14/02/05

Ainda o ser feminino e o ser masculino...

(...)o Amor Maduro(...)

«(...)
O lado feminino

de Depardieu

Mas os tempos mudam e trazem consigo outras urgências: este é um amor maduro numa Tânger islâmica e globalizada, geografia das contradições do mundo contemporâneo segundo Téchiné. E a história de Antoine e Cécile é uma história descentrada porque há outros regressos, outras personagens, ou, como explicou o realizador ontem em conferência de imprensa, porque este "é um filme sobre a desordem da vida", "os sentimentos provisórios e os sentimentos definitivos". E é um filme físico, onde uma câmara nervosa, ao ombro se cola aos corpos dos actores, onde a natureza (hábito muito lá de casa de Téchiné) é convocada para o interior da narrativa, preside ao destino das personagens.

Sobre Deneuve, Serge Gainsbourg dizia que ela caminhava como um soldado, Mastroianni dizia que ela era como um prussiano. Depardieu afirmou em tempos que ela era "o homem que eu gostaria de ser". Deneuve respondeu que Depardieu era "um actor muito feminino".

(...)


Teoria do amor, segundo os sexos: "Os homens e as mulheres não amam da mesma maneira", explicou Deneuve. "Os homens deixam-se tocar menos [pelo amor], não é a grande história das suas vidas. Os papéis no filme foram praticamente invertidos." Depardieu não veio a Berlim, porque na véspera começara a rodagem do novo filme de Bertrand Blier. Mas Deneuve, que se confessou "confusa e inquieta, com uma certa febrilidade" ao trabalhar de novo com o actor (16 anos depois), reiterou: "As emoções, nele, são verdadeiras, e ele tem uma forma de lidar com elas que é muito feminina."»

in Público

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

13/02/05

(...)
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

'Rostos e Almas'

«Que é um rosto? É algo em que se concentra o que há de mais íntimo e subtil de um corpo - mas, sobretudo, de um ser. No rosto, desenham-se sons inexprimíveis, vozes murmuradas, coros que são florestas. Existem elementos passivos, como o nariz e as orelhas, e factores activos, como a boca e os olhos. É no plano dos factores activos que encontramos uma escrita quase invisível, uma proliferação de sinais: um simples arquear da sobrancelha e há uma altivez que se ergue; uns olhos que se semicerram e há uma tentativa de compreensão; um olhar que se abre, atónito, e sente-se que o espanto rasga o rosto.

E a boca? Não há nela o mesmo encostar-se à espiritualidade, porque é feita de lábios e de uma língua que se esconde. Quando a língua se mostra, entramos no domínio da provocação, do insulto, da delinquência facial. Mas os lábios exprimem a ternura ou avaliam a capacidade de devoração. E por eles passa esse elemento inqualificável, esse sopro de vida, que é a voz. E por ele se respira até ao limiar da morte, que é o último suspiro.

Contudo, um rosto é acima de tudo um olhar de infinito onde penetramos com uma suavidade nupcial. Um infinito que passa por uma ruga, uma crispação, uma cintilação. Por uma física do infinito. Como é, maior do que todas, no seu rolar de absolutos divinos, a música de Bach.

O que Ingmar Bergman filma em "Saraband" (sem dúvida, um dos grandes filmes do nosso tempo) é, por um lado, a música que desloca os corpos e os cruza e descruza segundo cifras incompreensíveis. É, por outro lado, em primeiros planos de uma justeza vertiginosa, o enigma de um rosto, a sua dor, a sua alegria, o peso, a sua leveza. Há apenas um rosto que permanece inalterado, paralisado na sua forma de loucura e alheamento: o da filha de Liv Ullmann. Mas na última sequência, numa cena que toca o reconhecimento dos afectos que ligam os seres de uma forma sublime, ela abre os olhos para a mãe e qualquer coisa acontece.

O que Bergman filma de um modo extraordinário é a sucessão de acontecimentos que alteram o estado das coisas. Não se segue um fio psicológico, embora a psicologia esteja lá toda (sobretudo, na personagem interpretada por Liv Ullmann), que é quem dá o passo atrás, ordena as fotografias e funciona como espectadora privilegiada que participa sem se deixar envolver em excesso.

