10/09/04

«CUMPLICIDADES»

«quando estivermos juntos te darei um beijo-borboleta»

...aqui!





...fica, o encontro, marcado...!?!

...para que, então, o romantismo faça sentido...para quem o pratica!:->

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Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?,WW

Carta aberta que não é de parabéns!...



"Tudo o que eu te dou,
tu me dás a mim.
Tudo o que eu sonhei,
tu serás assim."




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Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?,WW



07/09/04

O romantismo ainda faz sentido?

...in Visão desta semana...

«Regresso a Monserrate

Depois de durante décadas ter estado votado ao abandono, o Palácio de Monserrate, em Sintra, vai abrir ao público a partir de 10 de Setembro. Para já, as visitas guiadas serão condicionadas, uma vez que apenas a primeira parte do restauro se encontra concluida.
(...)
"Conseguimos trazer a Monserrate o fim de uma história de decadência. A sua memória está presente e tenho a certeza que muita gente vai regressar apra olhar o jardim fantástico e visitar o palácio", disse Fernando Seara, presidente da Câmara de Sintra.»



«Sugestivo palacete romântico cujo projecto se deve ao arquitecto James Knowles Jr., 1858. construido no terceiro quartel do século XIX, por iniciativa de Francis Cook, visconde de Monserrate, constitui um dos mais interessantes espécimes sintrenses do Romantismo.

Obra de espírito romântico-orientalista, com a sua grande torre circular, cúpulas bulbosas e valores exóticos na decoração o palácio aproxima-se designadamente do famoso pavilhão Brighton (1815-1823) de Nash e da arquitectura romântica inglesa. Como afirma José Augusto França, Monserrate tem, porém, «um sentido cenográfico algo diferente, apoiado numa maior riquesa de pormenores arqueológicos», constituindo pelas suas raízes inspiradoras - que, por via inglesa, entroncam na arquitectura mogol - um caso ímpar do Romantismo em Portugal.
Situados a 4 Km do centro histórico, na Estrada de Monserrate. 2710-405 Sintra
, in Portugal Virtual



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06/09/04

Porque o olhar é o mesmo...

...mas a capacidade para o exprimir está a léguas de distância...

SULturas-«BLOG PSEUDO-REGIONAL DE INCONTINÊNCIA MENTAL caprichosamente egoísta e imodesto onde serão inscritos pensamentos leves, bojardas ocasionais, insultos devidos e profundas reflexões! sulturas!»

...um dos melhores Blogs que leio de cujo autor já havia cop&pastado alguns textos, aqui, quando ainda lhe desconhecia a bloguice...é claro que a classificação de "o melhor" é minha e, naturalmente, muito subjectiva, mas...partilho inteiramente de toda aquela visão do mundo, só não tenho é o talento para o exprimir desta forma, por exemplo:

«BEM-VINDOS AO TEMPO DO PRONTO-A-PENSAR, DO DINHEIRO COMPRADO, DA CIÊNCIA DE SUPERMERCADO, DA ARTE DE LINHA DE MONTAGEM, DO COMÉRCIO DE SONHOS AVULSO, DA ESPIONAGEM DE SONDA INTRA-RECTAL, DOS POLÍTICOS PRÉ-FABRICADOS. BEM-VINDOS AO ESGOTAMENTO POR EXCESSO. BEM-VINDOS AOS EXCESSOS DOS SERES ESGOTADOS. BEM-VINDOS AO TEMPO DOS MEDÍOCRES E SEUS DESCENDENTES. BEM-VINDOS A UM TEMPO DE TODAS AS AUSÊNCIAS ESPIRITUAIS REPLETO DE MATÉRIA DE MÁ QUALIDADE. BEM-VINDOS À POLÍTICA DE MARKETING E AO MARKETING DA POLÍTICA. BEM-VINDOS AO TEMPO DO ESVAZIAMENTO DOS VALORES E DA COMPRA DE PERSONALIDADE… BEM-VINDOS AO TEMPO DA FALTA DE TEMPO. BEM-VINDOS AO MUNDO DA CANALHA PINDÉRICA E GROTESCA ARROTANDO PREPOTÊNCIA E NOTAS DE DEZ MIL. BEM-VINDOS AO ESPLENDOR DA BOÇALIDADE PÓS-MODERNISTA. BEM-VINDOS À SACIEDADE DE CONSUMO. BEM-VINDOS AO TEMPO DOS DIREITOS HUMANOS COMPRADOS COM DIPLOMACIA LERDA A PREÇO DE OCASIÃO. BEM-VINDOS À LIBERDADE DA PERMISSIVIDADE COM O AVAL DE MENTORES ECONÓMICOS DE IDEAIS EM SALDO. BEM-VINDOS SEJAIS PELA VOSSA PRESENÇA E CUMPLICIDADE NESTAS MERDAS ACIMA DESCRITAS. BEM-VINDOS EM GERAL A ESTES DIAS TÃO PARTICULARES. O LEITOR TALVEZ NÃO SAIBA QUE NEM SEQUER PRECISA DE BILHETE PARA ASSISTIR AO GRANDE CIRCO DO MUNDO DE HOJE. BASTA-LHE TER OLHOS E UMA TV. SE NÃO ESTIVER NA BANCADA, LIMITE-SE A FAZER MASSA NA PLATEIA. BATE SEMPRE TUDO CERTO. ESPANTE-SE DE TUDO POR EXCLUSÃO DE PARTES. EMPANTURRE-SE DE NADA POR INCLUSÃO NO TODO.»

