23/03/08

Eu, se fosse professora...

...também me sentiria enojada...e ultrajada! Não pelos alunos, mas pela comunicação social e pelas intervenções de alguns ditos professores! A desonestidade intelectual, então, campeia por essas intervenções fora.

Títulos referindo «professora brutalizada», «professora agredida», etc., etc., são demagógicos e desonestos, nada abonando a favor da razão dos professores. O que eu vejo no vídeo são duas mulheres à bulha! O que confere a gravidade à coisa é que uma das mulheres deve obediência à outra e refutou essa obediência. E isso é grave. É sempre, e em qualquer lugar, grave e de consequências mais ou menos pesadas para quem prevarica.

Mas, não menos grave é ver-se que quem tem, também, o dever de educar infringe o dever de respeitar! A si mesma primeiro e, depois, à outra...perdendo poder (de persuasão, no mínimo, ou de imposição). Se pegar num braço é brutalizar, então, meus amigos...muito aluno, por esse país fora, foi e continua a ser brutalizado...sem a atenuante do descontrolo fácil de quem tem quinze anos!

Deixemo-nos de lérias. Houve uma enorme falta de respeito para com a professora, como autoridade dentro da sala de aula e até mesmo como pessoa, simplesmente. Ai de quem me pegue no braço e me grite para me levar a fazer qualquer coisa, mas dai a esquecer-se que uma professora não pode embarcar numa peixeirada, ainda menos com uma aluna e ainda menos dentro da sala de aula...desculpem lá, mas querer passar por cima disto é emporcalhar a luta dos professores para a recuperação dum prestígio perdido e que merecem! E se não merecerem que se elaborem mecanismos para correr do ensino os incompetentes.

Quanto às medidas vingadoras que muitos apregoam por aí, profs e opinadores profissionais, pois...nem vale a pena perder tempo a criticar. Gentinha menor que faz engrossar a malha medíocre deste país, criticadores dos outros sem se deterem a dar uma mirada no espelho para perceber que são eles que constituem essa massa humana que cria e deseduca a juventude que tanto julga e condena...ou, porventura acharão que os jovens nascem de geração espontânea, ou que os mal educados são só os filhos dos outros? Pois sim...olhando para o belíssimo panorama da nossa classe política, dos nossos jornalistas, nos nossos 'jetessetes', dos nossos médicos, dos nossos advogados&juízes...é preciso continuar???:=>

«(...)diz Carlos Chagas, para quem o Estatuto do Aluno permite que o processo de averiguações funcione mais ou menos como uma inquirição judicial: "É feita por um professor que não tem formação jurídica, levando a que não se faça justiça quando se deve fazer, especialmente nos casos de flagrante delito como foi este."(...)»

Mas...desde quando é que aos professores foi conferido o poder de julgar e condenar, ou seja: fazer justiça?!? Para que raio servem os tribunais??? E espantava-me eu que, há uns bons quinze anos, se utilizasse o termo 'arguido' para designar um puto de 10 anos num processo disciplinar motivado por ter dado um 'calduço' num colega!?:=>

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(Magritte)/"Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?",WW

1 comentário:

Cândida disse...

a autoridade funda-se no respeito de parte a parte, professor / alunos e vice-versa. é por aí k se deve começar.