Mas é ela que desencadeia a narração ao decidir, quase trinta anos depois, ir visitar o seu velho e misantropo ex-marido, que vive numa casa da montanha rodeado de livros e pensamentos filosóficos. O que verificamos é que existe uma espécie de ambivalência entre o amor e o ódio e que ocorrem na mesma sequência: evoquemos o diálogo entre Liv Ullmann e o filho que o ex-marido odeia, e o modo como ele, sabendo que ela é advogada, pretende interditar o pai; ou depois da perturbação que o ex-marido tem com a notícia da tentativa de suicídio do filho, a forma como diz que ele "falhou tudo na vida". Mas é na dilaceração que estas viragens produzem, abrindo um vazio sem fundo, um abismo último, que vai acontecer essa sequência extraordinária em que o ex-marido se despe e pede à ex-mulher que também se dispa, para ficarem os dois lado a lado na cama, pobres, trémulos e despojados.»

Por EDUARDO PRADO COELHO
Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2005, in Público

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12/02/05

Pois é, meu amor...

...andamos a repetir-nos continuamente...

A memória coloca a fasquia demasiado alta para a realidade.

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10/02/05

Mas afinal o que é...

...escrita feminina e escrita masculina???

...escrita masculina???



Anais Nin, in "Fala Uma Mulher" »
...escrita feminina???

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08/02/05

Não sei explicar porque tinha tão certo...

...o feminino desta escrita..

no reflexo lunar da tua boca

deslumbram cem mil fagulhas vermelhas
e o amor – o teu nome escrito
pelo amanhecer dos eucaliptos
no ardor nocturno da minha pele –
também cresce na exaltação das mãos
que se alimenta desse crepitar

in, lfdsa

...em todo o caso gosto destas surpresas...e não gosto de continuar a não me encantar com as escritas femininas que chegam até mim...não é que não goste de algumas; não é que não ache algumas delas refinadas de humor, mas...daí a ficar encantada...afinal ainda não foi desta que consegui juntar uma ela ao meu top ten...

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06/02/05

Há imagens que me devolvem o prazer...

e me redimem comigo mesma!
***
...entretanto descobri 'isto' ...
Quero acabar como uma gata,
beber leite em tigelas de barro,
comer peixe fresco e fetos.
Quero ser uma gata para me deitar
entre os livros que estás a ler,
deixar pelos meus pela casa toda,
arranhar-te as pernas.
Quero acabar como uma gata,
para que me fales quando estiveres só,
convencido de que nunca te vou compreender,
rasgar-te papéis importantes,
extraviar adornos de valor.
Quero ser uma gata para de noite subir aos telhados
e ouvir-te desesperado a chamar-me:
Miau, miau, miau, miau...

- Zoe Valdez,
in Qual é a minha ou a tua língua?
Cem poemas de amor de outras línguas,
Assirio & Alvim -


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Garanto(vos) que não encomendo escrita ao Elmano...

...e também não tenho culpa se ele escreve o que eu preciso no momento em que eu preciso! Assim, este arremesso de poema não foi escrito para me "consolar" do dia horrível que tive no sábado...no trabalho, claro! Deixo um cheirinho cop&pastado e espero que vos suscite a curiosidade...

Lição de civismo

É feio matar gente
É feio bater em gente
É feio enganar gente
É feio exercer poder sobre gente
É feio não respeitar gente
É feio explorar gente
É feio não ser gente
É feio ser humano e foder a humanidade
É feio ser feio.

É feio pensar que se sabe demais
É feio não pensar
É feio odiar sem se ser inteligente
É feio ser inteligente e passar a vida a odiar
É feio não saber amar
É feio não se deixar amar
É feio perturbar o amor
É feio não saber o que é o amor.
(...)
É feio ter muitas coisas inúteis
É feio só ter ideias fúteis
É feio ser mesquinho e pouca coisa
É feio não ser higiénico
É feio ter merda na cabeça
É mais feio se a merda for própria e não de um pombo.
(...)
E para findar
É feio não ter coragem para ser livre
É feio tentar acobardar os que o tentam
É feio não saber o que é a liberdade
É feio em nome dela criar subtilmente novas repressões.

elmano @ 2/5/2005, in SULturas

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...entretanto o dia de sábado já passou e começo a questionar-me se...é isto que eu quero!???!
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hummmmm...

...apetece-me escrever...não, não me apetece!...apetece-me dizer...não, não me apetece!...apetece-me ser e não ser; apetece-me estar e não estar; apetece-me fazer e desistir...sei lá o que me apetece!

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04/02/05

Vou manter esta treta no topo até me fartar...

Quando tiver pachorra tenho de voltar aqui...

e "discutir" esta treta...:->

*******
Como ainda não tive tempo para "inventar" prosa própria deixo aqui um "cheirinho" muito melhor...;-)

«Porque a estas alturas do campeonato, pá, a verdadeira beleza é a minha. E a da minha mãe. E a da Toka que está prenha. E a da minha Mana que se pode gabar das curvas mais estonteantes que se passeiam por Lisboa. E a tua, cumcaralho, e caga lá para a merda das dietas, dos cremes e das cintas, que la vida son dos días e não estamos para aturar disparates de estilistas, modistas e cagões de merda que não têm mais nada que fazer que passar o dia a vomitar.