# posted by elmano @ 9/5/2004 06:56:07 PM
Sexta-feira, Setembro 03, 2004


...presumo que o "grito" seja propositado...:->

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05/09/04

Os afectos...


Brilhante a presença de Abrunhosa na Festa do Avante, ontem...brilhante porque cheia de afectos.


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Os Pequenos e os Grandes Amores

"Uma das obsessões da Vanessa é tentar medir o amor, coisa que os lúcidos evitam, mas não são para aqui chamados. Os amantes lúcidos escapam a uma quantidade enorme de maçadas e nem sequer dão o devido valor ao que têm - falo da lucidez, claro, e não do amor. Eu prezo os lúcidos, principalmente porque não me cansam, o que não se passa com a Vanessa.

O "metro amoroso" sempre fez parte da vida da Vanessa, que eu me lembre é desde a Faculdade. Empunhar o metro a cada novo namorado sempre foi um hábito, e talvez essa prática seja um vício, como o das limpezas.

O meu amor pelo Júlio foi menor do que o meu amor pelo João. Acho eu. E tu?

Mediste como?

Não sabes medir o amor?

Sei lá. E a conversa não me interessa nada. E o que eu devia era medir as distâncias.

A sério que não sabes medir o amor?

Nunca pensei nisso.

Mas nunca quiseste identificar o tamanho do amor?

(...) (...)

Oh, estes diálogos sinistros. Já não digo mais nada. Vou-me embora. Vou para casa. As coisas vão ficar pior. A lucidez manda-me recolher aos abrigos. Era, aliás, onde eu já devia estar.

Ó Vanessa, vai medir alguma coisa que se veja. Mede o tamanho das janelas.

E então ela pôs o sorriso a que eu sei que chama o seu "sorriso sábio". O "sorriso sábio" da Vanessa é profundamente irritante, como quase todos os "sorrisos sábios". Eu sei que é um sorriso estudado (há muitos anos, numa época em que dividimos a mesma casa, apanhei-a várias vezes ao espelho a estudar aquilo). E, com o sorriso, veio a sabedoria, que eu dispenso, mas que ela tem por muito útil.

É no fim do amor que se descobre o tamanho. Quando acaba. Antes não se lhe consegue tirar as medidas, fiz grandes esforços, mas foi inútil. Só se descobre o tamanho do amor quando se acaba tudo. É uma contradição, mas é a verdade. Quando se acaba e só dói um músculo, ou uma cãibra, e tomas Voltaren e passa, é porque era um amor pequeno. Se te cair uma grua em cima, talvez fosse grande. Acabar com um amor pequeno é bom, é só uma maçada. Cada vez que percebo que era um amor pequeno fico contente. Oh, mas devia ser possível tirar as medidas, para evitar tratar um grande como se fosse um pequeno ou um pequeno como se fosse um grande. Estás a ver, eu gostava de amar proporcionalmente."

Fita Métrica
Por ANA SÁ LOPESDomingo, 05 de Setembro de 2004, in Público


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03/09/04

FINALMENTE!!!!

...vou ver/ouvir, ao vivo e a cores!!!:-)))))


«Madame Butterfly
17, 18, 19 de Setembro –

É uma obra que continua actual, e a ter muito que ensinar à nossa época - pela universalidade da história de amor em que se baseia, pela sua recusa liminar de uma suposta superioridade civilizacional do Ocidente, pela sua tentativa de tentar retratar o mundo com uma visão “outra”, neste caso a cultura e a sensibilidade japonesas.
(...)
Tudo isto seria inútil se não fosse servido pela música de Puccini, uma das mais avassaladoras que a lírica italiana nos legou. Quem ouvir uma récita da Butterfly nunca mais esquecerá o dueto de amor que finaliza o I acto, a ária “Un bel dì vedremmo”, em que Cio-Cio-San reafirma a sua crença no regresso de Pinkerton, o coro dos marinheiros, e por fim, o trágico final em que a pobre adolescente prefere morrer a ser abandonada.»

