24/10/04

«Os Amigos»

«(...)
Os amigos. Entrariam por uma casa em chamas para nos salvarem. Mentem por nós à nossa própria mãe. Sabem de nós mais do que somos capazes de lhes dizer. Jurariam que à hora do crime estávamos a tomar chá com eles. Mesmo que a polícia nos encontrasse com as mãos sujas de sangue. 'São rosas, senhores. Andei com ela toda a tarde a cortar rosas, senhores. Sangue de espinhos, senhores.'

Eles exigem-nos coisas de nada. As nossas lágrimas. O nosso lenço de assoar. A pele dos nossos inimigos. As batatas fritas do nosso bife. A nossa melhor roupa, por uma noite. Exigem-nos tudo o que nos dão. É preciso regá-los regularmente: é nos ombros deles que cai toda a água dos nossos olhos. Eles espevitam-nos o sentido de humor quando menos nos apetece. E depois ficam connosco quando as luzes se apagam e toda a gente se foi embora. Só aos amigos é dado o espectáculo da nossa miséria.(...)»

A Instrução Dos Amantes, Inês Pedrosa

***...***...***
(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

20/10/04

Hoje apetecia-me ter-te aqui...simplesmente! E odeio-te por me roubares essa possibilidade!

Eu Sei que Vou te Amar.
(Vinícius de Morais/ Tom Jobim).


Eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida eu vou te amar,
A cada despedida, eu vou te amar,
Desesperadamente, eu sei que vou te amar.

E cada verso meu será
Pra te dizer, que eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida.

Eu sei que vou chorar,
A cada ausência tua eu vou chorar,
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou.

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu,
Por toda a minha vida.

Eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida eu vou te amar,
A cada despedida, eu vou te amar,
Desesperadamente, eu sei que vou te amar.

E cada verso meu será
Pra te dizer, que eu sei que vou te amar,
Por toda a minha vida.

Eu sei que vou chorar,
A cada ausência tua eu vou chorar,
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou.

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu,
Por toda a minha vida.


***...***...***
(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

19/10/04

A tristeza...

(...)
Adivinhava-o triste, e em parte acertava. Mas errava, pela vaidade própria dos apaixonados, na substância dessa tristeza, que nada tinha de passageiro ou circunstancial.Dinis era triste como outros eram bonitos ou feios. Antes fosse mau, porque a maldade é uma deliberação da vontade, uma reacção à ferida própria dos grandes amantes. A tristeza, quando se apresenta assim de raiz, provoca danos irreparáveis. Porque a tristeza tem um único antídoto de sobrevivência, que é a crueldade.
(...)

'A Instrução Dos Amantes', Inês Pedrosa

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

17/10/04

AH! AH! AH!;-)))





Que personagem do Seinfeld é você?
Trazido a você por Blog do Idiota





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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

O cenário era perfeitamente dramático...(2ª versão)



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

"Conta só Contigo"

Encontrarmo-nos diante das coisas liberta o espírito. Encontrarmo-nos diante dos homens, de dependemos deles, avilta, e tal acontece, quer esta dependência tenha a forma da submissão, quer a da autoridade.Porquê estes homens entre mim e a natureza?Nunca ter de contar com um pensamento desconhecido... (porque, nesse caso, somos abandonados ao acaso).Remédio: fora dos laços fraternos, tratar os homens como um espectáculo e nunca procurar a amizade. Viver no meio dos homens como no vagão de Saint-Etienne a Puy... Sobretudo nunca permitir-se desejar a amizade. Tudo se paga. Conta só contigo.

Simone Weil, in 'A Gravidade e a Graça'

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

O cenário era perfeitamente dramático...


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"Uma questão de acento"

Como escreveria a seguinte palavra?
Assinale a opção correcta:

- órgão

Certo! Apesar de terminar no ditongo - ão, é uma palavra grave.


******

...heinnnnn!?????...mas, desde quando é que temos palavras duplamente acentuadas?...temos???? ['tou mais burra do q pensava?!?]


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António Ramos Rosa - 17.10.1924

Um astro


Ouve a longa incoerência da palavra e a memória do sangue que se apaga. Ouve a terra taciturna.Tudo é furtivo e as sombras não acolhem. Nenhum jardim de segredos. Nenhuma pátria entre as ervas e a areia. Onde é que nasce a sombra e a claridade?

Eis as vertentes da terra árida e negra. Quem reconhece o equilíbrio das evidências serenas?Estas palavras têm o odor de portas enterradas. Como dominar a desmesura da ausência e a vertigem? Como reunir o obscuro em palavras evidentes?