Ou porque se não envelhecemos é porque morremos cedo demais.

por rititi @ Quarta-feira, Janeiro 19, 2005 »


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

'Un mot et tout est sauvé, Un mot et tout est perdu.'

«Chère imagination, ce que j'aime surtout en toi, c'est que tu ne pardonnes pas.»,A.Breton

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Apetece-me recordar...(2)'Coerente é a aflição de um peixe seduzido por um anzol'

«COERENTEMENTE

Coerente é o estrondo da bomba e toda a estilhaçada posterior.
Coerente é a birra da criança e por vezes o homicídio da avó.
Coerente é o cancro e o vírus mais teimoso.
Coerente é o sexo erecto e a irresponsabilidade do acto consequente.
Coerente é o sacana do Tempo e a queda de cabelo.
Coerente é a aparição de Nossa Senhora e o espanto com fé da tia Matilde.
Coerente é a barraca cabriolet e o chuto no Casal Ventoso.
Coerente é a vida do marinheiro e a gargalhada da puta reformada.
Coerente é o discurso demagógico e a taquicardia de um político.
Coerente ó o doido que diz ser Napoleão e a tesão da enfermeira que o trata.
Coerente é o vómito, a diarreia e a sangria.
Coerente é a lógica da sopeira e o assédio do patrão.
Coerentes são dois ocidentais sentados num Z3 e cem africanos num contentor.
Coerente é a fome negra por um pão e a cremosidade do molho do bife de pimenta.
Coerente é o salário mínimo e o feriado para dormir a sesta.
Coerente é o estilo que se cultiva e o talento de estufa ou aviário.
Coerente é a verborreia das ideias moles e a hemorróida solitária da erudição.
Coerente é o apito do comboio quando avista o corpo do suicida e muito mais coerente é o cadáver esquartejado que jaz por todo o lado.
Coerentes são as mamas da mãe.
Coerentes são as bebedeiras do pai.
Coerente é Cristo que nunca mais se desprega.
Coerente foi Marx por nunca ter tido uma Sony na sala.
Coerente é o cozido à portuguesa frente à onda das mac-aquices.
Coerente é o vinho tinto e a sonolência após duas garrafas.
Coerente é a xaropada da legislação e coerentes são todos os antibióticos sociais.
Coerente é a água benta, a aguardente e a água-pé.
Coerente é o sacerdócio e a masturbação.
Coerente foi a invenção do papel higiénico.
Coerente é Portugal armado aos cucos.
Coerentes são vinte e cinco por cento de portugueses na merda.
Coerente é a aflição de um peixe seduzido por um anzol.
Coerente é a boca de um canhão.
Coerente é a esterilidade do senso comum.
Coerente é o raio-que-os-parta a todos os que ficam abismados com as minhas incoerências.»

dabliudabliudabliu.sulturas.blogspot.com

» embasbacado, 2004-10-05
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Apetece-me recordar...(1)' o que me impede (...) é a inexistência dos cartões dourados e ilimitados'

«Ora vejamos, e porque não, como me orientar então

Ora vejamos, e porque não, como me orientar então nesta tempestade prenúncio de meia idade.
Qual ternura dos quarenta, qual dengosa aptidão familiar. Qual carreira, qual carapuça. Qual lar montado, qual alegria das raízes. Não senhor, nada de suaves enganos nem de vida equilibrada.
Somente com um ou mais cartões de crédito douradíssimos e ilimitados seria feliz. Porche alugado e jacto fretado. Alma embalada, vida aviada e estar de abalada. Nórdica de oitocentos euros hoje, nipónica de mil dólares amanhã. Vida peregrina em hotéis de cinco estrelas. Ser cometa humano sem trajectória definida mas com James Martins a horas certas. Pequeno almoço em Roma, t-bone no Oklahoma. Brioches com champagne às cinco na Côte D'Azur. Jantar pato em Pequim para cear bokwursts em Berlim. Retiro espiritual no Hilton do Bali, seguido de conferência de imprensa acerca do sentido da vida no Four Seasons de Bangkok. Asceta em lençóis de seda e profeta de jacuzzi baptismal. Saltimbanco sem destino, vestido com Armanis comprados de véspera. Camisas descartáveis, cuecas idem, peúgas aspas aspas, sapatos ibidem. Andarilho de profissão inscrita no passaporte. Poeta niilista sem meta prevista e com garrafeira à vista. Prosa elaborada inscrita apenas com o suor na toalha abandonada junto à marmórea sanita. Sem-abrigo de saudade mas com room-service nostálgico. Esteta do efémero, estátua em movimento, criador de partidas, sonhador em viagem, forcado de destinos, atleta de distâncias. Polaroid literária com registos diários para entrega imediata a fortuitos e ocasionais leitores, sem ficar com negativos. Dando de caras com o amor, diria a essa mesma flor que sou só pólen e a mais não sou obrigado. E quando a morte chegasse, deixar-me de frases profundas ou visões imundas, e dando o número do visa na recepção, trataria da cremação.
Voltando ao lugar de partida, sinto que o que me impede de tal odisseia é a existência dos meus filhos, lindos e aprumados. No entanto, ao anular a partida, vejo que o que me impede de concretizar a ideia, ditado pela consciência, é a inexistência dos cartões dourados e ilimitados.

