26/10/05

As solidões...

«(...)falar e sustentar que temos que ser capazes de saber viver connosco próprios, ou por outras palavras com a nossa solidão, pois, só assim, poderemos ficar imunes aos efeitos negativos daquela, soa-me a palavras vazias.
Lobo das Estepes»[...espero, ao retirá-las do contexto, não subverter o sentido, mas...]

...ai de quem não souber viver a solidão!

...não me passa pela cabeça negar o drama da solidão, em especial em determinadas circunstâncias limitadoras como sejam a doença, a idade avançada, isolamento geográfico, etc...tenho, no entanto, para mim que a solidão começa muito mais em nós que nas circunstâncias...

...não cantando loas à solidão e não sendo pessoa capaz de prescindir d' "o outro" para me olhar como ser humano, entendo que há um tempo e um espaço que presisamos preservar...só para nós!...o problema é que, tantas vezes, faz-se de conta que a vozinha "cá de dentro" ñ existe, ou é muda!...em geral quem não é capaz de viver consigo próprio (ou não quis aprender) procura n' "o outro" as respostas para as perguntas que desconhece...é claro que, depois, não bate a bota com a perdigota, quer dizer: surgem os desencontros, os desenganos, as amarguras...

...procurar "o outro" para mitigar a solidão é das coisas mais redutoras que um ser humano pode fazer; já a procura d' "o outro" para mitigar solidões, quer dizer: se os solitários se juntam para se ampararem, mutuamente, isso já entra no campo da solidariedade, da compaixão [com_paixão] que se pensa inerente à natureza humana...

...quanto à questão das palavras vazias, ou frases feitas, quando se diz que temos de aprender a viver a solidão como forma de a enfrentar...não me parece assim tanto, pois em última análise existe uma coisa que é a liberdade...a liberdade d' "o outro" não querer estar connosco; a liberdade de nós querermos estar sós; a liberdade de cada um procurar as suas próprias respostas e/ou caminhos, ao invés de a(o)s procurar n' "o outro"...

...em todo o caso acho que nunca ninguém consegue ficar completamente imune a ela...solidão!

[para já fico-me por aqui..."isto" tem pano pra mangas...;-)]



***...***...***
(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

10 comentários:

Lia C disse...

Penso que a solidão (não a do abandono, mas a "genuína") é absolutamente inevitável e incontornável... e se calhar ainda bem. E isto porque me parece que ao nível mais profundo de cada um de nós há uma parte de ser absolutamente incomunicável - aquela que procurada e encontrada nos dá a consciência de sermos diferentes de todos os "outro" que (também) nos fazem ser quem somos - e a consciência de que todos os "outro" são únicos e que portanto somos todos iguais nessa diferença (mas isto é outro aspecto)...
O que eu quero dizer (e não sei como) é que essa solidão inerente ao "absolutamente incomunicável" de cada um me parece extraordinariamente rica - não só porque é um espaço de liberdade completamente inviolável (a de ser quem somos) mas também porque motiva o esforço de ir ao encontro de outras solidões, de ultrapassar os limites (e as limitações) da incomunicabilidade... e penso que é nessa solidão que nasce o amor.

Bem, isto (para variar) está confuso, mas talvez tenha conseguido transmitir a ideia-base da minha solidão... se bem que me pareçam demasiadas palavras para acrescentar quase nada ao pano da tua manga...

Beijo

HarryHaller disse...

Contribuindo humildemente com pano para a tua manga, digo: parece-me se interpretei bem o teu texto, que te ficaste pela solidão voluntária, enquanto, no meu comentário anterior, referi-me à solidão imposta, aquela que não desejámos, e salvo melhor opinião, não se trata de usar o outro como fármaco de irradicação ou de atenuação da nossa solidão, mas, sim de vivermos de acordo com a nossa natureza humana, sim o ser humano é um ser social por essência, a não ser que enferme de alguma patologia de natureza psíquica.
Claro está, que nessa vida em comunhão com o outro ou com os outros, deverá haver espaço para o encontro consigo próprio, mas, para que seja saudável, é necessário que não passe disso mesmo, de encontros.

