20/06/07

"O País está em crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos..."

Comecei por escrever um comentário, mas alonguei-me tanto que prefiro postar!...

Naturalmente que esta é «A» forma adequada para se enveredar por esta discussão: 1)análise de possíveis causas da situação catastrófica em que se encontra o ensino em Portugal; 2)identificação dos reais responsáveis; 3) possíveis soluções; 4) congregação do esforço de todos os intervenientes e, em especial, de todos os lesados, para que as coisas mudem realmente... para melhor!...e por aí fora...

Assim sendo, naturalmente não são os professores, muito menos os pais e/ou os alunos, os culpados!, são sim - como muito bem diz JC - 'as políticas adoptadas, em especial, nestes últimos 20 anos' e isto toca, não só os governos socialistas, mas também (e muito!) nos dos sociais-democratas...tenhamos bem presente que o caos é de há muito mais tempo que 4 ou 5 anos e pretender deitar as culpas nos pais ou no governo do momento é mera desonestidade intelectual!

Ora, o que se nota nesta discussão - e no meu caso 'conheço-a', como mãe preocupada e encarregada de educação assídua e participativa na vida escolar, +ou- menos desde esses 20 anos (o meu filho mais velho tem, precisamente, 25 anos) - é, por um lado, uma demissão da parte dos professores - em geral! - das suas reais responsabilidades e da parte dos pais uma falta de investimento numa cultura de participação mais activa - isso permitiria exigir qualidade com racionalidade! - mas dos pais classe-média!, porque aos pais que são obrigados, por força das circunstâncias do meio sócio-económico em que vivem, e que orientam o seu 'viver' num círculo vicioso de trabalhar, com a precaridade que nos é conhecida, para sobreviver sustentando-se e sustentando a família nos níveis mínimos e quantos nos níveis abaixo dos mínimos!?!, pouco mais lhes é dado fazer que não seja ouvir as contínuas acusações vindas da escola sem que, em contrapartida, lhes sejam dadas quaisquer ideias de possíveis soluções...isto enquanto não se cansam de ouvir sempre o mesmo e de se sentirem as pessoas mais imprestáveis deste mundo (e sabe-se muito bem o quanto a falha perante os nossos filhos nos leva a sentir os falhados mais falhados deste mundo!), acabando por desistir de continuar a ir à escola sabendo que aquilo que vão ouvir é sempre o mesmo...

Elaborar 'programas de recuperação' onde se inscreve que...

...da parte da família tem de haver:


1)um maior acompanhamento da vida escolar do aluno, verificando-lhe continuamente a assiduidade - quando os pais saiem de casa tantas vezes antes dos filhos, sendo obrigados a deixá-los entregues a si proprios ao longo do dia, por incapacidade para pagarem atl's, ou colégios a partir do 2º ciclo...

2)acompanhamento do estudo, certificando-se que o aluno faz os trabalhos de casa e mantém o material escolar nas devidas condições - quantas vezes nem dinheiro há para comprar os livros, os cadernos e outros materiais pedidos pelos profs!, quantas vezes nem dinheiro há para dar uma alimentação adequada para uma criança!, isto já para não falar da incapacidade cultural, de muitos pais, para ajudarem os filhos nos tais trabalhos de casa...

3)sensibilidade para transmitir as noções adequadas de comportamento dentro duma sala de aula por forma a impedir comportamentos indisciplinados - esta é a forma soft para dizerem aos pais: 'eduquem os vossos filhos, porra!', mas que na realidade pretendia muito mais dizer isto: 'e, de caminho, inventem uma poção mágica que substitua um professor que não sabe impôr disciplina num espaço que é seu!'...

...e à escola compete:

1) Elaborar programas de recuperação - que, de todos os que vi para diferentes alunos, eram sensivelmente iguais;
2) Organizar aulas de compensação para os alunos interessados - que dada a falta de profs e pessoal auxiliar tem de se reduzir ao mínimo e, mesmo assim, ficam dependentes da boa vontade dos profs q, muito bonzinhos, se disponibilizam para tal...
3) Alertar os E.E. para as faltas dadas e/ou tpc's não efectuados e/ou comportamentos menos correctos esperando, de imediato, uma resposta - estes alertas verificam-se, na grande maioria dos casos, com cartas enviadas no final de cada periodo!
4) Encaminhar o aluno para o gabinete de Psicologia da escola - mas depois o psicólogo que está atribuido pr'ai a mais 3 ou 4 escolas acaba por ver o aluno uma vez num ano...isto se o aluno não tiver conseguido escapar-se sem que ninguém dê por nada, ficando o E.E. sem saber sequer se ele foi, quanto mais de quaisquer resultados!