» embasbacado, 2004-09-28

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03/02/05

'Dance Me to the End of Love'

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Leonard Cohen



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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

'Mas não se preocupe, a solução pode estar aqui mesmo.'

«(...)Bebe mais do que a média razoável do que dez imperiais às seis da tarde? A sua namorada trocou-o pelo seu melhor amigo e respectivo animal de estimação? O seu pai tem mais cabelos do que você e consegue mais rat..., isto é, relacionamentos emocionais amorosos do que o amigo? A amiga acha que o seu namorado está gasto e velho e deseja o sr. Joaquim septuagenério reformado mas alimentado a viagra? Tem sonhos recorrentes de invadir a assembleia de república amarrado com uma cinta de explosivos e oom um cartaz em latim sobre os novos saldos no Jumbo? Acha que o punk rock ainda está na vanguarda de qualquer coisa? Sente que a sua vida é uma merda e que ninguém lhe arranja papel higiénico? Acha que este blog é um desperdício de ciberespaço e o seu autor um pseudo-intelectualóide armado em bronco depois de aviar umas minis na tasca de um centro comercial na periferia?

Não se preocupe! A resposta aos seus problemas pode estar mesmo aqui! AQUI!!!»

:-)))))))))))))))))

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ó Luis, átão os comentários, homem?!?

«Poesia?

desejo muito
um Beijo na Boca

posted by Luís F. Simões»

...pois, eu acho que se for ali prós lados da Boca do Inferno...é capaz de ser poético, sim!;-)

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31/01/05

hummmmmm...só por causa de "coisinhas" destas...

Lady Valentine...é que eu transijo com festejos dos "dias de"...!;-)


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ó Sílvia, pá...

... vai lá jantar c'o moço!!!...é q overdoses de vinho tinto!??? brrrrr...ainda se fosse de Dom Perignon ;-))))


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Agora, sim!

Agora já te posso dar os PARABÉNS, ó ELMANO!!!;-)... e que por cá continues por muitos e bons que eu bem preciso...BEIJO :-) [ai!, eu sou tão egoista...pois sou!;-)]
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29/01/05



Teatro Nacional de São Carlos

MEDEA
Luigi Cherubini

Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos

25. 28. 31. Janeiro 3. Fevereiro 2005 20:00h
6. Fevereiro 16:00h



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28/01/05

Aqui que ninguém nos ouve, vou contar um segredo...

...uma coisa que me aflige há algum tempo...

Toda a gente sabe que esta treta - da Net, dos Blogs, etc. - anda minada de "espiões". Ele é contador de visitas, ele é mostrador de visitantes, ele é cusquice pr'aqui, ele é cusquice pr'ali... Resultado? Quando vejo os relatórios diários que mostram quem me visitou, por exemplo, fico um bocado aflita. Eu explico! Fico aflita porque quereria ter algo para compensar o "trabalho" de aqui virem, alguns "religiosamente" todos os dias; quereria saber escrever coisas profundas, coisas inteligentes, coisas tão boas (no mínimo) como as que leio nos blogs "deles". Queria ser capaz de escrever como o Elmano que diz (quase) sempre aquilo que eu queria ter dito, tanto no sentido crítico que o caracteriza, como na prosa poética que de vez em quando solta. Queria ter a tecla tão bem humorada e certeira como o "velhote" . Queria ter a arte de rabiscar, aproximadamente pelo menos, como o TCA. Queria ser tão cáustica como o Luís e queria (tanto) ser tão doce (apesar de tudo!) como o Ricardo. Ah! e gostaria muito, também, de ter a força da palavra da lfdsa . Também gabo a pachorra do Vasco, mas dele só quereria a erudição porque escrever como ele escreve...deus me livre!...eu, pelo menos, fico com os olhos em bico e os poucos neurónios todos atrofiadinhos!;-)

[...das tuas visitas não digo nada porque...ora, porque já sabes o que penso/sinto...]

Em resumo, isto tudo só para vos agradecer o favor que me têm concedido de me irem acompanhando não me deixando pr'aqui sózinha a teclar para as paredes...Um Beijo...

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Alguém me explica...

...porque raio andam os colégios (pelo menos da zona de Lisboa) a levar as criancinhas em bando para os centros comerciais em romaria tipo visita de estudo!? Para centros comerciais????

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27/01/05

...a verdadeira 'estória' do «pour lidia»...

Sonate 14_Opus 27, Ludwig van Beethoven

Estás a ver este piano, Greecy?
Pois, foi o piano que eu coloquei na salinha que destinei às fugas que preciso fazer, periodicamente, deste nosso mundo de loucos. Não que eu seja menos louca que os demais, mas quando me assumo como louca não me apetece aturar a loucura dos outros e aí preciso dos meus cantos "secretos". Em geral, a leitura e consequente divagação é o meu espaço/tempo privilegiado para tais fugas, mas...um dia senti necessidade de mais. Foi aí que entrou a música nesse meu canto de fuga. Acho que foi quando ouvi pela primeira vez o 'Pour Lidia'. A partir desse momento comecei a sonhar com "a salinha do piano" e por ela iria abrir a excepção de deixar entrar "o pianista". Assim, no canto oposto ao da leitura, onde me perdia horas a fio e retemperava a sanidade necessária para sobreviver no tal mundo de loucos, coloquei o piano! E fiquei à espera d'o pianista' que me viria dar o 'Pour Lidia' ao vivo. Ainda continuo à espera que o sonho se concretize...

...sim Greecy, isto não passa dum sonho!;-)...o canto de leitura já eu tenho, mas...piano?!? tesss...tessss...só em sonhos!...e pianista também!;-)...e, tal como tu, também estou para saber "que raio de musiquinha é aquela" que me enfeitiçou desde o primeiro momento em que a ouvi e que não me sai da ideia como uma coisa que eu devia conhecer e não consigo identificar...

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26/01/05

Parabéns a você...daqui a dias...;-)

'Obrigada, antecipadamente, (...)' pelo convite que não me foi endereçado...ainda!;-), mas...como sou do contra!...'Fica então assim combinado:(...)' eu apareço!, mesmo se for a única que também é uma coisa que adoro juntamente com o ser do contra...ser a única!;-)))

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Colocar esta imagem, aqui...

...representa o meu assumir de que a obra, por vezes, ultrapassa o artista...ou, (re)dito por outras palavras: há obras que transcendem o ser humano que as criou...sem saber explicar como esta, pelo efeito que me provocou mal a olhei, ultrapassa a anos luz a animosidade que a sua criadora soube (re)criar em mim...

© raquel costa

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25/01/05

'te amo como se aman ciertas cosas oscuras, secretamente, entre la sombra y el alma'

[com um sincero agradecimento a Greecy]

Soneto XVII

No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.
Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.

Pablo Neruda

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24/01/05

uooooppppsss, tinha-me esquecido...

...o filme só passa no Millenium Alvaláxia (isto na zona de Lisboa, claro!...ah! e no Millenium FreePort);-)


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23/01/05

'EDITAL'

«(...)

Fica finalmente explícita a existência do silêncio como forma implícita de dizer tudo o que não ficou escrito, mas que implicitamente pensamos e sentimos, e que, em última análise, é a forma explícita da nossa implícita existência assente na resistência a todas as implícitas merdas das quais o explícito mundo é composto.

A direcção»

do SULturas

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'Quero saber'

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com u te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda (Últimos Sonetos)

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22/01/05

[...antes de mais, gostaria de esclarecer que o texto que tanto apreciaste não é da minha autoria. Tal como vem referido, no final, o seu autor é um dos nossos escritores com a pena do humor mais refinada dos últimos tempos...pensando bem, há muito que não me lembro de aparecer alguém com aquele tipo de escrita e o MEC - Miguel Esteves Cardoso - anda por outras paragens...para mal da nossa sanidade mental!]

Um agradecimento especial...à 'greecyss'...


Não tanto pelas palavras amáveis, mas...porque me espanto sempre que alguém - que não me conhece, de todo! - consegue captar qualquer coisa de essencial (para mim, pelo menos) nas pobres palavras que 'rascunho'... e, nem aquele "pobres palavras" pretendem transparecer humildade (de que me sinto incapaz!), nem o espanto resulta do ego afagado!...o espanto prende-se, tão só, com a minha incapacidade para me fazer entender pelos que me são/estão próximos...assim, mesmo que este entendimento (o dos desconhecidos) seja apenas virtual (em todos os sentidos?), pelo menos dá-me a ilusão de que tal seria possível...