Escuta, escuta a longa incoerência da terra e da palavra. Ao longo da distância murmura a perfeição monótona de um mar. Num pudor de esquecimento um astro se aveluda em denso azul na corola do silêncio.

de Volante Verde(1986)
***

O amor cerra os olhos, não para ver mas para absorver: a obscura transparência, a espessura das sombras ligeiras, a ondulação ardente: a alegria. Um cavalo corre na lenta velocidade das artérias. O amor conhece-se sobre a terra coroada: animal das águas, animal do fogo, animal do ar: a matéria é só uma, terrestre e divina.

de Três Lições Materiais(1989)
***

Amo o teu túmido candor de astro a tua pura integridade delicadaa tua permanente adolescência de segredo a tua fragilidade acesa sempre altiva

Por ti eu sou a leve segurança de um peito que pulsa e canta a sua chama que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro ou à chuva das tuas pétalas de prata

Se guardo algum tesouro não o prendo porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto que dure e flua nas tuas veias lentas e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva para que sintas a verde frescura de um pomar de brancas cortesias porque é por ti que vivo é por ti que nasço porque amo o ouro vivo do teu rosto


de O Teu Rosto(1994)

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Paula Rego




Paula Rego
15 de Outubro a 23 de Janeiro de 2005


A exposição apresentará uma selecção da obra de Paula Rego produzida a partir de 1996, incidindo particularmente na relação entre a sua pintura e o desenho, assim como na construção de situações ficcionais singulares e idiossincráticas. A artista apresentará pela primeira vez os desenhos preparatórios das suas pinturas, realizando ainda uma nova série de trabalhos, especificamente pensados para esta exposição, a partir de um tema onde surja como referência a cidade do Porto. A exposição terá início no Museu de Serralves, encontrando-se em estudo a sua itinerância por Espanha, França e Itália, sabendo-se já do interesse da Colecção Saatchi em poder ser a entidade co-produtora onde a exposição terá a sua última itinerância.





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“Antes estranhavas a sombra, agora estranhas o silêncio”

“Estou todo suado. A coordenadora está a olhar para mim e eu estou todo suado à frente do computador. Não, não é devido ao calor que eu transpiro, que eu sinto que se está a formar uma poça aos meus pés. É ela. São os seus olhos sobre mim. É ela que me faz suar, raios a partam. Não tens mais nada para fazer?!!
- Vem cá!- ela chama-me.
- Sim.- respondo como num murmúrio
Adentro o escritório. Decoração moderna, um certo ar de luxo excessivo lixo plantado nas minhas retinas enevoadas pelo suor que me escorre cabeça abaixo.
Ela começa a falar do projecto.
- A avaliação está para breve. Como é que vão os trabalhos finais.Eu rio por dentro. Quais trabalhos? De que é que tu falas minha linda? Achas que alguém aqui dentro trabalha nalguma coisa? A começar por ti.
- Vão bem. A sala para a formação já está criada, só falta receber o aval das entidades que a vão ministrar. Foi um bom avanço. Com isso somos capazes de conseguir abranger uns seis ou sete agregados familiares. Aquelas pessoas que nós definimos que se enquadram no perfil de famílias disfuncionais. Tendo traçado as problemáticas, com base no tratamento estatístico do questionário social, tornou-se bastante mais fácil.
Ela olha para mim com atenção, mas duvido que perceba um terço do que estou a falar. Se o perceber bato-lhe as palmas, porque nem eu próprio sei. Mero vocabulário para a embalar, para nos embalar, palavras chaves, discurso teórico, tentar mostrar que existe realmente uma dinâmica dentro deste pântano. Tanto aqui, como lá fora.
E de resto é apenas isto. Um Centro Social miserável a funcionar dentro de um bairro social camarário. Duas assistentes sociais, dois psicólogos, um animador e um sociólogo. Eu sou o sociólogo. Seja lá o que isso for. Ela é quem coordena. O que é falso. Aqui não existe qualquer ordem. Pelo menos para mim. Tal como tudo na vida, também se rege pela orquestra filarmónica do caos.
- Sim senhor. Depois vem falar comigo quando tudo estiver pronto.Eu digo que sim e ela... “ou melhor, vem antes...”; e é aquele olhar. O mesmo que me faz as virilhas ficarem a arder, pois é nessa zona que eu mais sinto que os seus olhos passeiam. Não sei não sei não sei
Volto para o computador. Desligo o programa em que trabalhava. Ela já fez a sua visita diária à sala comum dos técnicos. Abro o Word e escrevo tecla a tecla, tecla a tecla, o caminho para me levar para longe e tão bem longe daqui”.

sangue na navalha sangue na navalha sangue na navalha
Terça-feira, Outubro 12, 2004

Frase do dia: “Antes estranhavas a sombra, agora estranhas o silêncio”.

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15/10/04

Se é para monologar, então...monologuemos!:->


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"O Rosto"

«(...)
O que nos conduz a uma outra diferenciação. Há empregos que se processam segundo a fórmula F2F, isto é, face-a-face, e há empregos em que o corpo e sobretudo o rosto da pessoa não interessam. São da fórmula B2B, isto é, "business to business". Daniel Cohen cita o economista Robert Gordon que demonstrou (através de um estudo das citações na imprensa científica) que os artigos escritos entre duas pessoas que estão juntas têm mais qualidade do que aqueles redigidos por pessoas separadas.

Que o rosto humano ainda seja uma fonte de valor - eis uma boa notícia num mundo em que o anonimato predomina. Olha para mim - e fala. »


Por EDUARDO PRADO COELHO
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004, in Público




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Discover your Zodiac Personality
Discover your Zodiac Personality @ Quiz Me


...pois comigo...acertou na mouche!!!;-)


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Espero que gostem da nova imagem...

...tentarei melhorar os conteúdos, mas...isso aí já não prometo corresponder a expectativas...;-)

...em todo o caso, aproveito para voltar a agradecer a pachorra dos que me visitam regularmente...mesmo se em silêncio!

Um Beijo...

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"Perguntei-me"



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13/10/04

"A chave"

«Deitei fora a chave mágica das frases certas e agora dei comigo a perseguir a magia de certas frases. Dou comigo a balbuciar o Ladino(*) e a pisar o kipah(*) perante o espanto do parnas(*). Corro, fujo por um caminho infinito de que sei de cor os desvios, derrubo o menorah(*) onde há pouco acendi as velas com que jurei orar em Kotel Maaravi(*) no Yom Kipur(*) e alcanço o ar livre. Rio-me por alcançar a minha própria Pessah(*) ao abandonar tudo em teu nome. E, aí, encontro-me perante a impossibilidade de te re-encontrar.

Busco-te e precipito-me cada vez mais na complexidade da entropia, como quem se tenta a si mesmo e se depara com a imensidão do ser por construir, do ser virgem e pronto a ser moldado, torcido, retorcido, vencido. A impossibilidade do retorno...

Finalmente, vencido, eis-me pronto a flutuar por entre a indecisão dos dedos que ensaiam o agarrar-me e o interpretar-me tal como sou : jogo de espelhos infinitos sobre o quais construí o meu caleidoscópio e no qual te retive numa eternidade repetida como a das ondas provenientes da pedra que lancei ao lago da vida . Cada uma dessas ondas é o eco da ressonância do que já fui, do que virei a ser, do que nos imaginei ser e do que nunca viremos a ser porque nos deixámos aprisionar na repetição do que nos outros nos espelhámos.

Volto atrás e relembro o bar mitzva(*) em que me julguei detentor da Verdade e em que reflecti o brilho dos olhos dos que em mim derramaram a Cabala(*) e me quiseram hazan(*) celebrando o Rosh-ha-Shana(*) em Tishré. Ai, Eretz-Israel(*) ...perdi-me perdendo-te e abracei os gentios à procura do finito. ´

Hoje deitei fora a chave mágica, desliguei as interferências cósmicas do devir e olhei para ti. Um fluxo eterno vindo dos teus olhos obrigou-me a cerrar os meus e a desistir das midrashim(*) e da arvit(*) E eis-me eu, ainda mal pronunciado o Shemah Israel(*) , a caminho do holocausto antes de te viver, meu amor.

Mais me valera a indiscriminada Shoah(*) ... pela esperança de te ter ?

SHALOM, MEU AMOR»




JR - Folhas Soltas - 26.05.2000

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Pequeno Glossário

Ladino-Língua dos judeus da Península Ibérica que incorpora palavras espanholas, portuguesas e hebraicas.


kipah-Solidéu (para cobrir a cabeça).


Parnas-O que dirige a sinagoga.


Menorah-Candelabro de sete braços utilizado no Templo (hoje, emblema do Estado de Israel).


Kotel Maaravi-O Muro Ocidental do Templo, conhecido como Muro das Lamentações.


Yom Kipur-O dia do Grande Perdão (ou da expiação); dia de jejum e de orações.


Pessah- Páscoa judaica; palavra que significa "passagem".


Bar Mitzva-Cerimónia de iniciação religiosa que marca a entrada do adolescente de treze anos na comunidade dos adultos.


Cabala-"Tradição recebida", em hebraico: o conjunto das doutrinas e dos preceitos do misticismo judaico


Hazan-Oficiante cantor da sinagoga.


Rosh-ha-Shana-Literalmente "cabeça do ano"; o Ano Novo judaico, celebrado no princípio do mês de Tishré (Setembro-Outubro).


Eretz-Israel-Literalmente, "país de Israel" ou "Terra de Israel".


Midrashim-Método de comentário e de interpretação da Bíblia; recolha de comentários rabínicos.


Arvit-Oração da noite.


Shemah Israel-"Escuta, Israel": primeira expressão da profissão de fé do judeu, proclamando a unidade de Deus.


Shoah-"Catástrofe"; designa o genocídio nazi durante a II Guerra Mundial.


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11/10/04

...atenção aos idosos...de 50 anos!!!... toma e embrulha!

...quem tiver mais de 50 anos toca a usar preservativo...impreterívelmente!...ah!, e ñ esqueça de ler os recibos(zinhos) de vencimento...isto para os q ainda tenham como receber vencimento, claro!:-> ...vc.s desculpem lá, mas cada vez há mais merda à solta, caraças!

«(...)
Após presidir à cerimónia de abertura do 5º Congresso sobre Sida, organizado pela Associação para o Estudo Clínico da Sida e da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS) - que reúne centenas de especialistas até quarta-feira, na Figueira da Foz -, o ministro da Saúde adiantou que o protocolo em causa será assinado por confederações patronais, como a CIP, e sindicais, casos da CGTP e da UGT. Deverá prever, entre outras medidas, a inclusão de mensagens alusivas à prevenção da pandemia nos recibos de vencimento.


(...)

O último inquérito à população sexualmente activa revelou que os casos de infecção pelo HIV estão aumentar na população com mais de 50 anos. Luís Filipe Pereira admite que a adopção de medidas de prevenção, como o uso de preservativo, seja menor nos escalões etários mais elevados, mas defende que, até por isso, urge investir na sensibilização: "Não podemos pôr um polícia junto de cada idoso. Precisamos é de cada vez mais informação."
(...) in Público

...ó c'um caraças!!!...q merda de prevenção vem a ser esta!???...acho q estou a ficar cada vez mais estúpida!...é q ñ entendo nada de nada...estes "tangerinas" estão a deixar-me de rastos em termos de sanidade mental...ó c'um caraças!, só me apetece dizer palavrões...grrrr, haja pachorra!!!...depois inventam dias nacionais/mundias da depressão... ora, porra!




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Ora então...

...ñ sei se repararam, mas...esta treta já tem - de novo!!! - um sistema de comentários!!!:-)))) ...é o da "casa", claro! q remédio! grrrrr...qt aos outros estão desactivados até eu perceber q raio se passou para deixarem de funcionar! ...em todo o caso nada se perdeu...tudo se transforma!?!eheheheh ...mal eu descubra 'o mistério dos comentários desaparecidos' ...cá voltarão!, porque há uns quantos q eu ñ perderia por nada deste mundo!:->

...então, 'bora lá comentar, gentes!!!...ok!ok!...eu sei q a coisa ñ tem grande matéria para comentar, mas...porra!, ñ batam muito no ceguinho, quer dizer, neste caso... na ceguinha!...uma pessoa faz o q pode, né?!...e a mais ñ é obrigado, ora essa!!!...obrigações, só dos outros para connosco, pois então!!!;-))))

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10/10/04

Não sei porquê, mas...

...aquela "estória" toda à volta do MRS cheira-me a esturro! Como se fosse coisa nova, neste país pós 25_de_Abril_de_1974, "calarem-se" as pessoas incómodas...como se fosse coisa nova os interesses financeiros comandarem todos os (poucos) valores éticos que ainda restam...como se fosse coisa nova o poder instituido gerir os seus apoiantes por forma a "tachar"[de tacho, claro!] os amigos e apear os inimigos...desculpem lá, mas em que raio de mundo vivem, os que se espantam com estas coisas...?!?

...e é por isso mesmo que me cheira a esturro...porque eu não acredito que "esta matilha" sofra de ingenuidade!...porque eu não acredito que, de repente, toda a gente tenha acordado!...quer-me cá parecer que este foi o pretexto optimo para:

1) o MRS sair duma coisa que já o estava a entediar;
2) o MRS sair duma coisa que o iria prejudicar, num futuro muito próximo... ou muito me engano, ou não tardará muito para o vermos de volta à politica activa:->;
3) o MRS vigar-se do SL...cá se fazem, cá se pagam...:->;
4) na pior das hipóteses, O MRS passar-se para uma qualquer estação concorrente onde lhe dêem mais...sendo que este "mais" não precisa ser, necessáriamente, $$$ :->

...fora isto que temos?...um país pequenininho acocorado por mais um folhetim de telenovela! ...porque a democracia não passará a ser mais democrata depois de tantos protestos; porque continuar-se-á a usar da pressão encapotada para calar os incómodos; porque a comunicação social que temos rege-se por critérios cada vez menos éticos e cada vez mais alimentada por interesses económicos que tornam a classe jornalística como a actual classe mais servilista num país de carneiros...até as empregadas domésticas têm, hoje em dia, mais poder reinvindicativo que os jornalistas...ou os profs, por exemplo!:->

...e assim cá vamos andando, cantando e rindo, com os bigsbrothers, os idolos de meia tigela, as quintas de debilóides [porra!, eu tinha jurado a mim mesma que não faria a mais pequena referência a tão bárbara demonstração da bestialidade mental!!!] ...e depois, quem mandou o PR entregar o poder aos "tangerinas tenebrosos"
(elmano dixit)

...por favor!...tirem-me deste filme!!!
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08/10/04

Dado que a porra dos comentários continuam bloqueados...

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...os "tangerinas tenebrosos"...

...como diz o elmano lá no seu SULturas, estamos entregues aos tangerinas tenebrosos !!!


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Aqueles Académicos passaram-se!?!:->

A Frase Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004, in Público

"Pelo seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em romances e peças que revelam com zelo linguístico extraordinário a absurdez dos 'clichés' sociais e o seu poder subjugador."

Academia Sueca

a justificar o Nobel a Elfriede Jelinek


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"Elfriede Jelinek vem escrevendo...

...de forma consequente e numa prosa cáustica e sem concessões, sobre a impossibilidade do prazer e da felicidade, em particular da mulher, no mundo frio e boçal, falocêntrico e castrante, das classes médias do inferno do descontentamento pequeno-burguês centro-europeu."

...nunca, jamais em tempo algum, li alguma coisa que tão bem retratasse o meu sentir do momento!

Sobre o assunto, hoje, no Público:

- Elfriede Jelinek Não Quer Ser "Uma Flor na Lapela da Áustria"

- A Pianista Autobiográfica

- Jelinek, Porquê...




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"O Preço da Liberdade"

Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004, in Público


«O grande mal português é que temos, verdadeiramente, poucos homens livres. Pouca gente, poucos cidadãos, que estejam dispostos a viver a sua vida, a construir o seu caminho, sem terem de prestar vassalagem a várias formas de poder. Os arquitectos não são livres, porque dependem dos interesses económicos do dono da obra. Os médicos não são livres, porque, regra geral, querem ser simultaneamente profissionais liberais e assalariados do Estado. Os advogados de sucesso não são livres, porque dependem da consultadoria dos governos e do tráfico de influências entre os negócios, o poder e o patrocínio. Os empresários não são livres, porque dependem dos subsídios, das isenções fiscais e da atenção do governo nos concursos públicos. Os intelectuais não são livres, porque estão quase sempre dependentes de empregos, bolsas ou subsídios públicos, os quais acabam inevitavelmente por pagar com simples fretes de propaganda partidária. Os jornalistas, quase todos, não são livres, porque dependem do pequeno chefe, o qual reporta ao editor principal, o qual deve satisfações ao proprietário, o qual tem de prestar atenção aos humores e sensibilidades do poder da hora.

Portugal não é, nunca foi, um país de homens livres, de homens verdadeiramente amantes da liberdade, para quem a liberdade seja tão importante como poder respirar. A grande e púdica mentira em que temos vivido nos últimos trinta anos é a de ter acreditado, ou fingido acreditar, que no dia 26 de Abril de 1974 éramos todos pela liberdade. Desgraçadamente, nesse longínquo dia, não era "a poesia que estava na rua", mas sim a hipocrisia. A liberdade não se encontra ao virar da esquina - conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e individualmente, com riscos e com perdas, e não a coberto da protecção fácil das multidões ou das leis.

Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre. (...)»

...apesar de achar q esta expressão "bater-se pela liberdade que lhe deram"[???] não está lá muito correcta, ainda mais se atentarmos no parágrafo anterior, onde se diz que a liberdade "conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e individualmente", deve ter sido um lapso de linguagem, claro!;-)...em tudo o mais estou de acordo com a ideia geral do MST. Não é fácil, como nada do que tem valor na vida e paga-se, por vezes, um preço bem alto, mas sabe bem adormecer com a consciência de que não se é capacho de ninguém...apesar da solidão que daí resulta.



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06/10/04

ESTOU FARTA!!! 2

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ESTOU FARTA!!!

...desta MERDA do BLOGGER!!!...vou debandar para o


...então anotem aí: amok_she

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05/10/04

O Homem e o Gato

...a ideia de que os gatos gostam de festas e depois arranhan quem lhas faz...é um mito!...o que sucede é que o ser humano tenta transportar para um animal não socializado a sua própria socialização!...e se observarmos bem...o Gato é bem mais leal que o Homem, basta ser comprendido e aceite por inteiro...

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«..preciso de correntes que me façam sentir transgredir...»

Essa é mais para o âmbito da terapia que outra coisa!:->

Eu preciso de correntes para não perder o pé! Libertinagem, dizez tu... liberdade, digo eu...serão dicionários diferentes, ou estamos a fugir com o rabo à seringa? Tu precisas das correntes para te sentires capaz de as desamarrar,mas...será que é mesmo assim?...será que existem mesmo, correntes, quando partes? Eu preciso das correntes - afectivas - para me sentir ligada à vida. Haverá vida sem essas correntes de afectos? São essas correntes que me mantém viva; são essas correntes que me dão alento para partir...e voltar!É certo que é um partir sem nunca levantar âncora, mas...que é isso de "precisar de correntes para transgredir"? Prefiro transgredir sem que, para tal, precise afrontar alguém...nem sequer a mim mesma...


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04/10/04

Hoje deu-me pr'aqui...;-)

Não há prazer que dure se não for reanimado pela variedade
Siro, Púbio - Roma Antiga, [-85--43]»

...este Púbio era um sábio...mesmo!!!:->

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«Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado
"Antígona", Sófocles»


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in CITADOR

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram,

A memória é, realmente, uma coisa fabulosa...

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

03/10/04

Quando a gente gosta, É claro que a gente cuida...

"Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois.
Fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois.
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho,
Não sou nem quero ser o seu dono,
É que um carinho às vezes faz bem.
Eu tenho meus desejos e planos secretos,
Só abro pra você, mais ninguém.
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?
"Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida,
Fala que me ama,
Só que é da boca pra fora.
Ou você me engana,
Ou não está madura,
Onde está você agora?"



(Peninha.
Intérprete:Caetano Veloso)


...tu não entendes, pois não!?...não entendes que faço isso mesmo!, desconstruir-me para que não restem mais ilusões; fantasias; mal-entendidos...

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Amok em Veneza? ...um sonho...


Gondolas in Venice (Claude Monet)

"Sol de Outono a espelhar
na lagoa, ligeira brisa,gôndolas,
burburinho de cidade, e o timbre
inconfundível de um
"Caríssima Dona"
dirigido a ti. Só para ti.
-Amook em Venesa."
The delightful back streets of Venice
The Rialto Bridge, Grand Canal, Venice
The sun sets over the Canale di San Marco, Venice

(Fotos in FreeFoto.com, by Ian Britton)


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW


«INTERMEZZO
[in SULturas]
Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

...e o raio que os parta aos medidores de almas!

(...)
A razão faliu quando alguém disse que a tinha. A partir daí nunca mais se recuperou. Tem andado combalida e repartida pelas bocas de muitos safardanas. Felizmente a razão é sempre pouca coisa, face ao ter que ser da dialéctica. Quem tem consciência das coisas não precisa de fazer alarido das mesmas. A História começa a não ter espaço para tanta alarvidade.
Cada parágrafo que escrevo é talvez um orgasmo que não tive. Opções. Um orgasmo é um poema em linha erecta que dispensa palavras. Ser animal é uma realidade em que a matéria suplanta o fantasma presente na nossa vontade. No entanto, o Espírito é o mais complexo dos nossos vícios. Tão somente. A matéria, por seu lado, é a mais cruel das metáforas. E com isto tem de se equacionar toda a vida.
Inventar todos os dias para que a festa seja franca, esse é o mais nobre dos objectivos. Viver torna-se grandioso pelo acto simples de impregnar tudo com o melhor de nós. Esbarra-se depois com o Mundo, único gigante, inalterável na sua condição de estar sempre em mutação, e como tal, esmagador, distante, básico na sua monstruosidade e sub-reptício na sua afirmação. Mas também ninguém nos disse que a tarefa não iria ser árdua, ó meus congéneres. Disso sempre estivemos cientes, facto que nos renova agora e sempre.
Ouviram bem, ó suburbanos da Liberdade?»


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

01/10/04

Gaudí...e Júlio (Machado Vaz)

...a Sagrada Família e o Parque Guell

...há tempos li qualquer coisa sobre Gaudí e a sua Obra. Fiquei com um daqueles desejos de ir olhar, mas...ele há tantos desejos na vida que nunca passam disso mesmo e muitos deles morrem ainda antes de qualquer possibilidade de se realizarem. No entanto, este persiste e pior: a todo o momento, em todo o lado, me chegam referências como que a avivar-me a memória do desejo por realizar...

Já gostei mais do Júlio (Machado Vaz) do que gosto actualmente. Nem é bem um não gostar, é mais uma reticência que me faz ficar a pensar que ele é bom demais para ser verdade. A partir dum dado momento em que se ouve o homem; ou se lhe olha a imagem; ou se lhe lê as palavras, fica sempre aquela sensação de que ele está a representar o papel do homem que todas nós, mulheres, gostaríamos de amar, pelo menos uma vez na vida...o homem é charmoso, inteligente, divertido, sabe umas coisas, fala bem, gesticula com delicadeza sem se amaricar e - must, dos must's - tem o saber profissional que (supostamente) lhe permitiria entender-nos sem precisarmos, muito, de nos desfazer em explicações, enfim... adivinhar-nos-ia o pensamento como (quase) sempre exigimos dos homens...ora, homens destes não existem!!!...quer dizer: estas características todas no mesmo homem...não existem!...daí, por vezes, a tentação de procurar juntar o melhor de dois mundos...ou de três...ou dos que sejam necessários!;-) De qualquer modo, sendo perfeito ou não, para o caso agora já pouco importa, o homem tem um sentido de humor realmente avassalador e que se nota muito melhor através da escrita. O seu «Olhos Nos olhos - histórias de sexo e vida», (4ª)ed. D. Quixote, 2003, são disso um bom exemplo. Pequenas crónicas alicerçadas na experiência profissional (como se sabe, o homem é psi...) e não só, claro, que nos dão algumas "visões" dos episódios da vidinha que por cá vamos levando, escritas com um sentido de humor que, a mim, me enche as medidas e mefazem ficar rendida mesmo se "ele mente e eu acredito"!;-) ...Ora, para lá do texto(zinho) que tão bem retrata as aventuras e desventuras deste nosso mundo netiano - «A Rede» - em especial o sub-mundo do engate :-> ...adorei o «Fim-De-Semana Em Barcelona»!

E é aqui, neste «Fim-De-Semana Em Barcelona», que o Júlio (M.V.) se cruza com Gaudí, num conto bem engendrado, cheio de referências biográficas, culturais, turísticas e...romântico-pragmáticas!... que há muito não encontrava na literatura actual...e o homem quase se poderia enquadrar na literatura light, não fossem as bases profissionais que o fazem falar do que sabe, ao contrário das "margaridinhas" que desataram a vender às paletes escrevendo com base nas presunções...do que, realmente, pouco sabem...

Decididamente...preciso ir olhar a Obra de Gaudí!!!!...morro se não fôr!!!

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Aventura que é aventura deve viver-se em grande estilo!;-)

Uma das formas [correcção... a única forma!] de viver uma aventura com estilo é tirar o melhor partido de todos os nossos cinco sentidos...depois de ter colocado a funcionar, previamente, o sexto!;-)

Ora, ninguém negará que um dos grandes prazeres da vida, logo duma boa aventura, é o prazer de comer ([perdoem-me a redundância;-)]. Assim, naquela minha "aventura sem destino", saboreei - pela primeira vez!!!...que raio, onde é que eu andava!? - uma das melhores refeições da minha vida...até hoje!;-)...não, suas mentes "perbersas", não foi dessas comidas!...foi um belo dum SUSHI! «O sushi associa os elementos básicos da alimentação japonesa, é fresco, é confeccionado manualmente, tem design, tem cor e nasce de um gesto.» ...hummmmm, aquele sabor a mar vale uma parte do paraiso...

"Sushi para pouco entendidos
Isso come-se? Come. E faz-se? Faz. Mas não é peixe cru? É, mas tem truques. Vários. Com jeito, à terceira tentativa dá para convidar os amigos. Até lá, é só seguir estas instruções. Atreva-se.

Paula Oliveira Silva, 2002-01-15


A sensação não é a mesma do que saltar de uma ponte amarrado a uma corda, mas, ainda assim, é um desafio. Se para alguns o simples facto de cozinharem um ovo estrelado já é um desatino, então o que será tentar fazer um prato oriental… Um bico de obra, é o que é. Mas se assim pensam é porque nunca experimentaram ou então nem sequer sabem como se faz. Nada que não se resolva nas próximas linhas.

O sushi é uma especialidade japonesa de que muita gente já ouviu falar mas que poucos conhecem ou sequer provaram. Só de ouvir “peixe cru” há quem torça o nariz e fique logo mal-disposto. Erro. Nada como provar, e depois sim, dizer se é de repetir ou não. E a resposta é sim.



É a primeira vez que tu vais tentar

A receita veio do oriente, é certo, mas em terra de mar e de tradições piscatórias como Portugal, é uma pena não se provar sushi uma vez na vida. Pelo menos para poder dizer, de verdade, se gosta ou não, porque isso de avaliar sem sequer ter provado, não está com nada. A nossa extensa costa oferece-nos peixe de muito boa qualidade, o que é meio caminho andado. Ou melhor, mais do que meio caminho, porque se o peixe não for fresco nem pense em meter mãos à obra.

Antes de avançarmos mais, é conveniente avisar que o arroz é a combinação perfeita (ou não fossem os japoneses orientais). É de tal forma o casamento certo que se só utilizar as fatias de peixe sem arroz passa a chamar-se sashimi, o que não é a mesma coisa, como deve calcular. Ponha então mãos à obra e vamos a isso. Para que fique tudo a preceito, o Lifecooler apresenta uma receita genuína praticada pelo restaurante japonês, o Samurai, em Lisboa.

Há sempre um amigo que ajuda a cozinhar

O arroz, que tem de ser de origem japonesa, deve ser colocado no hanguri, uma vasilha redonda e larga de madeira. Isto se quiser ser perfeccionista, porque, a não possuir esse utensílio, pode utilizar um recipiente que tenha lá em casa. Não é grave.

Lave o arroz até a água ficar transparente e depois coza-o normalmente, mas sem condimentos. Apenas em água. Note ainda que o arroz tem que ter a mesma medida de água. Assim, uma caneca de arroz equivale a outra de água. Deixe cozer. No final, faça um tempero de vinagre (japonês, mas se não tiver, utilize mesmo do nosso) e açúcar (não muito, é claro, senão ainda pensa que já passou para a sobremesa sem ter sequer provado o prato principal).

Se o arroz ficar mal cozido, deve levar um pouco mais de vinagre, se for bem cozido, menos vinagre. Desde já fica o aviso de que não deverá saber nem a uma coisa, nem a outra. Este é um truque que faz com que o arroz não descole após a preparação do sushi, por isso tem de ser em pequenas quantidades. Misture bem e deixe arrefecer pois deve ser manuseado a frio.



Sushi, the name is sushi man

Pode utilizar três tipos de peixe de entre os seguintes: atum, robalo, salmão, dourada, pargo ou linguado. Peixes com sabores muito fortes como o carapau não devem ser escolhidos já que como não vão ser cozinhados, o sabor tem tendência a tornar-se demasiado intenso. Em alternativa, o peixe pode ser substituído por lulas ou mariscos. Crus, claro.

Se conseguiu ler até aqui e ainda não desistiu da ideia de experimentar, continue que há mais.

Na tradição japonesa, só os homens é que podem manusear a faca, daí que, após ter preparado o arroz, aproveite para descansar enquanto o seu namorado faz o resto. Deixe-o ser o seu sushi man por um dia. (E depois pode sempre alegar que não serão os portugueses os primeiros a quebrar tradições milenares como as dos japoneses). Homens confeccionam, mulheres servem a refeição. Boa?


Corta essa

Para a preparação, utilize uma faca afiada. O peixe deve ser previamente amanhado e não deve ter nem espinhas, nem pele.

Corte o peixe em pedaços compridos e grossos e de seguida em fatias ainda mais finas e ligeiramente inclinadas. Após esta fase, utilize uma esteira de bambu na preparação. Coloque uma alga seca sobre a esteira, e o arroz sobre a alga, mais ou menos uma palma da mão cheia de arroz. E não se esqueça que sempre que manusear o arroz deverá molhar a mão para não colar. Mais um truque. Registe.

Espalhe o arroz na alga com os dedos húmidos. Sobre o arroz, na parte central, deve passar o dedo, após já o ter passado antes pelo wassabi, um piri-piri verde. Deve ser pouco porque é muito forte a tal ponto de as grávidas não o poderem provar. De seguida, coloque duas tiras de peixe, uma ao lado da outra. Com a ajuda da esteira, faça o formato de um rolo. Corte o rolo ao meio e corte novamente as metades ficando com três pedaços para cada lado. Depois é só decorar a gosto. Isto parece complicado, mas um homem é um homem. Se à primeira não der, corte-se e embrulhe-se mais vezes. Até ganhar o jeito


Vou-te comer

O molho, é outro dos componentes imprescindíveis. Num recipiente próprio, coloque molho de soja e um pouco (muito pouco) de wassabi. Certifique-se de que o picante se derreteu completamente no soja. Depois só tem de passar o sushi no molho.

Agora outro truque. Ponha sempre o molho de soja no lado do peixe cru. No lado da alga fica com um sabor salgado. Pequenos detalhes que para os orientais são tudo. Este molho de soja e wasabi vem aqui calhar que nem ginjas. Com o sabor com que fica na boca até se esquece o que está a comer. Percebe agora as vantagens do molho?

Ah, é verdade, só mais uma coisa. Quando mudar de rolo de peixe, trinque um bocado de gengibre que limpa o palato. Outro truque, pois claro. Mas trinque só um bocadinho porque tem um sabor muito forte, qualquer coisa parecido com um sabonete de supermercado. Pode crer que é verdade. Tem é de comer o rolo todo de uma só vez para o arroz não de desfazer. Acompanhe com chá verde ou saké, uma espécie de aguardente japonesa, mas bem mais fraca.

Por último, um aviso. Se ouvir algum japonês chamar sacana a alguém, não se assuste. É que essa palavra significa peixe em japonês. Mais nada.

E pronto, tenha uma boa refeição."


...e se nada mais tivesse valido a pena...só o ter-me sido facultado o prazer de saborear aquela refeição teria justificado tudo...esta sociedade idiota em que vivemos quase nos rouba esse prazer que é comer com volúpia e nós, idiotas maiores, quase nos deixamos levar nessa roda viva das dietas malucas para atingir uma perfeição que nunca alcançaremos, até porque não a desejamos, realmente...depois, viver um prazer sem culpas é outra das delícías que moralismos bacocos e estereótipos imbecis manipulam cobardemente...

...viva o prazer de transgredir regras e de...comer sushi!, lenta e voluptuosamente, de preferência com uma óptima companhia...;-)


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW