20/05/07

Quem sabe faz, quem não sabe...ensina!



Geração Rasca - estórias do quotidiano político, social e cultural «os pais não queiram passar mais tempo com os seus filhos não me surpreende»

Sinceramente não ando com muita pachorra para posts, aliás não ando com muita pachorra para o que quer que seja, mas...sempre que dou de caras com balelas destas...passo-me dos carrêtos! O que me admira é ainda reagir a tretas destas.

Por acaso esta gente que tem a mania de atirar para cima dos pais a responsabilidade maior pelo caos em que se encontra a educação em Portugal saberá o que é educar filhos com o ordenado mínimo (e menos ainda) e com cargas horárias de 40h semanais para cima!?

Por acaso esta gente achará que os pais deste país são apenas o grupinho de amigos e conhecidos, em geral gente situada nas urbes e que vive à volta dos seus umbiguinhos, achando que eles, sim, são a nata da sociedade quando são estes grupos - uma minoria no país - que, para ostentarem uma aura de sucesso, abocanham tudo o que é emprego - emprego!, não trabalho - para poderem manter os carros; as primeiras e segundas casas; as férias nos paraísos tropicais (ou as pseudo culturais); as griffes; etc.; etc....e tudo isto à custa de muitos visas e contas ordenados!??

Por acaso esta gente percebe o que é a angústia duma mãe que tem de deixar o(s) filho(s) entregue(s), por vezes a estranhos, para poder trabalhar porque um ordenado só não chega?!? Com que direito é que esta gente ousa criticar os pais e mães deste país que trabalham sem nunca verem o seu esforço compensado - muito menos ajudados por professores incompetentes, desinteressados, inqualificados - pais e mães que não têm outra solução que não seja aceitar horários absurdos, prepotências, desrespeito pela legislação, intransigência no que toca a faltas para acompanhamento escolar dos filhos, etc., etc.!?

Por acaso esta gente já fez alguma coisa para protestar contra os propósitos das entidades patronais das grandes superfícies comerciais que se preparam para reduzir de duas folgas semanais para uma, fazendo com que se acabe com o fecho aos domingos à tarde, aumentando a carga horária semanal!?

Por acaso esta gente pensa que os pais e mães deste país que trabalham nos dias em que os filhos estão em casa; que têm horários que os obrigam a deixar os filhos entregues na maior parte do dia; que quase nunca conseguem ter férias coincidentes com as escolares; que trabalham quando os professores fazem greve (para ter mais uns dias de folga extra) e ficam sem ter onde deixar os filhos; que não podem deslocar-se à escola sob pena de começarem a sofrer represálias e/ou ameaças de despedimento...por acaso esta gente acha que o fazem por gosto? Ou por desleixo/desinteresse para com os filhos?

Tenham dó! Olhem-se ao espelho porque já vi muito menino de muito boa gente - filhos de professores incluídos! - que de boa educação têm...nada! Tempos houve em que também os professores participavam na educação; muita dessa educação aprendi eu com alguns bons professores que tive...quando ainda os havia! Não esta chusma de mercenários que hoje se vê a deambular pelas escolas - as secundárias, então, são um nojo! - sem o mínimo interesse pelos seres humanos em formação que têm em mãos, mais preocupados que estão com as progressões de carreira, com os tachos que cravam no ministério, com os créditos, com os melhores horários que possam cravar aos novatos, com as tarefas enfadonhas que empurram para esses novatos, basta ver-se quem são os directores de turma!

Somos, como sempre fomos, um país com pouca formação escolar, cultural, cívica, mas...de quem é a responsabilidade dessa mudança senão das elites que sempre detiveram o acesso ao poder...económico e por consequência ao cultural?!? Ninguém nasce ensinado e se os pais não têm educação como a podem passar aos filhos? Ou estes sabichões da treta acham que educação se compra no supermercado??? Quem melhor que os professores - porque melhor preparados - para fazer a mudança? O que é que fizeram em trinta anos de democracia??? Merda, só merda! Com os maus exemplos que deram aos nossos filhos, nas escolas. Mostraram-lhes que se um professor pode ser desleixado, desinteressado, incompetente, então é porque isso não é coisa grave! Mostraram-lhes que se um professor não sabe gerir a disciplina na sala de aula, então não merece ser ouvido! Mostraram-lhes que se um professor está mais interessado no seus próprios interesses do que nos interesses daqueles que são a razão da sua existência, então não merece ser respeitado!

Os professores existem porque existem alunos, não são os alunos que existem para dar sentido à existência de professores! As escolas existem porque os jovens precisam ser formados e não para dar emprego (fácil) para quem não sabe fazer mais nada!

E não me venham com merdas porque eu não fazendo parte do grupo maioritário - fiz parte de associações de pais e duma federação e também optei de livre vontade por ficar em casa durante doze anos para acompanhar um dos meus filhos e por trabalho a meio tempo pelo outro - tenho consciência que este país não é feito de mães com capacidade de opção e, em geral, é exactamente junto destas que se encontram os maiores abandonos. Destas e destes que os pais não estão inocentes nestas questões. E também não me venham com o choradinho dos professores esforçados porque hoje em dia esses são poucos, pouquíssimos.

E, enquanto andarmos uns contra os outros, quem se lixa são os alunos...e o país...e nós todos, afinal!

2 comentários:

Margarida Parker disse...

Continuo a achar que os pais são os grandes culpados do facto do nosso ensino estar como está. E é precisamente por pessoas como a senhora ( que enchem a cabeça aos meninso de frases como "os professores não prestam, não há bons professores")que os meninos chegam às escolas como se fossem os donos do mundo e os professores seus empregados.


Tenho uma família de professores. Sou filha de uma professora que, infelizmente, dá aulas há quase quarenta anos e assistiu, com muita tristeza, a esta degradação dos ambientes escolares. A minha mãe nunca teve problemas de indisciplina nas escolas por onde passou durante todos estes anos e agora está a tê-los. E se há pessoa que impõe autoridade e respeito, essa pessoa é a minha mãe. Talvez a senhora conheça a realidade dos "bairros bem" e dos colégios privados. Mas há outra realidade.

Quanto aos pais que aí fala que não têm condições para educar os filhos, para esses há bom remédio, há métodos contraceptivos, usem-nos.

...

José Carrancudo disse...

Na realidade, os pais não são os responsáveis principais.

O País está em crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos, que empreenderam experiências pedagógicas malparadas na nossa Escola. Com efeito, 80% dos nossos alunos abandonam a Escola ou recebem notas negativas nos Exames Nacionais de Português e Matemática. Disto, os culpados são os educadores oficiosos que promoveram políticas educativas desastrosas, e não os alunos e professores. Os problemas da Educação não se prendem com os conteúdos programáticos ou com o desempenho dos professores, mas sim com as bases metódicas cientificamente inválidas.

Ora, devemos olhar para o nosso Ensino na sua íntegra, e não apenas para assuntos pontuais, para podermos perceber o que se passa. Os problemas começam logo no ensino primário, e é por ai que devemos começar a reconstruir a nossa Escola. Recomendamos vivamente a nossa análise, que identifica as principais razões da crise educativa e indica o caminho de saída. Em poucas palavras, é necessário fazer duas coisas: repor o método fonético no ensino de leitura e repor os exercícios de desenvolvimento da memória nos currículos de todas as disciplinas escolares. Resolvidos os problemas metódicos, muitos dos outros, com o tempo, desaparecerão. No seu estado corrente, o Ensino apenas reproduz a Ignorância, numa escala alargada.

Devemos todos exigir uma acção urgente e empenhada do Governo, para salvar o pouco que ainda pode ser salvo.