confirmação de que a escolha daquele local e daquele piano foi ditada pelo conhecimento mútuo de que os pedacinhos que tentamos resguardar um do outro são o que nos une na nudez da alma.

@rco
99.12.20

Lembrei-me, ainda mais, destas palavras quando alguém me questionava da minha relutância perante as 'aventuras duma noite'...como explicar, como fazer entender, a necessidade da intimidade, da cumplicidade que só o tempo permite?!


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

09/10/07

Colocamos outro CD?

O omnipresente latejar da pressão nas têmporas torna-me consciente do inconsciente e inconstante pulsar do coração.
À minha volta, as cores convergem vertiginosamente sintetizando-se no branco e o fio da vida reduz-se até ampliar desmesuradamente o eu em que se debate o frenesim da busca de um entendimento.

Quando assim acontece, invariavelmente coloco no leitor o CD e deixo-me sugar para o interior das Sinfonias de Mahler, o meu compositor de eleição e ao qual deixo ler na perfeição os desesperos e as aspirações.
Dentro delas, e no desenrolar das esotéricas evoluções dos seus temas, sinto-me como um Átomo, constantemente arremessado, invariavelmente ricocheteando, incessantemente reacendido até ao infinito pelos vários naipes da orquestra, e resolvo-me diluir os sentimentos ficando hesitantemente a pairar por entre o absoluto do silêncio e a mágica violência intrigante de uma nota aparentemente dissonante.

É aí, nessa magia feita de isolamento, que faço a leitura do que o Universo tende a esconder à urgência do viver. É aí que sorrio pelo re-encontrar da perdida e esquecida fórmula simples que me resolve e nos devolve o mistério do sentido da vida. É aí que num êxtase de Apocalipes me sinto solidário com o devir ao ser humano e com a sua teimosa constância na transição eternamente mitigada do corpóreo ao espiritual. É aí­, enfim, que me dispo da multiplicidade da consciência intrínseca aos seres vivos e aposto as nossas vidas na cumplicidade unilateral e universal entre os seres humanos.

O que de mim retorna a mim é um eu momentaneamente expurgado da contradição e tão abrangente que se assusta com o desapego à vida sentido pelo que de tão pequenino em si mesmo re-encontra nesse processo de retorno.

De repente... A enormidade da vida! Uma mão meiga que me afaga...Uns olhos penetrantes que me interrogam...Um sorriso tí­mido que em mim procura aprovação...Um abraço quente e terno que me devolve o sentido terreno...Um outro eu que se me oferece puro sem condições e com as suas contradições...Um mútuo "obrigado!" que nos confessa a ambos o desejo de eternidade...

Não, meu amor...Não era sonho nem desespero. Era só!, a minha maneira de te dizer que sou humano e que estas "viagens" retemperam em mim o gosto e o sentido de te amar.

Colocamos outro CD?


in "Folhas Soltas", J - 11.Dez.00

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30/09/07

JORGE PALMA-Bairro...

(...)

Eh, pá, deixa-me [ab]rir contigo

Desabafar contigo

Falar-te da minha solidão

Ah, é bom sorrir um pouco

Descontrair-me um pouco

Eu sei que tu compreendes bem
(...)

[...para quem continua a cá vir deixando, mesmo, algumas palavrinhas às quais não tenho dado resposta, mas...tenho lido!]
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29/09/07

Quando até um Santana Lopes sente necessidade de ter uma atitude digna, daquelas... pouco mais haverá para descer!



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26/09/07

Sinceramente...

...alguém ainda vai ter de me explicar, um dia, pra que diabo servem as férias!?, se uma pessoa, no regresso, tem de trabalhar mais do dobro em metade do tempo...porra de vidinha esta!

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Encosta-te a mim,

nós já vivemos cem mil anos

encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim
, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim

Jorge Palma

[O JP sempre teve o 'condão' de te secundar as palavras (ou de te 'cantar' o sentir); agora que não existes mais 'estas palavras' sabem-me a pouco...e reforçam, em mim, a raiva impotente do 'nunca mais'!]

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Jorge Palma - Encosta-te a Mim

18/09/07

Isto é q'está pr'áqui um Setembro!...


...que nem me apetece, como sucede todos os anos, cascar nos profs!...ou iniciar uma lista de bons propósitos a que sempre me proponho nos pós férias/praia...






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16/09/07

Desculpem lá, mas...

...este ano está difícil voltar de vez...não das férias propriamente ditas, mas...da praia! Não fosse esta mania dos filhos se deixarem ficar na casa dos pais até quase caírem de maduros...os filhos, entenda-se!, e eu bem que me mudava de vez pra fora da cidade!...Meus deuses!, se me dissessem há vinte anos que um dia sentiria isto diria que estavam loucos!!!




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12/09/07

O Blog NÃO acabou...as férias sim!!!








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15/07/07

Enquanto andam por aí uns papagaios...

...a papaguear sobre flexi_qualquer coisa...atente-se o quanto ainda temos sectores profissionais - altamente lucrativos para os patrões! - a viver na 'idade média' das relações de trabalho, em clara contravenção da nossa própria Constituição:
«TÍTULO III
Direitos e deveres económicos, sociais e culturais
CAPÍTULO I
Direitos e deveres económicos

Artigo 59.º

(Direitos dos trabalhadores)

1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:

a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
(...)




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10/07/07

A culpa nunca é dos professores...

Eu já nem digo nada!...limito-me a linkar...isto e isto...:=»

...afinal sempre digo qualquer coisinha...podia lá eu ficar calada!?!grrr...mas, segundo me constou, os autores dos variadíssimos - variadíssimos desde sempre, sejam quais forem os ministros e/ou os partidos a deter o poder! - exames com erros, erros esses que só são detectados após conclusão dos mesmos, até nem são professores! Eu não sei!, só estou a vender o peixe como o comprei...ao que parece até são uns marmanjos - daqueles que fazem parte do grupo dos "boy's" - que nem sequer na Universidade andaram - nem numa Independente, ou Moderna, quanto mais! - e que os ministros, à vez, resolvem recrutar assim a modos que nas fábricas, daquelas onde a produtividade é abaixo de cão e onde os coitados dos patrões se fartam de trabalhar para pagar os salários aos malandros e calaceiros dos trabalhadores! Ora, de exames elaborados por gente desta que mais se poderia esperar?



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09/07/07

Confesso que não costumo 'propagandear' o blog no ambiente de trabalho...toda a gente me conhece a 'panca' da net e sabe que tenho um blog - 'um quêêêê?? q'é q'é isso???'...pois! - mas é tudo gente doutras 'lides', gente que ainda acha que a net é só para maluquinhos...ou então alguns/algumas recém chegados e que descobriram uma forma pratica e, supostamente, eficaz para engates via msn's e/ou hi5's e quejandos...duns ou doutro(a)s tudo gente louca para quem ainda vê o mundo reduzido ao ram-ram do casa_trabalho_trabalho_casa_e_férias_a_termo_certo (e euros ainda mais certos!) para poder voltar ao ram-ram convictos que isso é que é vida!

Ora, vem isto a propósito de não ter resistido a levar-lhes um pouco do blog por via da suposta discussão supostamente travada entre mim e o Andreu V, nestes últimos posts. Começando por fazer uma mini sondagem acerca da suas supostas preferências sobre o trabalho ao domingo e suposta consequente melhoria financeira, fazendo referência que um suposto entendido na matéria tinha afirmado - na net, claro! - que essa preferência era a realidade dos trabalhadores portugueses, nomeadamente os dos hipermercados!:=»...tive que acabar por levantar um pouco do véu sobre o blog sob pena de...levar porrada!, por acharem que era eu que estava a defender tão peregrina ideia...já que, no entender daquela malta, até sou uma previlegiada ...porque folgo ao domingo! Se os 'ideólogos neteanos' se dessem ao trabalho de ouvir os comentários dos 'objectos inspiradores' das suas doutas ideias/opiniões/bitaites acerca do viver alheio e quem diz leis laborais, diz sobre o aborto, sobre o ensino, sobre as mais variadas vertentes da vida quotidiana da qual, ao que parece a quem os lê, estes 'opinadores' nada conhecem para lá do que se permitem ver através das suas janelinhas de gabinetes e/ou condomínios privados, resultando daí que o mundo (para eles) fica da medida das suas vidinhas confortáveis e protegidas.

É claro que, depois de muito 'cascarem' no infeliz detentor de tal ideia sobre os desejos dos trabalhadores portugueses, nomeadamente os dos hipermercados!:=»...lá nos desmanchámos a rir à pala de tamanha ignorância - este povo só sabe rir-se da infelicidade alheia, porra! - disfarçada de sabedoria a que costumamos chamar 'o saber dos doutores da mula russa'...isto porque nos defrontamos todos os dias, e várias vezes ao dia, com ideias e/ou directrizes que deveremos cumprir, mas que depois passadas à pratica nos fazem perder um tempo precioso que nos lixa a...produtividade!, a tal que os trabalhadores não sabem fazer render...pudera!, orientados por 'doutores da mula russa' que nada sabem do resultado prático daquilo que imaginam (muitas vezes mal!) no conforto dos gabinetes e mais ainda no conforto dos chorudos vencimentos que ganham à pala duns canudos porca e mal paridamente saidos de universidades que nem se sabe muito bem o que andam, afinal, a ensinar! E não me venham, agora, os deturpadores da palavra alheia com a treta de que isto pretende denegrir os doutores em favor dos não-doutores! Apenas entendo que não é um canudo que dá garantia do trabalho bem feito se o mesmo se desvincula da experiência de quem está há muito mais tempo no terreno. Num plano ideal - onde as pessoas seriam genericamente inteligentes - uns complementariam os outros e vice-versa formando, assim, equipas produtivas e rentáveis, mas...no meio laboral português, onde a estupidez (com canudo, ou sem) impera, raramente se consegue fugir a medidas e contra-medidas que 'comem' uma boa parte do tempo de trabalho, levando-se por vezes mais tempo a desfazer do que a fazer...

Bem...esta foi mesmo para dar a estocada mais ou menos final antes de iniciar a minha época balnear...daqui até lá prós Setembros - e nada de bocas foleiras!, a minha época balnear não quer dizer, necessariamente, férias!...que as tenho como toda a gentinha que trabalha: metade de Inverno e metade de Verão! - só que Verão é praia e assim sendo pra lá me mudo nesta altura...este ano já com uns bons (maus!) dois mesitos de atraso...pelo que só muito esporadicamente me darei ao trabalho de aqui vir 'plantar faladura'...por acaso para onde vou até já tenho net, mas...bahhhhh, não me parece que me apeteça intervalar a companhia do mar com um computador...para aqui vir ler alarvidades!...guardo-as para o Inverno, com o frio fico menos intolerante...:=»


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02/07/07

Haja pachorra para tanta alarvidade III

«(...)Se cometer alguma ilegalidade, todos concordamos que deve ser responsabilizado.(...)»

Se???, pois...só a ignorância permite usar um 'se' quando nos fartamos de assistir ao abrir e fechar (para voltar a abri noutro local) de empresas sem que sejam, alguma vez, penalizadas quer pelas falências fraudulentas, quer pelas dívidas deixadas para trás, das quais os trabalhadores são sempre os mais penalizados pois ficam com salários em atraso e, tantas vezes, com as vidas feitas num caos pela dificuldade em arranjar novo trabalho, ou por serem atingidos vários membros da mesma família ...Se???, pois...só a ignorância permite usar um 'se' quando nos fartamos de assistir ao abrir e fechar (para voltar a abri noutro local) de empresas sem que sejam, alguma vez, penalizadas quer pelas falências fraudulentas, quer pelas dívidas deixadas para trás, das quais os trabalhadores são sempre os mais penalizados pois ficam com salários em atraso e, tantas vezes, com as vidas feitas num caos pela dificuldade em arranjar novo trabalho, ou por serem atingidos vários membros da mesma família ...

«Quanto aos trabalhadores, se não quiserem continuar numa empresa "matreira" destas, podem muito bem pegar em si e investir o seu trabalho noutro local, noutro projecto, noutra empresa(...)Fácil é ficar na mesma empresa, investindo tempo e trabalho num projecto falido à partida. (...)Será que a solução é termos empresas artificiais, presas por arames, em que os direitos dos trabalhadores estão protegidos não por negociações livres, mas por legislação externa?(...)Mais: os trabalhadores, com o seu trabalho, não se poderiam juntar para criar outra empresa mais justa?(...)»

Agrupei tudo num link só para não parecerem muitas...as alarvidades! De resto, apenas me ocorre sugerir que se visite o Vale do Ave e regiões limítrofes, bem como a região de Setúbal; ou que se faça uma pesquisa pelo estado da nossa indústria...se é que se pode considerar indústria o que temos...ou então que se visite a região onde se acabou de encerrar uma fábrica, encerramento esse depois dos patrões terem dado à sola sem dizer água vai deixando tudo e todos a ver navios...ah!, mas antes - pela calada da noite - lá conseguiram retirar (roubar!) a maquinaria e a última produção, tantas vezes levada a cabo com trabalho extra que, claro, também nunca será pago!

«(...)ou será que o retorno do investimento (o tal lucro retirado a quem produz) é sempre injusto?(...)»

...é claro que é sempre injusto!, mas...dentro da lógica do 'se não podes vencê-los, junta-te a eles' - ou também porque entendo que nem toda a gente tem queda para viver do trabalho dos outros - acho que não teremos muito mais escolhas...por enquanto!, enquanto a humanidade continuar nesta toada de individualismo, egoísmo e salve-se quem puder!

«(...)a maioria das empresas portuguesas são pequenas e médias empresas, onde os "patrões" (o capital) trabalha tanto e a maioria das vezes mais do que os funcionários. (...)»

...outra falácia!, a fazer-me lembrar aquela do director lá da empresa que, tentando justificar a impossibilidade de aumentos e argumentando, perante uma a insatisfação geral, atira com esta: "vocês são uns ingratos!, os patrões fartam-se de trabalhar, muitas vezes até às tantas da madrugada, para garantir as verbas para os ordenados...por isso é natural que, depois, possam ter a compensação desse esforço comprando o 'bólide x' "...[é claro que nunca percebi porque raio tinham eles de 'trabalhar assim tanto' com tantos directores a ganharem balúrdios!?]...então porque raio é que o gajo que trabalha na sua 'empresa' - onde faz de patrão e empregado! - e se mata a trabalhar, não consegue o tal bólide!?, a casa na Quinta da Marinha!?, a quinta no condomínio fechado!?, as férias nos paraísos tropicais todos os anos!?, etc.,etc.,etc.,!?!? Pura e simplesmente porque se não tiver quem produza para lhe dar os lucros nada feito! Ah e também porque, neste país, só as empresas com uma razoável organização, conseguem fugir ao fisco...ser patrão/empregado, ou só empregado, não dá direito a arrecadar o grosso do fruto do trabalho produzido...é também por isso que continuamos a viver num país atrasado: enquanto as grandes acumulações de riqueza conseguirem continuar a fugir aos impostos como se foge, e apenas ao pequeno contribuinte é exigido o couro e o cabelo sem lhe dar contrapartida nenhuma [a saúde, a educação, a habitação é o que se sabe:quem pode pagar tem, nem não pode...arreia!] não me venham com tretas de patrões que trabalham mais que os trabalhadores, isso é duma alarvidade pura!...

Mas...o mais engraçado de todo o post é o final!:=»

«O que é irónico é que, na realidade, até penso que o grande problema em Portugal é a má gestão e não o mau trabalho (ou antes, o problema é o mau trabalho dos gestores). Precisávamos realmente de melhores empresários e para isso precisamos de mais empresários: ou seja, precisamos de projectos, de capital, de trabalho empenhado, de concorrência, de melhores processos, de melhor legislação, de melhor aproveitamento do tempo e também de mais liberdade de escolha por parte dos trabalhadores e dos empregadores, mais fluidez, mais flexibilidade, mais riqueza (para todos). Há sítios e empresas onde o aumento da produtividade tem efeitos benéficos para todos: são as chamadas empresas que funcionam.»

...eu também acho uma profunda ironia!, que o Andreu V. tenha escrito isto...Afinal, é o que tenho andado a 'berrar' - na exaltação tão habitual do português :=» - desde a primeira vez que lhe respondi, mas...enfim!

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Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

01/07/07

Beleza é fundamental...



Uma foto que mais parece saída das pinceladas dum pintor...





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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

30/06/07

Haja pachorra para tanta alarvidade... II

Eu devo, mesmo, estar a ficar velha!, é que às vezes apetece-me ser bruta nas respostas e depois...arrependo-me!, coisa que aqui há uns aninhos não me sucederia, de todo! Acabo de ler isto:

«[Uma pequena pergunta economicista (ui!): se uma pessoa não produz o suficiente para se poder sustentar dignamente, porque haverá de ter de ser o Estado ou a empresa onde trabalha a fazê-lo?]»

...e abro logo a caixa de comentários pra começar a disparar, mas...bruta por bruta sê-lo-ei na 'minha casa'!, ao menos de mal educada não podem acusar-me! Mas que diabo, será que o Andreu já leu qualquer coisinha acerca de economia...ciência!, e não aquelas tretas que os capitalistas lhe meteram na tola?!?! Até eu que sou burra sei que se uma empresa pagasse de salários mais do que aquilo que os trabalhadores produzissem o melhor mesmo era fechar a porta...antes que lhe caissem os credores em cima! E também sei que as empresas que vão à falência - declarada, ou não - o são por má gestão e/ou descapitalização por parte dos patrões que desatam a comprar a mansão pra familia+pr'amante+pró gato e pró piriquito; uns carritos de alta cilindrada+ uns yates(zinhos)+ mais umas parcelas em dois ou três condomínios privados - sim que isto de ter filhos e poder dar-se-lhes do bom e do melhor é só prós ricos! - mais uns investimentos(zinhos) numa qualquer sociedade offshore, não vá o diabo tecê-las e vir o fisco e perceber que os prejuizos declarados são uma aldrabice de contabilistas e advogados pagos a peso de outro...em vez de reinvestirem para solidificar os lucros...

Querem ver que um trabalhador do El Corte Inglês em Espanha e que ganha, no mínimo, o dobro do que aquele que trabalha em Portugal, é mais produtivo?! Só contarem pra você, meu caro!

E agora deixo eu uma perguntinha economicista, burra, mas economicista: o caro saberá, por acaso, qual a composição do...lucro? Ora meta lá o seu capitalista(zinho)+um barril de notas+umas maquinas do mais sofisticado que seja+mais a matéria prima...e depois me diga qual o lucro que daí retira...:=»É claro que o sonho do capitalista é a invenção de máquinas que façam tudo, mas...até lá ele só consegue retirar lucro depois de pagar toda a parafrenália da produção reduzindo ao máximo a componente salarial...o lucro é tudo aquilo que não é pago a quem produz!

E se tem dúvidas nas próximas férias, em vez de andar a passear por paraisos exóticos, dê um pulo às fábricas chinesas, só para dar um exemplo que eu não quero que lhe dê uma coisinha má...por ver a quantidade de alarvidades que anda a escrever...

Pronto!...e eu que até ia para escrever, lá na sua caixa de comentários: 'coitado!, é jovem...não pensa!?', mas lá me contive!, estou a melhorar as maneiras, olá s'estou...:=»



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Comentário com direito a post...

Haja pachorra para tanta alarvidade...

...porque acredito na boa fé do Andreu V...

Então é assim:

Continuo a afirmar, neste caso reafirmar, já que o erro foi repetido na resposta, a ignorância acerca da realidade dos trabalhadores, nomeadamente os dos hipermercados que foram aqueles que nomeou como sendo os que 'gostariam de poder receber a dobrar, ao domingo (por exemplo)'.

Os trabalhadores dos hipermercados, ou seja os das grandes superfícies que, neste momento, trabalham até às 13h ou 14h, já recebem esse tempo (de domingo) a dobrar. Daí o erro que lhe assinalei, também porque sei que a grande maioria lamenta nunca poder estar um fim de semana inteiro com a família e os dias das folgas servem, apenas, para tratar de assuntos e/ou providenciar a orientação das lides domésticas (no caso das mulheres, claro!), já que o resto da família está no emprego e/ou na escola. Daí o segundo erro: 'Quanto a trabalhar ao domingo, o facto é que muitos trabalhadores preferiam trabalhar ao domingo e descansar noutro dia'. E a propósito esteve, há pouquíssimo tempo, a correr abaixo-assinados - nas tais grandes superfícies pelo menos - junto dos clientes para apoio da abertura aos domingos o dia todo, organizado pelas associações patronais. A adesão verificada, tanto quanto me foi dado observar, foi junto dos...consumidores!, e mesmo assim apenas nos que têm um horário de trabalho com o descanso semanal...ao sábado e domingo, claro!

Mas isto são...amendoins, meu caro! A questão - a verdadeira questão da modernização - não passa tanto por aqui, pelo menos no nosso país que tudo copia do estrangeiro, mas apenas aplica o que der mais lucro aos patrões! Repare-se que eu digo patrões e não empresários. O problema do nosso país e do seu contínuo atraso tem, como sempre teve deste o tempo 'da outra senhora', muito mais a ver com a falta de empresários/gestores e excesso de patronato e não dos trabalhadores ou das leis laborais, já que estas apenas têm servido como areia nos olhos para disfarçar a incompetência e a ganância do 'patrão português' que mal começa a ver um lucro(zito) desata a adquirir bens de consumo que lhe permita ostentar a riqueza roubada aos trabalhadores, em vez de investir em melhores condições de trabalho, em formação profissional, em melhores equipamentos, em técnicas mais produtivas, em estratégias de gestão equilibradas que permitam um crescimento real e não um balão de ar que rebenta ao mais pequeno toque, como seja uma crise ou um aumento(zito) dos vencimentos nos níveis mais baixos, sim porque para as camadas mais altas há sempre dinheiro para aumentos e não tão pequenos como isso.

'Mas com os níveis de produtividade portugueses, os salários baixos daí decorrentes(...)', este é outro dos seus erros! Os salários baixos não são decorrentes da falta de produtividade - e aqui concordo consigo: não é preciso, tanto assim, trabalhar mais, é preciso é trabalhar melhor!, mas quem é que organiza o trabalho? - a falta de produtividade é decorrente de muitos factores, sendo a apregoada preguiça do português a que menos pesa, já que é mais um mito que uma realidade, basta ver os casos de sucesso - poucos é certo, mas sempre de gestão estrangeira! - para se perceber que, nem por isso, os salários sobem na mesma proporção!

Os problemas de produtividade (ou ausência dela) prendem-se muito mais com a fraca preparação profissional - e lá voltamos de novo às politicas de ensino, ou à falta das mesmas, e à má preparação escolar, bem como o fraco desempenho das nossas escolas em manter os alunos interessados até ao fim, do que resulta um abandono escolar que já não devia ser admissível...se queremos ser avançados! - mas também com uma visão estreita duma grande parte do investidor português que entende como único resultado desse investimento a obtenção de lucro fácil e não de riqueza que se reinveste para criar mais riqueza, criando assim melhores condições de vida para todos. É só fazer uma análise da pseudo indústria portuguesa, quase toda sediada no norte - onde se trabalha, pois então! - e ver-se o abrir e fechar de fábricas, seguindo a lógica do sugar o mais possível e depois...ala para outras paragens explorar outros improdutivos e atrasados! Só ainda não consegui perceber como é que a região mais rica de Portugal - como eles gostam de se apelidar - é, também, a que mais pobres (abaixo do limiar mínimo de pobreza) tem!? Quer dizer, perceber eu até percebo, eles é que parece que não.

Mas esta coisa de criar 'riqueza que se reinveste para criar mais riqueza, criando assim melhores condições de vida para todos', também não deixa de ser mais uma utopia...ou não andariam as multinacionais a abrir e a fechar fábricas conforme a mão de obra se lhes oferece mais barata e parca de exigências de qualidade de vida. É esse o avanço, o desenvolvimento, que se pretende como vantajoso para os trabalhadores?

'Só por se dizer que o melhor é "flexibilizar" um pouco as leis mais restritivas (...) não quer dizer que queiramos voltar a impor a escravatura, antes pelo contrário.'...Começando pelo fim: também era melhor que a ideia fosse voltar à escravatura! Para isso bastam os asiáticos e os seus apregoados milagres económicos e, agora, os do leste europeu. Que se fechem as fábricas, por cá e não só, para as voltar a abrir lá para o leste, ou então para se passar a adquirir mercadoria de fabrico 'made in tailândia;malásia, china, e etc.' isso é de somenos importância, afinal o capital não tem pátria, né?! Mas não vale a pena meter as aspas(zinhas) no 'flexibilizar' porque eles não se vão ficar pelas ditas e muito menos por 'um pouco'! Nestes últimos seis anos já assisti a, pelo menos, duas restruturações, na empresa onde trabalho, com algumas 'dispensas' (a expressão soft para despedimentos) à mistura e não me pareceu terem sido necessárias alterações na legislação para tal suceder. E, ao mesmo tempo, apesar da subida de produção da empresa nem por isso os vencimentos foram aumentados um chavo...nesses mesmos seis anos!

Por tudo isto é que continuo a achar que anda meio mundo a falar pró ar...do que não sabe e, menos ainda, sente na pele!

28/06/07

Já que alguém se queixou, por aí algures, que aqui 'era só' gajas vestidas e nada de nuas, bem...uma vez sem exemplo!, mas depois não se admirem se, um dia destes, postar um gajo!!!


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Haja pachorra para tanta alarvidade...

Da Literatura: SACCO & VANZETTI :(...)Mas quem é que hoje trabalha só oito horas por dia?(...)


Pois...realmente, quem????? Depois queixam-se, os profs, que os pais não querem saber dos filhos (a tradução deles para os pais que se 'esmifram' a trabalhar!); e os moralistas que o casamento está em crise e há muitos divórcios e que as gajas não querem é ter filhos por isso votam pela despenalização do aborto! Depois venham cá explicar-me como é que, a trabalhar-se dez e mais horas por dia, se tem tempo - útil e de qualidade! - para a família?!?

E há ainda os ignorantes da realidade dos que trabalham - mesmo! - essas dez e mais horas por dia sem terem empregadas em casa para tapar os buracos...é que, mesmo assim, já se ganha a dobrar aos domingos, quando estes são trabalhados...só que o dinheiro não educa filhos, nem lhes dá carinho, nem respostas quando eles precisam, nem os acompanha no crescimento duma forma saudável...mas os senhores da modernização selvagem é que sabem, pois então!

Se ser-se avançado é viver numa sociedade desumanizada, impessoal e sem direito a escolher-se o modo de vida que se sonha - ter uma família e poder sustentá-la dignamente e poder educar os filhos e poder namorar e poder gozar os prazeres da vida, etc.,etc. - sem que, para isso, tenha de nos sair o totomilhões, ou herdar da tia rica, ou assaltar um banco, ou entrar no mercado do narcotráfico das altas esferas...então eu preferia ficar atrasada!, se me fosse dado o poder da escolha, claro!, porque como não estou dentro de nenhuma destas hipóteses listadas e sou obrigada a receber um vencimento mensal, fatal com'ó destino será dizer que lá terei de ir pró rol dos 'avançados', para continuar a encher o bandulho dos jogadores da bolsa...