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02/09/04

O tempo, afinal, não apaga tudo...

Levi Cruz, Untitled 2000, gelatin silver print, in Magnum Photos


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Há coisas que ainda hoje não entendo...

...frequentemente dou comigo a ouvir os outros queixarem-se...dos outros!... 99 em cada 100 conversas sobre os outros resume-se a apontar os defeitos dos outros as péssimas atitudes dos outros, as falhas dos outros, as desonestidades dos outros, as incivilidades dos outros e, já agora, as imbecilidades dos outros!...enfim, como diria Sartre "o inferno são os outros", se bem que me pareça que ele o não pensou nesta versão...

...ora, se os outros são todos uns desastres e/ou umas pestes, lógico será pensar-se que quem assim o acha é...santo(a), no mínimo, já que tem de aguentar tanta maldade...

...que raio estará errado nesta treta toda?...há coisas que ainda hoje não entendo!... os outros, por exemplo, é uma delas...

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29/08/04

Preciso do teu ombro pra chorar...



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26/08/04

Se é que me é permitido...?!?

«Algo


Entre duas linhas, entre duas margens de rio, entre duas vidas,
entre dois momentos ligados (ou não),
entre duas pessoas, entre dois lençóis
de dois amantes que se odeiam..
algo não se escreveu..


Porque um papagaio de papel invadiu o vento que trazia o som do mar.»


Alberto Velasquez, Segunda-feira, Agosto 23,2004,6:49 PM

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24/08/04

E lá se foi um GRITO..



«"O Grito" é vulgarmente interpretado como uma representação da angústia do homem moderno para quem a ideia de Deus está morta e que não encontra paliativo para os dramas interiores com que se confronta a sós. É um ícone da dor existencialista, mostrando uma figura de expressão desesperada, olhos escancarados, boca aberta, mãos levadas à cabeça. Alguns metros atrás no caminho que percorre, duas figuras a caminhar lado a lado evidenciam a sua solidão. O céu vermelho, em fundo, sublinha a intensidade da pesada carga emocional da tela.», in Público


...e uma MADONA...


«A "Madona", a que Munch chamava também "Senhora Adorada", é um óleo sobre tela datado de 1893/94. Mostra uma figura feminina nua até abaixo da pintura, de cabelos soltos e olhos fechados, aparentemente suspensa no espaço, num misto de prazer e dor. Quando foi apresentada pela primeira vez ao público, a tela tinha uma moldura decorada com esperma e fetos mortos, pintados e gravados. Com o tempo, a moldura perdeu-se, mas deixou a obra associada a temas como a concepção, a vida e a morte.», in Público

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23/08/04

«NOCTURNO»

Percorro a memória, encontro apenas o presente.
As artérias que me são exteriores, estão agora repletas de carros e homens
Que já passaram no momento seguinte. É noite imensamente.
As minhas veias têm neste preciso instante um engarrafamento de sonhos,
Esperanças a buzinar, desejos avariados com os piscas ligados.
Hora de ponta da alma.
Eu sei que posso transgredir.
Paliativos e calmantes já me foram, no entanto, receitados.
Pois em frente agora mesmo.
Cento e dozes internos, ti-nó-nis da catástrofe mental: todos mobilizados...
Será o amor um reboque?
Sinto o espírito a derrapar e faço capotar propositadamente a minha existência.
Onde é que há uma agência de rent-a-dream?
Arre! Porque é que estais todos estacionados?
A estas horas só circulam, em alguns bares, uns quantos táxis de loucuras alheias.
É claro que há pedestres, mas esses, se é que sabem para onde vão, demoram muito a lá chegar.
E eu tenho de ir já. Manter este ritmo de circulação. Ir imensamente. Ir sem retorno. Ir. Ir. Ir...

posted by elmano

...apetece-me dizer...


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Ainda não tive tempo, mas...cá voltarei...II


...pq será q, ao ver este filme, me veio à memória «O DESPERTAR DOS MÁGICOS», Louis Pauwels - Jacques Bergier???

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19/08/04

Ainda não tive tempo, mas...cá voltarei...



...interessante aquele pedacinho em que ele desafia os senadores...;-)



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17/08/04

Parafraseando já não sei quem...

Conversas de gajas...

Então, sempre foste?
Sim, claro!
E?
E...o quê?
Deixa-te de fitas...como correu?
Ora...como sempre...
Como sempre??
Sim...quem me manda a mim meter-me nestas "alhadas"...?
Era marreco!?!;-)
Claro que não, porra!
Ó mulher!, desembucha, diz lá como correu...?
Uma treta do caraças...os mesmos lugares comuns do face-to-face...as pessoas não sabem (ou não querem!?) libertar-se das máscaras do dia a dia...precisam construir as suas próprias imagens e depois querem, à viva força, "vendê-las" com a melhor embalagem que consigam arranjar...
Mas...foi assim tão mau?
Não diria mau...apenas cansativo por já, demais, visto...é q eu já não tenho pachorra para cotas à procura da aventura perdida!:->
Heinnn?
Queres crer que estivemos pr'ali duas horas e tal no paleio sem que o gajo tenha tido a mínima curiosidade de dar uma olhadela ao livro que eu estava a ler e tinha deixado meio aberto em cima da mesa...?
Tu e a tua mania com os livros!;-)
Não é mania, pá! É uma forma de testar (mesmo sem querer, como foi o caso!) quem pretende "vender-me" belas imagens que não colam "cá dentro". Lembras-te daquela passagem d' "A Insustentável Leveza Do Ser", do Kundera?
Eu não, pá, a leitora maníaca és tu!;-)
Lembras, sim!...já estou farta de te falar dessa passagem...«Mas havia mais uma coisa: um livro aberto em cima da mesa. Nunca ninguém abrira um livro numa mesa daquele café. Para Tereza, o livro era o santo e a senha de uma irmandade secreta.(...)mas, enquanto simples objectos, também tinham um sentido. Gostava de andar na rua com livros debaixo do braço. Eram para ela o que a bengala era para os dandies do século passado. Distiguiam-na dos outros.
(...)
Em conclusão: o homem que acabara de chamar por ela era ao mesmo tempo desconhecido e membro de uma irmandade secreta. Falava de um modo delicado e Tereza sentiu a alma a lançar-se-lhe para a superfície através de todas as veias, de todos os capilares e de todos os poros para que ele a visse.»
Pois...pois...mas, ao menos, o gajo era giro???;-)
Bahhhh...e o que é que isso me interessa...depois disto!?!

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16/08/04

«Injectou-se mais dinheiro no "sistema", promoveu-se a modernização pedagógica, reformularam-se os programas e refizeram-se os manuais. Reformas e dinheiro de nada serviram.
(...)
Convenci-me ultimamente de que o panorama não melhoraria significativamente nem que os programas e os professores fossem todos excelentes.
(...)
Em suma: as crianças, os adolescentes e os jovens adultos não podem ser maçados e qualquer embate com as duras realidades da vida lhes deve ser poupado.

De facto, tudo começa com a cultura de adulação da criança que domina a sociedade ocidental contemporânea e que não passa, como tantas outras características dela, da degradante e ridícula pieguice em que culminou a "Sensibilidade" descoberta na segunda metade do século XVIII. Tudo o que diz respeito às crianças - o seu bem-estar, a sua saúde, a sua protecção, o seu lazer - suscita imediatamente a atenção desvelada de um público adulto que erigiu as crianças no centro do mundo e entende, pelo menos "teoricamente", que tudo se deve subordinar aos seus interesses e às suas presumidas necessidades. (Felizmente já temos um ministério da Criança.)

Nas famílias, as crianças tornaram-se geralmente pequenos déspotas inteiramente desprovidos de quaisquer hábitos de obediência ou elementar respeito pelos pais e os mais velhos, que no entanto tudo fazem e sacrificam para que os rebentos possam gozar de condições ideais para desenvolverem livremente as suas promissoras personalidades. De tão mimadas, as crianças crescem, desde o berço, com a justificada sensação de que na vida só há brincadeira e direitos e de que tudo lhes é devido. Se por acaso algumas revelam um temperamento mais difícil, não se aplicam os bárbaros remédios clássicos. Arranja-se-lhes acompanhamento psicológico a fim de tentar, sem traumas nem violências, torná-las mais cordatas sem contudo prejudicar nem levemente o seu "crescimento natural". A "personalidade" da criança é sagrada e todo o respeito por ela é pouco.
(...)»

...estes "mimos" são da mesma pessoa que reconhece:

«Há 25 anos que sou professora de História na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Há 25 anos que observo, de ano para ano, a degradação da qualidade dos estudantes, e há 25 anos que vão sendo piores as notas que me vejo obrigada a dar, apesar de a minha complacência e tolerância terem aumentado com a idade e a sensata tendência para a acomodação que ela gera.
(...)
Como suponho que fazem também os meus colegas, trato de me ajustar à circunstância. Isto significa baixar o nível das aulas até ao ponto em que poderíamos estar numa qualquer turma do secundário. »


Mais Dinheiro para a Educação?
Por M. FÁTIMA BONIFÁCIO
Domingo, 15 de Agosto de 2004, in Público

... mas dizia eu: como é possível, manipulando factos reais, proferir-se os chorrilhos idiotas a que nem me atrevo a chamar conclusões, como os desta douta senhora!????...ora, pela ideia da senhora, os únicos culpados da probreza franciscana em que vivemos a nível cultural deve-se, única e exclusivamente, aos instruendos e não aos instrutores...repare-se que não refiro pais, nem professores, nem escola, nem família...em separado!...toda a sociedade é responsável pelo estado caótico em que o ensino vive...e os professores fazem parte dessa mesma sociedade!!!...dupla, ou mesmo, triplamente!...porque são elementos dessa mesma sociedade, porque são professores e porque, por vezes, tb. são pais!...ora o que me parece é que esta douta senhora não deve ter filhos!...e se os tem...ou são alunos como os que descreve, ou não sendo...já nasceram cotas!!! :->

...como é evidente, não nego a realidade retratada, mas...também acho que limpa demais o papel dos professores!...é certo muitas das fraquezas que os alunos transportam, mas...e agora tenho que dizer aquela frase que tanto odeio: no meu tempo os professores eram professores e não havia mau hábito de aluno que não acabasse dentro da sala de aula!...estou mesmo a ver as respostas costumeiras: pois, mas hoje em dia os alunos usam de tal maneira a violência que nenhum professor se atreve...pois, pois...mas esquecem que esses alunos raramente passam dos anos inciais do ensino, raramente terminando a escolaridade obrigatória, quanto mais chegar à UNIV!!!...logo, que impede um professor de exercer a sua actividade com a dignidade que lhe é exigida e, se fosse caso disso, merecida!???

...tenham dó!!!...e um mínimo de honestidade intelectual, meus senhores!!!...os valores que regem esta nossa sociedade(zinha) de trampa é que gera esta juventude...e a sociedade(zinha) de trampa, sem valores que não sejam os relacionados com o poder do dinheiro, quer jovens assim para poder gerar adultos do calibre dos que temos no poder politico para melhor servir o poder económico e, assim, se servirem também, a si mesmos, do poder do dinheiro...isto é tudo um circulo(zinho) de trampa, cara prof...sensatamente acomodada!!! :->


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10/08/04

As Férias...

Férias é, sempre, aquele período das nossas vidas em que nos permitimos (quase) todos os excessos na esperança (convicta!) de que, mal acabadas, vamos fazer o que nunca fizemos e sempre nos propusemos: vamos abraçar o projecto há tanto sonhado, vamos mudar o ritmo de vida, vamos retomar velhas amizades, vamos mandar às urtigas a cambada que nos desgasta a vida, vamos olhar o invisível, vamos amar quem nos ama, vamos riscar do mapa dos afectos quem nos desama...vamos...vamos...vamos tantas coisas que, só de as sonhar, nos cansamos desde logo.

Seja como fôr, depois das férias, em Setembro vou transformar-me numa nova mulher...como em todos os Setembros da minha vida. Fiquem bem...Beijo(s)

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09/08/04

Não!, não tenho saudades de ti...

(...)




qual silêncio?
o que é d’ouro quando se procura paz?
ou o que é suspiro abafador dos sentidos quando só o suor dos corpos fala?

há silêncios que prefiro: diálogos do interior e os de sabedoria, que desejo.
há outros, gélidos, que são gritos...

há silêncios e silêncios
mas silêncio não é silêncio: é aquilo que ele nos faz.

TCA


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29/07/04

O Sonho que o Vasco não sonha...

Jorge Luís Borges
in A moeda de ferro




.............Ein Traum

........Sabiam os três.
........Ela era a companheira de Kafka.
........Kafka tinha-a sonhado.
........Sabiam os três.
........Ele era amigo de Kafka.
........Kafka tinha-o sonhado.
........Sabiam os três.
........A mulher disse ao amigo:
........«Quero que esta noite me desejes.»
........Sabiam os três.
........O homem respondeu-lhe:«Se pecamos,
........Kafka deixará de nos sonhar.»
........Um deles soube.
........Na terra não havia mais ninguém.
........Kafka disse:
........«Agora que partiram ambos, fiquei só.
........Deixarei de me sonhar.»


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