E no final disto tudo 'exige-se' que o E.E. assine tal 'programa' comprometendo-se, assim, na recuperação do seu educando...e se o aluno não recupera não será porque:
1)as aulas de recuperação nunca chegaram a existir, pelo menos no número que estava programado e menos ainda com a qualidade que se esperaria para obter resultados - mas disso ninguém é responsável...na escola!, a culpa é do ministério que não 'deu' profs!
2)ou porque os E.E. não foram alertados atempadamente dos problemas com faltas e/ou tpc's e/ou comportamento, claro que sem culpa da escola! - isso é culpa do ministério que não 'dá' profs e os que existem já muito se esfalfam!...
3) muito menos da falta do possível apoio do Psicólogo - mas isso também não é culpa da escola já que tem lá um Psicólogo mas ainda ninguém percebeu para quê!?!

Depois disto tudo é claro - claríssimo! - que um aluno não tem a sua recuperação dependente deste programa...se assim fosse estava bem tramado! Resultado? Os pais que podem desdobram-se em deslocações à escola reduzindo, tantas vezes, o magro rendimento familiar- e é claro que esta 'coisas' tocam sempre às mães - pagam explicações a pseudo-profs que mais não fazem que tomar conta, porque ensinar convenhamos seria tarefa dos professores. E os que não podem acabam a engrossar os futuros contingentes que alimentam os números vergonhosos do abandono escolar em Portugal! Ah!, mas ao que parece tendo sido esta 'coisa' dos 'programas de recuperação' uma invenção dum qualquer governo e a que estavam obrigadas, por lei, as escolas veio outro governo e pufff!, acabou com a lei pelo que actualmente já só por muito boa vontade das escolas e dos profs é que se fazem 'programas de recuperação'. Também...para fazerem o que faziam bem se podem poupar...a eles, aos putos e a nós, pais!, sempre se pouparam umas quantas munições desta guerra absurda e estúpida entre família e escola...

Ora, há nisto tudo uma coisa que não é inteiramente verdade: quando dizemos que a culpa não é dos professores e/ou dos pais...estamos errados, todos nós! É culpa nossa, sim!, porque as políticas são implementadas por políticos que acedem ao poder com o nosso voto! Somos nós que os colocamos lá e não sei se a ignorância que permite que se vote manipulados por propagandas financiadas pelo poder económico - que é quem, afinal, nos governa! - e a quem não interessa, mesmo nada!, um povo culto, nos inocenta!?! E é aqui que eu continuo a atribuir uma quota parte maior de culpa...aos professores! Como grupo de cidadãos mais e melhor informados, com mais acesso à cultura, com mais capacidade reinvindicativa, nada têm feito, de fundo, para atacar as políticas desastrosas e culturalmente criminosas que se têm praticado neste país! E convém não esquecer que, por trás de muitas medidas e experiências levadas a efeito, têm estado professores a assessorar os tais políticos...

Agora, importantes são estes contributos. Assim exista capacidade de mobilização para os levar à pratica...

18/06/07

Esta questão da objecção de consciência, no caso dos médicos face ao aborto (1 / 2), faz-me lembrar a trabalheira do caraças que era para alguém declarar-se objector de consciência face ao serviço militar obrigatório. Ah pois, mas...que alguém se assuma perentoriamente contra a possibilidade de pegar numa arma, ou mesmo dum outro modo participar uma acção de guerra, não é bem a mesma coisa...inviabilizar a possibilidade a uma promessa de vida é bem mais importante que destruir vidas aos milhares, ou mesmo às centenas, ou às dezenas, ou mesmo só uma!Claro, eles - os doutrinadores da vida alheia - é que a sabem toda!

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

O circo continua...

«(...)
Se há coisa que verdadeiramente me enoja é a desonestidade renitente e a sistemática má fé na interpretação das posições dos outros e na proclamação de ‘verdades’. Escrevam o que quiserem, o país é livre (por mais que agora se queira fazer crer que voltou a ditadura). Mas não reescrevam o que eu escrevo. Esse é, exactamente, o fulcro do estalinismo, como o de todos os totalitarismos: anular o que o outro é, faz e diz, inventando-lhe uma história à medida das necessidades da ideologia e do ‘bem’. Se não se importam, essa é uma abjecção a que eu objecto. Em tranquilíssima consciência.»
Fernanda Câncio in

Curioso...porque será que os objectores de consciência, neste caso, estão (ou o são!?) apenas no sector público??? Pois...'tá-se mesmo a ver uma clínica privada a admitir um médico...objector! Ou um médico objector a abdicar de exercer no privado!Ah pois...'tá-se mesmo a ver!!!

De todo o post da f. citei apenas o último parágrafo porque, o mesmo, se aplica a uma série de situações/questões/pseudo-discussões que se vão desenrolando, por essa blogosfera fora, mas que nunca levam a nada...porque aqueles que se permitem opinar e sentenciar sobre 'o mal dos outros', sem nunca lhes conhecer/sentir os efeitos, usam e abusam da desonestidade a todos os níveis para tentarem fazer passar as suas ideias feitas de basófia e moralismos bacocos.

Eu, sinceramente, cada vez menos me apetece argumentar com idiotas e demagogos. Gabo-lhe a pachorra, f.

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17/06/07

Para os que se acham imbuídos duma missão moralizadora e/ou de educadores do povinho, quando escrevem num blog...convinha olharem menos para o próprio umbigo e mais para a realidade...um blog é só isto...


Da Literatura: DOMINGO«(...)Hoje, os blogues são os cafés que não há. Sem querer melindrar os que têm em alta conta a sua missão, tenho para mim que escrever num blogue é(...)Nos blogues não. A espiral do ressentimento não conhece regras que não sejam as da autofagia. É pena.»

14/06/07

Depois eu é que estou louca...pois...

Para os que insistem - à força e em força! - em fazer crer que o mal de todos os males da (des)educação geral do nosso Portugal(zinho) é culpa, única e exclusiva, dos ineptos pais e encarregados de educação, aqui fica um entre variadíssimos cenários do mesmo tipo...nada ficcionado!


...algures numa escola de 2º ciclo, ali prós lados da 'área da grande Lisboa'...
  • E.E. recebe (hoje!) carta - em correio azul! - da escola do seu educando convocando para uma reunião com a D.T.+Cons. Executivo. Alarmada, por tal 'comissão de recepção', pergunta ao puto que raio fez na escola para tal convocação. O puto responde que hoje(!) foi o último dia de aulas e que...'chumbou' com...não sei quantas negativas;
  • E.E. pede ajuda a familiar próximo que larga o trabalho a kilometros de distância e lá vão rumo à escola;
  • São recebidos pela DT(!) que informa ter o aluno uma série de faltas que precisam ser justificadas.

-... 'mas o aluno não está 'chumbado'???
-...sim, mas eu preciso que estas faltas sejam justificadas...
-...mas e só agora é que informam o E.E.?
-...pois, sim...mas eu não posso andar sempre a enviar cartas...
-...mas se o aluno está 'chumbado' para que são precisas as justificações das faltas?
-...pois, realmente...assim sendo não é preciso, não...


Se isto não é uma cena completamente estúpida e surreal eu vou ali e já venho! Oh c'um caraças...que merda vem a ser uma coisa destas? Que raio de inteligência é esta que convoca para uma reunião, sem referir o assunto, via correio azul - se calhar porque o assunto é completamente estúpido, tendo em conta que o aluno não transitou de ano e as aulas acabaram! - quando a escola (e em especial a DT!) sabe, pelas diversas deslocações já levadas a cabo ao longo dos dois anos lectivos transactos, que o E.E. em causa é a bisavó do puto - a pessoa que detem o poder paternal, por se tratar de criança cujos pais já faleceram, circunstância (entre outras) que motivaria um acompanhamento ao aluno a diversos níveis e que não é prestado por...falta de meios!?! - e quando, ainda por cima, não informaram atempadamente que as referidas faltas haviam sido dadas, ou seja no decorrer do período, em vez de ser no último dia de aulas!?!


Não faço ideia do número de faltas dadas e, uma vez que se chegou à conclusão que, em face da não-transição, eram descabidas as justificações, presumo que não deviam ser em número significativo, caso em que aí, sim, implicaria uma certa responsabilidade da DT e da escola em procurar justificar essas faltas...sob pena de, em determinadas circunstâncias, ter de ser enviado processo para a respectiva Comissão de Menores (CPCJ) e isso, porra, era cá uma trabalheira do caraças! Ou seja: bardamerda para os interesses da criança, importante é não ter de ficar com mais uma 'borucraticezinha' entre mãos!


E que não se venha com a treta de que é 'um caso isolado'. É...uma ova! Conheço e tenho ouvido falar de muitos do género, quase tantos quantos os alunos problemáticos, indisciplinados, e etc.



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11/06/07

O Rui Tavares deve ser uma pessoa muitooooo tolerante...

...mas, eu que até nem o sou, não acho que o assunto tenha ficado encerrado e se ficou, ficou mal!

A 'estória' conta-se em três tempos:
  • O Rui Tavares detectou, ao que parece por lhe terem chamado a atenção para tal, que havia sido plagiado no Notícias de Viseu...
  • O Notícias de Viseu, após um post do RuiTavares, ao que parece, envia-lhe uma mensagem - via mail, presumo - com pedido de desculpas, mas...no jornal - online - tudo continua na mesma...
  • «Opinião:O ideal universitário
    Há qualquer coisa no ideal universitário que o torna difícil de explicar, apesar de ser tão simples. O ideal universitário são as ideias. Ideias sobre como são as coisas, sobre como funcionam, sobre como deveriam funcionar, ideias sobre ideias. Algumas dessas ideias são conhecimento, outras são comentário, outras criatividade, a maior parte delas um pouco disso tudo.(...)A. Amaral 02-Mai-2007»
Afinal de contas de que servem os pedidos de desculpas se o mal não foi corrigido? E, afinal, nem sequer era o primeiro plágio! É claro que tudo isto nada me diz directamente respeito, mas...se o assunto foi tornado público e colocado online, o desfecho nestes termos - bacocos e pouco mais honestos que o acto de plagiar descaradamente - afecta-me como leitora em geral. O plágio não afecta apenas os autores, mas também os leitores que assim são tratados como idiotas!
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10/06/07

Alguns sons que me ajudam a reconciliar com a Humanidade...


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Atente-se, ou...um dia destes, do Homem diremos nada!

«(...)De certa forma, a História e a Memória ajudam a criar um modelo de cidadão indesejável nos tempos que correm, porque será necessariamente, pelo menos em parte, um Homem Velho por ter dentro de si o conhecimento, mesmo que parcelar e parcial, do passado. E os novos tempos querem um Homem Novo, o mais vazio possível para que seja possível impregná-lo com tudo aquilo que a propaganda de hoje quer fazer passar como sendo os valores essenciais da modernidade tecnológica, mas que mais não é do que a redução dos indivíduos a autómatos.
É Richard Sennett (A Cultura do Novo Capitalismo, 2007, pp 14-15) que escreve que nas condições instáveis e fragmentárias em que vivemos só um determinado tipo de ser humano está em condições prosperar e que um dos desafios a que deve responder é o da «renúncia», que se traduz numa «forma de desprender do passado».

O Homem Velho terá sempre a capacidade de fazer comparações e, nessa operação, aperceber-se da pequenez das figuras que hoje parecem agigantar-se apenas pela sombra que projectam devido aos holofotes que lhes colocaram por trás.
O Homem Novo tenderá sempre para ser crédulo e aceitar o que lhe é dado, porque nada tem de seu e tudo recebe de forma acrítica. O traço de personalidade típico do consumidor ávido de novidades, que «deixa de lado bens antigos, mesmo quando são perfeitamente utilizáveis» (Sennett).

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Uma discussão muito interessante, onde cheguei via Insónia...

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«De modo que entre as duas partes em que o ser se divide,
tem de existir um sistema infindável de fés recíprocas,
infindável como as imagens de um espelho reflectidas noutro espelho.»

Gonzalo Torriente Ballester, Don Juan

publicado por vbm
["(Agora, em fóruns, ando no Ex-Citador, onde me detestam ou ignoram, lol.)"...é sempre assim, meu caro, sempre assim;-)...nos tempos que correm, mais importante é o parecer que o ser...logo, ignore-se e/ou 'odeie-se' quem tem algo para dizer...]

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Dos saudosos tempos dum 'famoso' chat ou fórum(???)...quando ainda havia alguma consistência entre o parecer e o ser...

A UM BURRO CIBERNÉTICO
DA COSTA DA CAPARICA
QUE RESPONDE AO NOME
DE TOTAKI TOTAPOLOS


Ele há coisas que acontecem
Que deixam um homem pasmado
Agora até aparecem
Burros em frente ao teclado

Rapazes isto promete
Já ouvi aqui um zurro
Um asno na internet
Não passa dum ciberburro

As árvores genealógicas
De burros faço-as também
“Totó” da parte do pai
“Polos” é mister da mãe

A mãe está desculpada
Nunca me fez mal nenhum
É que uma besta quadrada
Pode parir qualquer um

Isto aqui não há marosca
É como digo maralha
Este burro está com a mosca
Ou então cheira-lhe a palha

Não te vás que é uma perda
És uma besta esforçada
Deve ser de carregar m...
Da Costa ao centro de Almada

1997-02-17
Aníbal Raposo




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Parafraseando já não sei quem...

...hoje sinto-me assim:
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Uma natural sequência para os meus últimos posts...

«é o fim da blogosfera as i know it and i feel fine
(...)mas não foi isso. nem férias: não estive de férias.não me tem apetecido. até dei umas voltinhas na blogada e vi umas coisas daquelas que normalmente me poriam a rosnar tipo mutley mas limitei-me a suspirar de enfado.
(...)
Terça-feira, Junho 5, f.»

***
«sem titulo, sobre lap top
uma vez instalado o silêncio, o silêncio instala-se. nada do que surge parece urgente. nada do que se pensa dizer parece suficiente. nada vale o fim do silêncio. e, no entanto, ao fim de algum tempo, qualquer coisa serve. até falar sobre o silêncio para acabar com o silêncio.
Sexta-feira, Junho 1, f.»

...curioso!?!, porque será que apesar da apregoada filha_da_putice das gajas é nestas que menos (ou raramente) se evidenciam as orgias egocêntricas???

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Com um agradecimento especial ao Luís...

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Ele há egos tão inflamados...

...mas tão inflamados!...que transformam qualquer escrita, passível de ser interessante, numa coisa intragável cuja reacção ameaça transformar-se em... vómito!

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08/06/07

Nós e o outro (I)

Uma das desvantagens do envelhecer é que tudo começa a parecer-nos demasiado visto, demasiado conhecido, demasiado previsível. Quem diz tudo diz todos, toda a gente. Já (quase) nada nos surpreende, (quase) ninguém revela merecer o esforço do conhecimento e o encanto, o frenesim, da descoberta do outro começa a revelar-se uma aventura destituída de prazer, tal o cortejo de lugares comuns, de faz-de-conta, de máscaras, de imposições dum imaginário vazio e destituído de qualquer tipo de emoções e/ou afectos. Ainda o outro vem pra cá e já se lhe adivinha o pra lá...ainda a 'promessa' vem no ar e já se adivinha o desencanto... Enfim, envelhecer é perceber que (infelizmente!) já quase não nos enganamos e perceber, também, o quanto isso - agora! - nos é fatal. Ter razão, porque se aprendeu a ler os mecanismos antes mesmo deles se desenharem, é uma vitória demasiado amarga que a vida nos concede. Ou uma partida demasiado cruel.

No meio de todos estes ganhos-e-perdas da vida há uma coisa de suprema importância e que muito nos diz da nossa relação com o outro: o riso! A capacidade de rirmos com o outro marca a relação com laços bem mais inquebráveis que muitos outros tipos de partilha. Porque rir é difícil e fazer rir ainda mais. Encontrar alguém que nos faz rir, rir expontaneamente e sem um propósito definito de antemão, é um 'dom' que só a poucos é dado saborear. Encontrar alguém que nos faz rir, quando tudo nos levaria ao choro, é uma dádiva só permitida às 'almas gémeas' e, por isso mesmo, ninguém entende a razão daquele riso...

E perder alguém que nos facultáva o riso solto é perder uma parte da vida que, teimosamente, iremos tentar recrear num qualquer outro que se nos depare, daí para a frente, numa recusa perversa de enfrentar a verdade: o eterno retorno é uma farsa que nos vendemos numa vã esperança de eternidade! O que perdermos, nesta vida, nunca mais o recuperaremos!

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07/06/07

Dando uma de nostálgica, com as estas 'pérolas de antiguidade', à conta do

"avatares de um desejo"


Nem mais!

7.6.07

BLOGOFRÉNICOS
Os bloggers que teorizam sobre a blogolândia como se a conhecessem. Lêem sempre os mesmos blogs, conhecem-se todos uns aos outros – directa ou indirectamente -, citam-se, linkam-se, encontram-se, para depois criticarem a blogolândia como se ela fosse o que eles são. Há algo de esquizofrénico nesta atitude de olhar para o mundo como se o mundo mais não fosse do que a esfera em torno da qual circula a nossa luz. A crise que vêem não é outra senão o estado crítico em que vivem.
posted by hmbf




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05/06/07

'Qu’il est doux de ne rien "dire" quand il s’apparente au dire...'

[Um dia, com muita paciência e alguma ajuda, tentarei trazer aqui a tradução deste belíssimo texto...um dia...]
[A.AKHMATOVA]
Repentirs?

Comment l’exprimer? Le silence est l’instant d’après comme on dirais que "la parole est une aile du silence". Aujourd’hui, je dirais à propos de lui qu’il est comme une subtile concrétion que l’eau a désertée depuis longtemps, et que le vent éparpille aux alentours sous forme des minuscules grains de sable. Le silence est le résidu de ce passage, la demeure de ce qui n’est plus, le définitif.
Renoncer à la parole n’est pas, quelque chose que l’on choisi, mais qui s’impose par la force des choses. Une absence très visuelle en somme... peut-être le contraire d’un être au monde, bavardage ou l’on se souviens encore des mots et de leur place dans le monde des vivants; silences, surabondance de non dits, grand vacarme de la conscience, ou le commencement d’une paresse ensommeillée? Qu’il est doux de ne rien "dire" quand il s’apparente au dire...
Vingt quatre heures sur vingt quatre le monde est désormais un torrent qu’il importe de tenir à distance. C’est exactement ce que je n’arrive pas à faire.

Curieux comme les choses vous viennent à l’esprit : Comme si elles provenaient de quelque région que malgré un sommaire état de veille, l’on voudrait maintenir (et pour des raisons obscures), hors sujet, Kafka dans son journal parle de "point quelconque situé vers le milieu".
Il est de ces lieux qui ne sont pas à proprement parler des lieux géographiques et qui relèvent d’une géométrie intime toute particulière, F.Pessoa aurait sans doute parlé d’une grande périphérie au tour d’un improbable centre ou de quelque chose de ce genre. Pour sur l’on pourrait tenir que ce lieu porte en lui quelque chose de diffus se définissant de l’intérieur : ce point d’équilibre est le point absent.

À l’âge du Web et des mobiles en tout genre, alors que la planète avec ses neuf milliards d’individus n’a jamais été aussi peuplée, jamais la distance entre les hommes n’a paru aussi grande ce qui la rend au demeurant encore plus exiguë. Question, à quelle distance raisonnable doit se tenir l’individu de ses semblables pour ne point en souffrir d’une trop grande proximité ? (de l’autre ou des autres)? Il est vrai que certaines distances se mesurent moins selon des critères métriques qu’en termes de marge de tolérance...Peut-être qu’une savante théorie scientifique quantifiera un jour les limites possibles en termes de contiguïté physique…On n'est pas sorti de l’auberge.

posted by ab at
5/16/2007


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