Não obstante as nossas opiniões poderem divergir ou estarem quiçá nos antipodas noutros assuntos,o que é saudável, deixo-te um abraço amigo Amok-she, e os meus íntrinsecos agradecimentos pela tua tentativa de ensino da colocação de música de fundo no meu blog.

Lobo das Estepes

amok_she disse...

«(...)um abraço amigo[presumo, aqui, uma gralha...presumo bem???] Amok-she, e os meus íntrinsecos agradecimentos pela tua tentativa de ensino da colocação de música de fundo no meu blog.»

...será q leio, ali em cima, uma certa dose de ironia????...é q como ñ cheguei a "ensinar" nada...:->

amok_she disse...

Lia C disse...«(...)O que eu quero dizer (e não sei como) é que essa solidão inerente ao "absolutamente incomunicável" de cada um me parece extraordinariamente rica - não só porque é um espaço de liberdade completamente inviolável (a de ser quem somos) mas também porque motiva o esforço de ir ao encontro de outras solidões, de ultrapassar os limites (e as limitações) da incomunicabilidade... e penso que é nessa solidão que nasce o amor.

...ñ acho q esteja tão confuso assim, pelo menos no q eu entendo por solidão...voluntária, ou imposta...acho q ficou, até, muito mais "limpo" do q a minha abordagem...

amok_she disse...

«(...)e penso que é nessa solidão que nasce o amor.»

...e eu diria mais: o amor, a amizade...enfim, qq laço de afecto q se forme entre os seres...

Lia C disse...

Para o Lobo: estive a ler o teu comentário anterior (aquele que aparentemente desencadeou este novo post da Amook) e penso que compreendo o que tu e o Lobo Antunes (e o pedacinho de mundo que pensa nestas coisas) querem dizer... só que, quanto a mim, o que mata e enlouquece não é a solidão, mas o abandono - a começar exactamente pelo abandono que muitas vezes devotamos a nós próprios...

Não sei, claro... estas coisas são um bocado complexas. Mas o que tenho por experiência de solidão é o saber que enquanto estiver comigo jamais estarei sozinha - por muito abandonada ou incompreendida que possa ser por outros... e repara (se puderes) que não estou a dizer isto num tom "umbiguista" de auto-suficiência solitária... pelo contrário, concordo em absoluto quando dizes que o homem é um ser social por essência (por acaso prefiro dizer relacional, porque acho que é mais verdadeiro) - só que na minha perspectiva "relação" (ou "sociabilidade") e "solidão" não são antagónicas, mas complementares... por tudo o que disse anteriormente e por mais um ror de coisas que ficaram por dizer.

Beijo

Lia C disse...

Para Amook: era exactamente nesse sentido de "qualquer laço de afecto que se forme entre os seres" que eu falei de amor :)

Beijo

HarryHaller disse...

Amok-She

Atrever-me-ei a dizer que não falamos e escrevemos pelo mesmo diccionário, passo a citar-me"os meus íntrinsecos agradecimentos pela tua tentativa de ensino da colocação de música de fundo no meu blog" TENTATIVA, eu falei em TENTATIVA.Portanto, podes estar tranquila que não houve qualquer laivo de ironia da minha parte.
Quanto à gralha presumiste mal.

Bom dia

Lobo das Estepes

HarryHaller disse...

Dicionário, corrijo.

Lobo das Estepes

amok_she disse...

...pronto, ok!, foste mais rápido q eu...é q realmente tentei - meti aqui a tag, mas depois ñ me deixou seguir pq ñ admite ñ sei o quê... - ora como tu ñ viste eu fazer essa TENTATIVA...mas ok!, presumo q te limitaste a acreditar no q eu disse...querem ver isto q ainda vou ter de lhe agradecer!?!;-))))

...e qt à outra presunção...tu não me digas q achaste estar a responder a UM amok????...meus deuses...grrrrr