«(...)me gusta escribir, mucho. Es una especie de alternativa a la locura, como bien dijo una amiga.(...)»

Curioso! Um amigo meu também, em tempos, acreditava nisso; ou será que, antes, acreditava que era a loucura em si mesma!?...sei lá...para mim e apesar de
todas as patetices que escreva a escrita será, sempre, o meu canavial...

nota: entende-se muito bem(!) o que escreves, só espero que também assim o seja com o que aqui se escreve...;-)

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

'Conhecer'

«Nunca vou ao fim das coisas. Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo. No meu sonho, tudo continua, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-las de vez em quando. Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas ao fim?

Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido. Os fins entristecem-me. Viver as coisas até ao fim é matá-las.

E trocá-las por outras novas é traí-las. Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gostadas e presentes.

Se acabo um livro, sinto-me derrotado, fico deprimido, queria que continuasse, e não continua. Reler não é a mesma coisa. Lembrar não é tão bom como viver. Mas é melhor do que matar. Repugna-me a ideia das relações humanas que se «esgotam». Faz lembrar esgotos. Como se um sentimento se pudesse despachar. É preferível abandonar a pessoa que se ama e guardar o amor que se tem por ela a segui-la até à saciedade.

As pessoas namoram e ficam casadas até se odiarem. Os amigos convivem de mais e começam a chatear-se. As famílias passam tempo de mais juntas, até descobrirem todos os defeitos de cada uma. Dir-se-ia que as pessoas não suportam ter o coração dependente e então cansam- -no propositadamente, para se verem livres do sentimento verdadeiro e bom que sentiam.

Porque é que as pessoas que querem ser livres, independentes e tudo o mais, são aquelas que mais mal aguentam a solidão? Porque, para o mal e para o bem, habituaram-se a uma companhia constante. Não percebem que as saudades, os desejos nunca realizados, os sonhos que ficaram suspensos, são a melhor companhia (embora também a mais triste) que se pode ter?

Nunca se deve conhecer nada a fundo. Não falando na pretensão de pensar que se pode conhecer. Quando se diz «Conheço-o como as palmas das minhas mãos», há sempre uma insinuação feia e negativa. As pessoas, quando estão tristes ou mal-dispostas, não deveriam expor-se. É uma falta de respeito pelos outros.

Deve-se ser turista nas coisas do amor. Conservar o deslumbramento. Fechar os olhos quando desmorona a fachada. A intimidade verdadeira é partilhar a descrença na ilusão. Um navio visto ao longe. A lua. Os microscópios são detestáveis. Quem quer conhecer os segredos da casa das máquinas ou a superfície das estrelas? Não é por se estar mais próximo que se está mais próximo da verdade. A verdade é aquilo em que acreditamos.

Quem acredita ainda na distinção entre conhecimento e fé? Porquê provocar, remexer no passado, fazer perguntas? É como se as pessoas quisessem destruir o que as comove. É esse o sentido da frase de Wilde, que cada pessoa mata aquilo que ama. E tudo o que ele diz sobre a superfície é profundo. Não é só horrendo saber a «verdade» sobre James Dean ou Marilyn Monroe " é um engano arrogante. As coisas também se percebem, também se amam, à distância.

Para mim, as fotografias de Inês Gonçalves é que são Portugal. Não são as reportagens e as notícias. E não admito que me chamem romântico. Eu sei que por trás daquele miúdo ou daquela árvore há não sei quê e não sei que mais. A Inês também sabe. Por isso é que fotografa como fotografa. Entre o que vê e o que fotografa vai a distância que eu admiro e, não só isso, sei que vai ficar. Entre ser esclarecido e ser iluminado, não há diferença. Mas, se houvesse, eu prefiro ser iluminado. Prefiro a revelação ao registo. Não me custa nada dizer que as fotografias da Inês são o «por trás» do «por trás», já que mostram a alma portuguesa fora do tempo e das circunstâncias, mas, ao mesmo tempo, sem mentir, dentro delas.

Gosto de tudo a que chamam «cerimónia» e «boa educação». Odeio-me quando cedo a ler biografias de escritores que admiro. Tenho a certeza que a chamada «face» pública, que é a obra, que é o rosto que mostram, é não só mais bonita como mais verdadeira que as pesquisas arqueológicas que tencionam revelar o lado particular com a ideia de que esta está escondida, é clandestina, e deita luz sobre o que já se sabe. Com o tempo, o que é que fica da vida de Platão ou de Camões? O que é que interessa?

Mas as pessoas não devem aguentar o amor, porque, mal amam, logo procuram destruí-lo com a falsa noção do conhecimento. É a mania dos «bastidores». Que interesse podem ter os bastidores duma pessoa ou de uma peça de teatro? O que é que tem a tecnologia do cd a ver com a música? O sistema de canalização de uma casa? Uma ecografia? Não completam nada. São outras coisas separadas.

Em boa verdade, eu não sei por que é que um pássaro voa, nem quero saber. Voar já é tanto. Explicar o voo morfologicamente é reduzi-lo, é fazê-lo aterrar. O que é banal para o pássaro tem de continuar a ser maravilhoso para nós. Walt Disney é uma coisa. A biologia e as técnicas de animação são outras.

Gosto das primeiras impressões, sobretudo quando se vão repetindo ao longo dos tempos. Odeio e evito as descobertas, género «Descobri que Fulano era afinal um malandro». Este afinal, com o seu tom peremptório e arrogante, como se fosse possível definir definitivamente um ser humano, irrita-me. É um acto de amizade não estar sempre a vasculhar e a reinterpretar os amigos. Toda a gente sabe que as pessoas são polifacetadas " mas porque não restringirmo-nos à faceta que conhecemos de que mais gostamos?

A vida é muito complicada e o nosso coração precisa de simplificá-la, sem ter medo de se «enganar». É preciso resistir à curiosidade e à arrogância. Conhecer deveria ser só o primeiro passo.»

Miguel Esteves Cardoso, in "Explicações de Português"

[os bolds são meus]

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Já que não posso ter o que queria...

«"Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem que haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo".»

in "O Amor é Fodido" do MEC, claro!;-)

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Esta coisa dos dicionários pessoais é do caraças! III

Pois...quando eu me referia à dificuldade em optar entre dois polos que exercem o mesmo grau de poder de atracção - e a culpa é dos Peixes e da Balança!:-> - não me referia propriamente ao optar entre um belo bife a cavalo, mal passadinho e devidamente acompanhado duma montanha de batatas fritas bem regadinhas de maionese e ketchup e um...sushi, por exemplo!:->

Tenham dó! Não me passava pela tola transformar o post num simulacro duma qq quintinha de pseudo-celebridades, onde iria fazer desfilar os meus dilemas existenciais à volta das minhas indecisões e inconstâncias!...em matéria de amores sou muito conservadora!...e descobri, recentemente, que fiel também!grrrrrrrr

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21/01/05

Esta coisa dos dicionários pessoais é do caraças! II

Quando em desabafos, raros porque também raramente entendidos, refiro o quanto é difícil fazer entender a alguém que amamos e nos ama que, apesar desse amor, continuamos a precisar dum tempo e dum espaço que não nos é comum, invariávelmente a resposta é: "e se acontecesse o mesmo contigo?!?", ou "coloca-te nesse lugar", como se toda a gente sentisse tudo da mesma maneira, ou se fossemos todos formatados pelo mesmo programa. Já para não referir que não me passaria pela cabeça reinvindicar algo para mim que não assumisse como válido para os restantes.

Com contrato, ou sem contrato - e não vem aqui ao caso o contrato formal, assinado e testemunhado!:-> - o certo é que as pessoas não são moldes que se formam durante um certo tempo e, após a cozedura, deixam de poder alterar-se! Se somos humanos e vivemos e sonhamos e agimos e erramos e pensamos, naturalmente que, ao longo dum percurso em comum, o desfecho pode ser não só diverso, como divergente. Se é divergente a coisa resolve-se, a bem ou a mal, indo cada um em busca dum outro percurso e, se a inteligência não se perder no entretanto, por certo que não haverá necessidade de se alistarem no rol dos inimigos para o resto da vida. Mas se o problema é uma diversidade de percursos mantendo-se, no entanto, o que sempre firmou o percurso em conjunto - os laços de afecto, mas também os vícios, os hábitos, os prazeres, as conquistas, etc. - aí as coisas complicam-se quando se deixa que as tais regras sociais - dos contratos! - interfiram no que só os desejos de cada um deveriam originar no desejo mútuo.

Mesmo quando o desejo de posse se encontra suficientemente diluido numa afirmação de individualismo; mesmo quando o reconhecimento da liberdade do outro se exerce como garante da presença do outro por inteiro; mesmo quando se apreende que "ninguém é dono de ninguém" e que "ninguém fica por inteiro se estiver impedido de sair"...mesmo assim raramente alguém quer correr o risco de deixar partir sabendo que pode não haver retorno...também não me perguntem se eu saberia correr esse risco, não sei...só sei que ficar por medo de não voltar é uma opção muito pobre...para todos!

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Esta coisa dos dicionários pessoais é do caraças! I

Dizia, então, aquele meu amigo que andamos todos a funcionar na base de contratos. E eu, com a mania de tudo idealizar, logo me revoltei qual maria da fonte da frontalidade que "não senhor!", quais contratos, qual carapuça! Haveria então (no meu entender) outros alguéns (uma minoria, claro!) menos dados a essas coisas materialistas e que eram capazes de firmar os seus acordos de vida, aqueles verdadeiramente importantes, na base dos sentimentos que geram os afectos.

Discussão pr'aqui, discussão pr'ali, venho a perceber que o problema afinal era meu, claro!...problema de leitura!:->...porque, afinal, ele também chama contrato aos afectos! Ora bolas, querido, assim nunca mais ninguém se entende!;-))))

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Esta coisa de gerir sentimentos como quem gere contratos comerciais...II

...acaba por levar-nos, de certo modo, à lógica salazarista do "se não estás por mim, estás contra mim". O que, traduzido para a linguagem amorosa, dá qualquer coisa do tipo: "se não me amas só(!) a mim...não me amas!", ou "se não ficas (só!) comigo, não é a mim que amas", ou pior "se pretendes amar a deus e ao diabo, não amas nenhum!". Isto é subverter a realidade humana em nome duma concordância que, depois, ninguém respeita. Depois seguem-se as receitas habituais do faz de conta! Falando em trangressões, eu prefiro-as nuas e cruas! Se não estou disposta a aceitar este jogo duplo tenho de o dizer desde logo e não firmar um contrato para depois o transgredir. Gozo, gozo, dá-me o transgredir as regras estúpidas que me são impostas de fora. Transgredir as regras que eu própria ajudei a construir é o que eu chamaria outra estupidez.

Ora, o que me incomoda - o que me desespera, mesmo! - é deparar com pessoas que, apesar de reclamarem, continuam a preferir este joguinho duplo. Enfrentar o touro pelos cornos pode doer e ninguém está disposto a levar marradas de frente. Como se as marradas por trás fossem menos dolorosas. Não são. O que "eles" esperam, sempre, é que nunca aconteçam. Mas, ser humano é isso mesmo: andar nos cornos do touro! Só que uns andam nos cornos de touros vivos; outros andam nos cornos de touros mortos; outros, ainda, preferem andar nos cornos de chocas mansas que sempre dá mais segurança...:->

Depois, há os que pedem pouco à vida...esses nem precisam de touradas...a coisa vai correndo ao sabor de ventos e marés e logo se vê para que lado se há-de tombar e que será aquele que der menos trabalhinho;-)...Esses são os únicos "felizes" dos nossos tempos...e terei eu o direito de lhes conspurcar essa "felicidade" com as minhas perguntas/dúvidas/questões?!?...não, claro que não!

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

Esta coisa de gerir sentimentos como quem gere contratos comerciais...I

...faz-me lembrar aquela discussão do "fazer amor vs fazer sexo"!:->

Quero deixar claro, à partida, que não me interessa discutir a forma como as comunhões de cama_mesa_e roupa lavada são levadas a cabo nesta nossa sociedade. Cada um sabe as linhas com que se cose e dentro do convento só sabe quem lá está dentro! É claro que se quisermos ir pelo tipo de "conversas de gajas e gajos", ok...iremos por aí, mas...preferia separar as águas e delimitar os espaços ou dará uma grande bagunça onde apenas se conseguirá debitar mais umas resmas de lugares comuns e disso já eu 'tou fartinha! Ah!, também gostaria de excluir os lugares comuns que se prendem com preconceitos tontos do tipo "isso já ñ é para a minha idade!"...eu sei, eu sei que sou uma idealista, mas...tentemos!:->

Assim sendo, uma coisa são os contratos da tal comunhão de cama_mesa_e roupa lavada (e já ag. passada!:->) e outra é a análise, tão honesta quanto possível, da forma como nos conseguimos movimentar dentro dessa tal sociedade feita de contratos e, assim mesmo, sermos capazes de gerir os nossos sentimentos, os dos outros e em especial dos outros que amamos. Reforço, para os mais lerdinhos de entendimento: falo de sentimentos e não de contratos! É que aos contratos pode-se aplicar a tal transgressão, aos sentimentos...não! ...a não ser que sejamos masoquistas...

Tenho pena de ter perdido aquele texto do MEC em que ele defendia a separação da tal comunhão como "receita ideal" para a sobrevivência do Amor, mas...pufff, perdi-o e nunca mais o achei. Que se lixe! Esse texto era um plágio da minha ideia que venho defendendo desde a minha mais tenra juventude!:->

[Cont. no próximo episódio...;-) ]


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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW